Gemini sofre saída de líderes e queda após IPO

Gemini atravessa seu momento mais crítico desde a abertura de capital, após confirmar a saída imediata de três executivos de alto escalão poucos meses depois do IPO em Nova York. A exchange, fundada pelos irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, comunicou em documento regulatório que o diretor de operações Marshall Beard, o diretor financeiro Dan Chen e o diretor jurídico Tyler Meade deixaram seus cargos sem período de transição.

Saída simultânea de executivos aumenta pressão

A debandada gerou forte preocupação no mercado. Além de abrir mão do cargo de COO, Beard também renunciou ao conselho de administração. A empresa destacou que a decisão não teve relação com conflitos internos. No entanto, analistas permanecem cautelosos, especialmente após a Bloomberg citar a avaliação de Matthew Coad, da Truist Securities, que alerta para um impacto negativo na confiança de investidores diante da saída coordenada de três líderes centrais.

A Gemini afirmou que não pretende substituir Beard por enquanto. Assim, Cameron Winklevoss absorverá parte das tarefas antes desempenhadas pelo executivo. Para a direção financeira, Danijela Stojanovic, atual diretora contábil, assumiu como CFO interina. Já Kate Freedman ocupará o cargo de conselheira jurídica interina, enquanto a companhia reorganiza sua estrutura.

As mudanças chegam em um período de cortes severos. A exchange reduziu até 25 por cento do quadro de funcionários recentemente e encerrou suas operações no Reino Unido, na União Europeia e na Austrália. Além disso, enfrenta desafios significativos desde o IPO, que elevam os riscos operacionais e ampliam a desconfiança entre investidores.

Resultados preliminares acendem alerta financeiro

As dificuldades vão além das mudanças na liderança. A Gemini divulgou projeções preliminares para 2025 que indicam prejuízo pré-impostos ajustado entre US$ 267 milhões e US$ 257 milhões. Além disso, estima receitas líquidas entre US$ 165 milhões e US$ 175 milhões e cerca de 600 mil usuários ativos mensalmente até o final do ano.

No entanto, as despesas operacionais cresceram rápido e devem alcançar entre US$ 520 milhões e US$ 530 milhões, bem acima dos US$ 308 milhões do período anterior. A empresa atribui o aumento aos custos de pessoal, investimentos contínuos em tecnologia, funções administrativas e ações de marketing, elementos que pressionam ainda mais a rentabilidade. A divulgação completa dos números ainda não possui data definida.

A abertura de capital, realizada em setembro do último ano, levou as ações da empresa ao pico de US$ 45,89 no segundo dia de negociações. Contudo, o mercado de cripto entrou em queda após movimentações do Bitcoin, e isso intensificou a desvalorização do papel GEMI.

Durante a última terça-feira, os ativos negociados sob o ticker GEMI registraram nova queda expressiva, chegando a recuar quase 15 por cento e atingindo a mínima histórica intradiária de US$ 6,64. Foi o pior desempenho diário desde novembro, reforçando o clima negativo ao redor da companhia.

Gráfico GEMI

O gráfico diário mostra a tendência de queda de GEMI desde o início das negociações. Fonte: GEMI no TradingView.com

No curto prazo, a combinação entre saída de executivos, projeções financeiras negativas e forte desvalorização das ações aprofunda o cenário adverso. Além disso, reforça a incerteza sobre a capacidade da exchange de estabilizar suas operações após o IPO e retomar a confiança de seus usuários e investidores.