Gemini salta com aporte de US$ 100M em Bitcoin

A Gemini voltou ao radar do mercado cripto após Cameron Winklevoss e Tyler Winklevoss anunciarem um investimento estratégico de US$ 100 milhões na própria empresa. O movimento chamou atenção porque o aporte foi realizado em Bitcoin, e não em moeda fiduciária, reforçando a confiança no ativo digital e na corretora.

O relatório divulgado com os resultados do primeiro trimestre de 2026 mostrou crescimento de 42% na receita anual. Como consequência, as ações da Gemini (NASDAQ: GEMI) avançaram mais de 20% no after-market.

Resultados financeiros e reação do mercado

A empresa reportou receita de US$ 50,3 milhões no trimestre encerrado em 31 de março de 2026. Esse desempenho foi impulsionado principalmente por serviços e operações OTC, que ganharam relevância no período.

Em termos mais detalhados, a receita com serviços e juros avançou 122%, alcançando US$ 24,5 milhões. Ao mesmo tempo, o segmento de cartões de crédito cresceu 300%, atingindo US$ 14,7 milhões. Dessa forma, a diversificação de receitas começou a produzir efeitos concretos.

Apesar do avanço, a Gemini ainda opera no prejuízo. Ainda assim, reduziu as perdas líquidas para US$ 109 milhões, frente aos US$ 141 milhões registrados no mesmo período de 2025. Por conseguinte, o mercado interpretou os números como sinal de melhora operacional.

Antes da divulgação, as ações estavam cotadas a US$ 5,26. Logo após o anúncio, subiram para US$ 6,33. No pregão seguinte, chegaram a avançar mais de 30% antes de estabilizarem, evidenciando forte reação dos investidores.

Investimento acima do preço de mercado

O movimento mais relevante foi conduzido pelo Winklevoss Capital Fund, que adquiriu 7,1 milhões de ações por US$ 14 cada. O valor está bem acima da cotação recente, que girava em torno de US$ 4,92. Em outras palavras, os fundadores sinalizam confiança na valorização futura da empresa.

Tyler Winklevoss afirmou à CNBC que o mercado ainda subestima o potencial da Gemini. Segundo ele, o investimento marca o início de uma nova fase de crescimento.

Além disso, o fato de o aporte ter sido realizado em Bitcoin reforça a convicção dos executivos tanto na valorização do ativo quanto na recuperação da companhia.

Bitcoin influencia desempenho e volumes

O comportamento recente do Bitcoin também impactou diretamente os resultados. Atualmente, o ativo é negociado próximo de US$ 80 mil, após fechar em US$ 81.051 em 14 de maio, sucedendo um período de forte volatilidade.

Anteriormente, o Bitcoin caiu mais de 40%, saindo do pico de US$ 126 mil em outubro de 2025 para cerca de US$ 60 mil em fevereiro de 2026. Como resultado, o volume de negociações na Gemini foi pressionado.

No primeiro trimestre, o volume total caiu para US$ 6,3 bilhões, ante US$ 13,5 bilhões no mesmo período do ano anterior. Assim, a retração evidencia a dependência da corretora em relação ao ciclo do mercado.

Movimentações dos irmãos Winklevoss

Além do desempenho operacional, os irmãos Winklevoss ajustaram suas posições. Dados da Arkham indicam uma movimentação de US$ 130 milhões em Bitcoin para a Gemini em março, interpretada como venda.

Posteriormente, parte desses recursos foi retirada. Em abril, cerca de US$ 42,77 milhões em BTC deixaram a plataforma, sugerindo reposicionamento estratégico, conforme a Yahoo Finance.

Reestruturação, desafios e avanço regulatório

Apesar da melhora recente, a Gemini enfrentou meses desafiadores. Em fevereiro de 2026, a empresa reduziu 25% de sua força de trabalho global e encerrou operações no Reino Unido, na União Europeia e na Austrália.

Ao mesmo tempo, houve a saída de executivos-chave, incluindo COO, CFO e diretor jurídico. Essas mudanças aumentaram a pressão sobre a companhia, segundo a CoinDesk.

Como consequência, investidores abriram ações coletivas alegando divulgação de informações enganosas durante o IPO em setembro de 2025. Na ocasião, as ações foram lançadas a US$ 28 e atingiram US$ 45,89 antes de recuarem para abaixo de US$ 5, acumulando queda superior a 89%, conforme a PR Newswire.

Licença da CFTC abre novas oportunidades

Por outro lado, a empresa avançou no campo regulatório. Em abril de 2026, a Gemini obteve licença de Derivatives Clearing Organization junto à Commodity Futures Trading Commission (CFTC).

Com isso, poderá oferecer produtos como futuros e opções, ampliando sua atuação além do mercado à vista. Cameron Winklevoss afirmou que o objetivo é transformar a empresa em uma plataforma mais abrangente de mercados financeiros.

Em conclusão, o conjunto de crescimento de receita, redução de prejuízo, aporte em Bitcoin e avanços regulatórios indica uma tentativa consistente de recuperação. Ainda assim, o desempenho futuro seguirá condicionado à estabilidade do mercado cripto e à execução da reestruturação interna.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas