Golpe de criptomoedas: FBI derruba 241 sites

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A promotoria do Brooklyn e o Federal Bureau of Investigation (FBI) desativaram 241 sites e apreenderam 112 servidores ligados a um suposto golpe de criptomoedas. A rede, sediada no Leste Europeu, teria roubado dezenas de milhões de dólares de cidadãos americanos. Conforme as autoridades, os criminosos miravam principalmente pessoas que falavam russo. A operação também recuperou cerca de US$ 300 mil em valores roubados.

A Unidade de Moeda Virtual da promotoria anunciou a ofensiva em 14 de outubro. A investigação durou três anos e não resultou em prisões. Durante várias horas, as equipes cumpriram mandados e adotaram outras medidas em três fusos horários. Os sistemas apreendidos armazenavam páginas fraudulentas, dados das vítimas e programas usados pela organização.

Operação atingiu servidores usados pelo esquema

Antes da ofensiva, a unidade já havia apreendido ou interrompido 400 domínios associados a fraudes de investimento em criptomoedas. No entanto, os operadores criavam rapidamente páginas substitutas após cada bloqueio. Por isso, os investigadores passaram a mirar os servidores que sustentavam a estrutura. A promotoria do Brooklyn informou que os equipamentos estavam hospedados no Leste Europeu e nos Estados Unidos.

Dessa forma, a apreensão buscou impedir que a rede reconstruísse os sites com rapidez. A medida também poderia dificultar novos contatos com pessoas já enganadas. Alona Katz, promotora assistente responsável pela investigação, resumiu o impacto da operação.

“Nós desativamos a estrutura de bastidores da operação.”

Em declarações publicadas pela Bloomberg, Katz destacou o alcance da apreensão. Enquanto isso, a promotoria continua tentando recuperar outros recursos. Os investigadores também analisam os dados obtidos durante a operação.

Anúncios em russo atraíam as vítimas

Eric Gonzalez, promotor distrital do Brooklyn, afirmou que o grupo explorava as vítimas em duas etapas. Primeiro, os criminosos ofereciam falsos investimentos em criptomoedas. Posteriormente, prometiam recuperar os valores perdidos por meio de novas ofertas fraudulentas. Assim, o mesmo grupo tentava enganar cada pessoa mais de uma vez.

“Esses criminosos roubaram muitos milhões de dólares de vítimas que falavam russo por meio de um elaborado esquema de investimento e, depois, tentaram explorá-las novamente com falsas promessas de recuperar seu dinheiro.”

Geralmente, as vítimas chegavam ao esquema por anúncios em russo publicados no Facebook. Em seguida, falsos consultores ligavam e ajudavam essas pessoas a abrir contas em plataformas de criptomoedas. Sob orientação dos golpistas, elas compravam ativos e transferiam os valores para endereços vinculados aos sites. Os supostos consultores também falavam russo, o que reforçava a aparência de legitimidade.

Após semanas ou meses, as vítimas tentavam sacar os recursos. Contudo, os operadores bloqueavam as contas ou exigiam o pagamento de taxas e impostos adicionais. Mais tarde, os golpistas voltavam a oferecer um falso serviço de recuperação dos ativos.

Caso envolvendo clientes da Coinbase

Em outro processo conduzido pela mesma unidade, Ronald Spektor recebeu pena de quatro a 12 anos de prisão. Ele roubou quase US$ 16 milhões de aproximadamente 100 usuários da Coinbase. O morador do Brooklyn, de 23 anos, fingia representar a corretora. Então, alertava os clientes sobre supostas ameaças de hackers e recomendava transferências para carteiras consideradas seguras.

Spektor declarou-se culpado, em 2 de setembro, pelas 31 acusações apresentadas na denúncia. Entre elas estavam lavagem de dinheiro em primeiro grau e furto qualificado. Em 23 de setembro, o juiz Danny Chun determinou quase US$ 16 milhões em restituição. Ademais, ordenou o confisco de dinheiro, criptomoedas e bens avaliados em mais de US$ 500 mil.

Investigadores rastrearam valores pela blockchain

Para identificar as transferências, os investigadores usaram registros de blockchain, evidências digitais e mandados de busca. Por sua vez, a Coinbase ajudou a localizar os clientes afetados e a rastrear os valores. A empresa ainda participou de uma operação realizada em Londres entre 6 e 9 de outubro. Essa frente investigou redes vinculadas à África Ocidental.

A ação reuniu a Força-Tarefa de Centros de Golpes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Agência Nacional do Crime do Reino Unido. Juntas, as equipes miraram contas, infraestrutura digital e sistemas de pagamento. Entre os esquemas estavam investimentos falsos e criminosos que se passavam por policiais. Havia ainda prisões encenadas durante videochamadas.

FBI indica canais oficiais para denúncias

Americanos relataram perdas de US$ 11,4 bilhões com fraudes em criptomoedas durante 2025. Esse resultado representou alta de 22% em relação ao ano anterior. Paralelamente, o FBI explicou que seu programa de restituição para vítimas da OneCoin utilizou mais de US$ 40 milhões em bens confiscados. A iniciativa atendia compradores de OneCoin que sofreram perdas financeiras diretas entre 2014 e 2019.

O envio de uma petição era gratuito, embora não garantisse o pagamento da restituição. Para essa investigação, o FBI indicou justice.gov e onecoinremission.com como os únicos endereços autorizados. Já as vítimas de fraudes de investimento em criptomoedas devem registrar denúncias no Centro de Reclamações de Crimes na Internet. Essa orientação ajuda as autoridades a reunir evidências e identificar esquemas relacionados.

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