Ouro mira US$ 10 mil se recuperar média, diz Martinez

O Ouro caiu para US$ 4.043 e perdeu, de forma marginal, a média móvel simples de 50 semanas. Ainda assim, Ali Martinez avalia que esse movimento pode preceder uma recuperação relevante, caso o padrão observado em 2023 se repita. Por isso, investidores passaram a monitorar a região técnica de US$ 4.320.

Em análise publicada em 24 de junho de 2026 no X, Ali Martinez afirmou que o ouro registrou uma configuração semelhante no fim de setembro de 2023. Naquele período, o ativo recuou para US$ 1.932, perdeu temporariamente a média de 50 semanas e depois recuperou esse nível. Em seguida, o preço avançou cerca de 190%.

Segundo o analista, se a mesma dinâmica ocorrer novamente, o ouro pode buscar níveis bem acima de US$ 10.000 por onça. A projeção técnica citada aponta para um alvo potencial de US$ 11.724 até meados de 2028. Contudo, o cenário exige cautela, porque o metal segue negociado em uma faixa historicamente elevada, mesmo após a correção recente.

Média de 50 semanas vira ponto decisivo

Ali Martinez observou que o principal gatilho para fortalecer esse cenário seria um fechamento semanal acima da média móvel simples de 50 semanas, hoje em US$ 4.320. Em outras palavras, o ouro precisa recuperar esse patamar para elevar a chance de retomar uma tendência de alta mais ampla.

“Se o ouro recuperar a média móvel simples de 50 semanas, o movimento pode abrir espaço para uma alta semelhante à de 2023.”

Ali Martinez no X

Considerando o preço de US$ 4.043 no momento citado, o ativo precisaria subir cerca de 6,85% apenas para voltar a se posicionar acima da média móvel simples de 50 semanas. Só depois disso, conforme a leitura do analista, uma corrida mais robusta de alta ganharia força no curto e no médio prazo.

Gráfico mensal do preço do ouro
Gráfico mensal do preço do ouro. Gráfico: TradingView

Projeção de US$ 11.724 até 2028 entra no radar

A referência técnica usada por Ali Martinez parte de um comportamento já visto no mercado. Em setembro de 2023, a perda temporária da média de 50 semanas veio antes da recuperação e da forte valorização. Dessa forma, a repetição do padrão virou argumento para quem espera uma nova perna de alta no ouro.

No entanto, essa leitura não funciona de maneira automática. Afinal, o contexto atual difere do ambiente de 2023 em vários aspectos, sobretudo no nível de preço do metal. Mesmo assim, a região de US$ 4.320 segue como ponto central para confirmar ou enfraquecer a tese otimista.

Bancos centrais sustentam o pano de fundo

Mesmo com a fraqueza recente, parte do mercado ainda vê um ambiente favorável ao ouro. Um dos fatores mais relevantes é a continuidade das compras por bancos centrais. Ao longo da década de 2020, essas instituições reforçaram suas reservas de maneira consistente.

Esse movimento ganhou força por causa da inflação persistente, das incertezas geopolíticas e da busca por alternativas diante do risco de sanções unilaterais dos Estados Unidos. Além disso, vários países reduziram sua exposição a ativos considerados vulneráveis a pressões políticas externas. Como resultado, o ouro preservou um suporte estrutural relevante.

Em 2026, esses fatores ganharam novo peso. O ano registrou novas guerras ou operações militares, aperto adicional de sanções contra indivíduos, organizações, entidades e países, além de uma aparente perda de confiança na dívida americana. Por isso, a pressão compradora sobre o metal não tende a desaparecer rapidamente.

Geopolítica limita quedas mais profundas

Na prática, esse ambiente ajuda a criar um piso para o preço do ouro. Embora correções aconteçam, o interesse institucional tende a limitar movimentos de queda mais profundos. Ao mesmo tempo, a demanda oficial fortalece a percepção de que o ouro mantém relevância como reserva de valor em momentos de estresse global.

Ademais, a combinação entre compras de bancos centrais e tensões internacionais sustenta uma narrativa altista de longo prazo. Ainda assim, investidores seguem atentos aos sinais do gráfico, porque a confirmação técnica pode definir o ritmo de uma nova arrancada.

Correção do ouro também acende alerta macroeconômico

Por outro lado, nem todos os analistas veem a correção recente apenas como oportunidade de compra. Alguns especialistas entendem que a disparada até US$ 5.400 no início de 2026, seguida por uma queda brusca, pode sinalizar estresse financeiro mais amplo. Dessa maneira, a volatilidade do metal também passou a ser lida como possível alerta macroeconômico.

Entre eles está Mike McGlone, estrategista sênior de commodities da Bloomberg. Em análise publicada em 21 de junho, ele destacou uma semelhança marcante, embora não completa, entre o comportamento dos metais preciosos em 2008 e em 2026.

“Os movimentos extremos dos metais preciosos podem refletir um ambiente financeiro mais frágil, como ocorreu em ciclos anteriores.”

Mike McGlone no X

Assim, o momento atual do ouro reúne duas leituras paralelas. De um lado, existe um gatilho técnico claro em torno da média de 50 semanas, com potencial para reativar a alta caso o preço feche acima de US$ 4.320. De outro, persiste a interpretação de que a volatilidade recente pode refletir tensões econômicas mais amplas, como em 2008.

Em suma, o ouro segue no centro do debate porque combina suporte estrutural, impulso geopolítico e um ponto técnico decisivo. Se recuperar a média móvel simples de 50 semanas, o mercado pode voltar a discutir uma trajetória rumo a US$ 10 mil. Enquanto esse nível não for retomado, a cautela tende a dominar a leitura de curto prazo.