Golpe com criptomoedas de US$20M prende texano
Um homem do Texas foi condenado a 23 anos de prisão federal após liderar um esquema fraudulento com criptomoedas que causou prejuízos de aproximadamente US$ 20 milhões. A sentença, equivalente a 276 meses, foi determinada por um tribunal federal na Flórida, após condenação por conspiração para cometer fraude postal e eletrônica.
Além disso, Robert Dunlap deverá restituir mais de US$ 10 milhões às vítimas. O caso ganhou relevância no mercado de criptomoedas devido à complexidade da operação e ao uso de promessas enganosas que atraíram centenas de investidores.
Falsa criptomoeda prometia lastro bilionário
As investigações apontam que Dunlap e seus parceiros promoveram a criptomoeda Meta 1 Coin. O ativo teria, em tese, lastro em uma coleção de arte avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, incluindo obras atribuídas a artistas como Van Gogh e Picasso.
No entanto, registros judiciais indicam que essas obras nunca foram adquiridas. Embora Dunlap tenha assinado um acordo de compra, ele não realizou o pagamento necessário. Dessa forma, o suposto lastro nunca existiu.
Além disso, o grupo alegava que os tokens eram protegidos por um fundo privado robusto. Contudo, essa informação também se mostrou falsa após análise das autoridades.
Em paralelo, os envolvidos afirmavam que a criptomoeda era respaldada por US$ 2 bilhões em ouro. Ainda assim, os registros mostram que a suposta mina era apenas uma reivindicação não patenteada em terras públicas, sem valor econômico real.
Como resultado, investidores foram induzidos ao erro com promessas de retornos irreais. Segundo o processo, os ganhos poderiam chegar a 224.923%, sem risco ao capital inicial, o que atraiu quase mil vítimas.
Promessas irreais e apelo ao mercado cripto
O esquema utilizava argumentos sofisticados para gerar credibilidade. Ao mesmo tempo, explorava o interesse crescente pelo mercado de criptomoedas, sobretudo entre investidores iniciantes.
Por outro lado, especialistas reforçam que promessas de retornos elevados sem risco são um dos sinais mais claros de fraude. Ainda assim, muitos participantes confiaram nas garantias apresentadas.
Recursos desviados financiaram luxo
Enquanto os investidores aguardavam retornos, Dunlap utilizava os valores captados para manter um estilo de vida de alto padrão. Parte dos recursos, cerca de US$ 215 mil, foi destinada à compra de uma Ferrari, além de outros veículos e despesas pessoais.
Mesmo após a intervenção das autoridades, o esquema continuou ativo. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) obteve uma ordem judicial para congelar ativos. Ainda assim, Dunlap seguiu promovendo o projeto por meio de webinars e apresentações.
Como consequência, ele também enfrentou uma acusação adicional de desacato civil antes do julgamento criminal.
Estratégias jurídicas foram rejeitadas
Posteriormente, Dunlap tentou contestar a autoridade do tribunal com argumentos associados ao movimento “cidadão soberano”. No entanto, a Justiça rejeitou essas alegações.
Além disso, ele apresentou documentos considerados sem sentido pelas autoridades e tentou impor ônus legais contra servidores públicos envolvidos no caso. Ainda que repetidas, essas ações não tiveram efeito sobre o andamento do processo.
Por fim, o júri o considerou culpado por conspiração para fraude. Em conclusão, a sentença consolida um dos casos recentes mais emblemáticos envolvendo golpes com criptomoedas, com perdas milionárias, promessas falsas de lastro em arte e ouro e captação baseada em retornos irreais.
O caso também reforça o alerta sobre práticas fraudulentas no setor, que continuam a surgir mesmo diante de maior supervisão regulatória.