Genius Group vende Bitcoin e quita dívida de US$ 8,5 mi

A Genius Group (GNS) decidiu liquidar toda a sua reserva de Bitcoin para quitar US$ 8,5 milhões em dívidas. A medida marca uma mudança relevante na estratégia financeira da empresa, que havia ampliado sua exposição ao ativo digital no fim de 2024, após as eleições nos Estados Unidos.

Naquele período, a companhia direcionou parte significativa de suas reservas ao Bitcoin. Como resultado, sua tesouraria atingiu 440 BTC em fevereiro de 2025. No entanto, restrições legais alteraram esse cenário. Uma ordem judicial, por exemplo, limitou a captação de novos recursos e a emissão de ações, o que levou a uma revisão estratégica.

Assim, entre o fim de 2025 e o início de 2026, a empresa reduziu gradualmente sua exposição. Em fevereiro deste ano, ainda mantinha cerca de 84 BTC. Esse volume já refletia vendas anteriores, incluindo a negociação de aproximadamente 96 BTC no período entre dezembro e fevereiro, conforme dados do Marketscreener.

Liquidação total prioriza redução de dívida

Posteriormente, a Genius Group vendeu o restante de suas reservas em Bitcoin. Dessa forma, eliminou integralmente suas obrigações financeiras. Ainda que a operação tenha ocorrido abaixo do custo médio de aquisição, a empresa indicou que a decisão priorizou o reequilíbrio financeiro.

Em comunicado oficial, a companhia afirmou que a reorganização incluiu tanto a venda dos ativos quanto a reestruturação de acordos de dívida. O posicionamento reforça uma mudança de foco, privilegiando estabilidade em vez de exposição ao ativo.

“Além do foco contínuo em operações lucrativas, a companhia reestruturou seus acordos de dívida, vendeu o restante de sua tesouraria em Bitcoin e quitou integralmente os US$ 8,5 milhões em débitos. A empresa retomará a construção de sua reserva em Bitcoin quando considerar que o mercado apresenta condições mais adequadas.”

Assim sendo, embora tenha zerado sua posição, a empresa sinaliza que pode retomar a estratégia no futuro, a depender das condições de mercado.

Resultados operacionais e nova estratégia

Enquanto ajusta sua estrutura financeira, a Genius Group também divulgou resultados operacionais. No primeiro trimestre de 2026, a receita atingiu US$ 3,3 milhões, o que representa crescimento de 171% na comparação anual.

Além disso, o lucro bruto foi de US$ 2,0 milhões. Já o lucro operacional líquido chegou a US$ 2,7 milhões, enquanto o EBITDA ajustado somou US$ 600 mil. Os números sugerem uma mudança estratégica com foco em produtos educacionais de maior margem.

Segundo o CEO Roger Hamilton, a empresa concentra esforços em três unidades principais: Genius School, Genius Academy e Genius Resorts. Ao mesmo tempo, busca reduzir a dependência de financiamento externo e fortalecer a rentabilidade.

Empresa mantém Bitcoin no radar estratégico

Apesar da venda total, a Genius Group não descarta voltar ao Bitcoin. A companhia indicou que pretende reconstruir sua tesouraria em criptomoedas quando o cenário for mais favorável.

Paralelamente, a empresa avança em iniciativas operacionais. A Genius Academy ampliou programas educacionais baseados em inteligência artificial, voltados a empresas e governos. Já a Genius School lançou um modelo educacional em Bali, integrado ao sistema Cambridge.

Além disso, a unidade Genius Resorts segue gerando receitas com experiências educacionais imersivas. Outro projeto em expansão é o “Genius City”, no Sudeste Asiático, que combina educação e moradia em um único ecossistema.

Do ponto de vista corporativo, Roger Hamilton acumulou cerca de 5,5 milhões de ações da companhia desde 2024, movimento que pode indicar alinhamento com a estratégia de longo prazo.

Em suma, a venda de Bitcoin permitiu à Genius Group reduzir sua alavancagem e reorganizar suas finanças. Ao mesmo tempo, a empresa mantém aberta a possibilidade de retomar exposição ao ativo conforme as condições de mercado evoluam.