Google Play pode remover Binance na Coreia do Sul

A Google anunciou novas regras que podem retirar apps de cripto da Google Play na Coreia do Sul a partir de 28 de janeiro. A medida pressiona exchanges como Binance e OKX, que ainda não possuem registro local como Operadores de Ativos Virtuais. A exigência inclui o envio de documentos comprovando aceitação formal pela Unidade de Inteligência Financeira da Coreia.

Além disso, a Google determinou que exchanges estrangeiras enviem o documento Report Receipt Complete no Developer Studio antes do prazo. No entanto, muitas dessas plataformas não possuem estrutura local, o que dificulta o cumprimento das normas. Segundo autoridades, apenas empresas com presença física no país conseguem atender todos os requisitos corporativos.

Regras mais rígidas elevam risco para exchanges estrangeiras

As normas sul-coreanas impõem obrigações adicionais, como certificação de segurança ISMS e adesão completa às regras contra lavagem de dinheiro. Assim, o processo se torna complexo para plataformas internacionais. A ausência de registro pode resultar na remoção dos apps, impedindo atualizações essenciais para segurança e funcionamento.

A intensificação das fiscalizações ocorre em um momento de maior rigor regulatório. O governo tem realizado inspeções presenciais para confirmar operações locais e verificar os acionistas das empresas. Portanto, o cenário atual cria dificuldades severas para que plataformas estrangeiras obtenham aprovação dentro do prazo.

A experiência recente mostra que o país mantém postura firme. Em abril de 2025, a FIU bloqueou 14 aplicativos de cripto na App Store da Apple, incluindo KuCoin e MEXC. Meses depois, a própria Google removeu outros 17 apps considerados irregulares. Esse histórico reforça a estratégia das autoridades de impedir operações de plataformas sem registro.

Penalidades reforçam urgência das empresas

Quem insistir em operar sem autorização pode enfrentar multas de até 50 milhões de won e até cinco anos de prisão. As exigências valem para serviços que ofereçam negociações com won sul-coreano ou campanhas direcionadas ao público do país. Assim, a pressão aumenta sobre exchanges internacionais.

A FIU mantém no próprio site a lista oficial de Operadores de Ativos Virtuais regularizados e orienta usuários a verificarem a situação das plataformas. Além disso, recomenda que realizem saques caso utilizem serviços não registrados.

O governo afirma que o rigor segue tendência global. Nos Estados Unidos, União Europeia e Japão, a Google também exige registro financeiro local. O Japão adotou exigência parecida em fevereiro de 2025, retirando apps de Bybit, Bitget, KuCoin, MEXC e Bitcastle.

Além disso, a Coreia do Sul trabalha em novos marcos para ativos digitais. A negociação de valores mobiliários tokenizados deve ganhar regulamentação ampla em 2027. Em janeiro, o país flexibilizou regras para investimentos corporativos em cripto, permitindo que empresas listadas aloquem até 5% do capital próprio em ativos negociados nas cinco exchanges licenciadas.

Também foram aprovados ETFs de Bitcoin à vista dentro da Estratégia de Crescimento Econômico de 2026. Assim, investidores sul-coreanos passam a contar com alternativas reguladas dentro do próprio mercado. No entanto, autoridades continuam aplicando sanções a operadores locais, como as recentes multas destinadas à Korbit e à Dunamu, responsável pela Upbit.

No curto prazo, as novas regras da Google ampliam o controle regulatório e dificultam o acesso a serviços internacionais de cripto. Portanto, usuários podem ficar dependentes de plataformas locais para cumprir as exigências legais.