Gemini despenca e analista vê risco até 2026

A Gemini, exchange de criptomoedas fundada por Tyler e Cameron Winklevoss, enfrenta pressão crescente no mercado. Um ativo associado à empresa, identificado como GEMI, acumula queda próxima de 90% desde um pico em setembro de 2025, o que levanta dúvidas sobre a percepção de valor e a sustentabilidade do negócio.

Nesse contexto, o analista Dom Kwok, cofundador da EasyA Labs, afirmou na rede X que a empresa pode enfrentar um cenário crítico até o fim de 2026. Segundo ele, a combinação de fatores financeiros, operacionais e jurídicos aumenta o risco percebido pelo mercado.

Pressão financeira e risco de diluição

Kwok afirma que a Gemini registra prejuízos anuais elevados e vem consumindo rapidamente recursos captados recentemente. Caso esse ritmo persista, a empresa pode buscar novas rodadas de financiamento. Em geral, esse tipo de captação tende a diluir acionistas existentes e pressionar ainda mais os preços.

Além disso, o ambiente jurídico adiciona incerteza. Ações coletivas recentes alegam que a empresa teria apresentado projeções excessivamente otimistas antes de sua listagem. Um dos documentos judiciais pode ser consultado aqui.

De acordo com os autores, a companhia pode ter subestimado riscos ligados à expansão internacional e a mudanças estratégicas. Embora as alegações ainda dependam de avaliação judicial, elas reforçam a cautela do mercado.

Reestruturação e mudanças internas

Em fevereiro, a Gemini anunciou o plano “Gemini 2.0”, que inclui ajustes operacionais e foco em novos segmentos, como mercados de previsões. Ao mesmo tempo, a empresa sinalizou saída de algumas regiões e redução significativa da equipe.

Esse movimento ocorreu após a saída de executivos-chave, incluindo posições ligadas às áreas financeira, jurídica e operacional. Em conjunto, essas mudanças ampliam dúvidas sobre governança e execução estratégica.

Crescimento desacelera e surgem críticas operacionais

Outro ponto levantado envolve a desaceleração da receita. O crescimento teria recuado de cerca de 45% para 26% em um ano, o que, para uma empresa em expansão, pode indicar perda de tração.

Ao mesmo tempo, usuários relatam dificuldades operacionais, como restrições em contas, atrasos em saques e falhas no atendimento. Embora esses relatos não representem necessariamente a totalidade da base de clientes, eles podem afetar a reputação da plataforma.

Risco de efeito em cadeia

Kwok descreve um possível “ciclo de colapso”, no qual a queima de caixa leva a captações desfavoráveis. Como resultado, o valor do ativo cairia ainda mais, incentivando novas vendas e ampliando a pressão.

Esse tipo de dinâmica, embora não inevitável, costuma depender fortemente da confiança do mercado. Caso a percepção negativa persista, o cenário pode se deteriorar rapidamente.

Gemini gráfico

O gráfico diário ilustra a trajetória de queda do ativo associado à Gemini desde 2025. Fonte: TradingView

Recentemente, o ativo era negociado próximo de US$ 4,59, após nova queda diária. Até o momento, não há sinais consistentes de reversão.

Em conclusão, a combinação de desvalorização expressiva, crescimento mais lento, desafios legais e mudanças internas sustenta um cenário de incerteza. Ainda assim, a evolução dependerá da capacidade da Gemini de estabilizar suas operações e recuperar a confiança dos investidores.