Goldman Sachs compra NEOS Investments e ETF de Bitcoin
O Goldman Sachs concordou em adquirir a NEOS Investments por até US$ 2,25 bilhões. A operação adicionará uma plataforma de ETFs de renda baseada em opções, que administra US$ 30 bilhões e inclui um fundo ligado ao Bitcoin.
O acordo prevê pagamento em dinheiro e ações e abrange os 19 ETFs de renda da NEOS. Segundo o comunicado do Goldman Sachs, a instituição espera concluir a operação no primeiro trimestre de 2027. Contudo, o negócio ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores e do cumprimento das condições habituais.
Parte da contraprestação dependerá do desempenho da empresa e de compromissos de serviço. Além disso, a compra ampliará a área de ETFs de opções voltados à renda e a resultados do Goldman Sachs Asset Management. Atualmente, essa divisão administra US$ 40 bilhões.
Aquisição fortalece plataforma de ETFs do Goldman Sachs
Com a NEOS e a Innovator Capital Management, a plataforma global de ETFs do banco poderá alcançar cerca de US$ 130 bilhões. Dessa forma, o Goldman Sachs estima que se tornará o oitavo maior provedor de ETFs ativos. O cálculo considera os ativos administrados em 30 de junho.
David Solomon, CEO do Goldman Sachs, afirmou que a NEOS complementa as estratégias de proteção, resultados gerenciados e renda da instituição. Conforme o executivo, a demanda dos investidores por ETFs ativos continua crescendo.
Enquanto isso, o mercado de ETFs de renda com derivativos alcançou aproximadamente US$ 180 bilhões. Desde 2021, os ativos desse segmento avançaram a uma taxa anualizada superior a 70%. Os dados são da Morningstar e foram citados pelo banco.
BTCI combina exposição ao Bitcoin e venda de opções
Entre os fundos incluídos na transação está o NEOS Bitcoin High Income ETF, negociado sob o código BTCI. Em 11 de agosto, o produto possuía US$ 1,10 bilhão em ativos líquidos.
De acordo com o prospecto do fundo, o BTCI oferece exposição vinculada ao Bitcoin sem exigir a propriedade direta da criptomoeda.
Para isso, o ETF investe por meio de produtos de Bitcoin negociados em bolsa. O fundo também utiliza uma estratégia de opções que busca gerar renda mensal com a venda de opções de compra.
Assim, os investidores participam dos movimentos de preço do Bitcoin. Em contrapartida, abrem mão de parte do potencial de valorização em troca dos prêmios recebidos com as opções.
Em 31 de julho, o BTCI informava taxa de distribuição de 26,73% e rendimento SEC de 30 dias de 1,62%. Porém, seu valor patrimonial líquido acumulava queda de 25,54% no ano e de 41,66% em 12 meses.
Já o pagamento de US$ 0,6458 realizado em julho teve uma estimativa preliminar de 92% como retorno de capital.
Goldman Sachs poderá superar BlackRock no segmento
O BTCI ganha relevância porque o Goldman Sachs já preparava sua entrada no segmento de ETFs de renda ligados ao Bitcoin. Em abril, o banco protocolou um prospecto alterado na Securities and Exchange Commission, a SEC, para o Goldman Sachs Bitcoin Premium Income ETF.
Na ocasião, o fundo proposto ainda não havia iniciado suas operações de investimento. A estratégia buscaria renda e valorização de capital ligada ao Bitcoin mediante a venda de opções de compra sobre produtos negociados em bolsa.
Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, destacou que o BTCI permitiria ao Goldman Sachs superar o iShares Bitcoin Premium Income ETF, da BlackRock. Esse fundo, identificado pelo código BITA, havia chegado recentemente ao mercado.
Atualmente, o BITA administra aproximadamente US$ 60 milhões. Portanto, se a aquisição receber as aprovações necessárias, o Goldman Sachs controlará um fundo de renda ligado ao Bitcoin quase 19 vezes maior que o produto da BlackRock.