Google: Wall Street vê alta de 26% antes do balanço

Dados reunidos pela plataforma TipRanks mostram que Wall Street segue otimista com a Alphabet (NASDAQ: GOOGL), controladora do Google, antes da divulgação de resultados marcada para 22 de julho. A média dos preços-alvo indica potencial de valorização superior a 26% em relação aos níveis recentes de mercado.

Nos últimos três meses, 34 analistas acompanharam a Alphabet e mantiveram consenso de compra forte. Desse total, 29 recomendam compra, enquanto cinco adotam posição de manutenção. Assim, o preço-alvo médio para os próximos 12 meses está em US$ 437,79, ante uma cotação recente em torno de US$ 346,77.

Gráfico de preço das ações do Google em 12 meses
Desempenho da ação do Google em 12 meses. Fonte: TipRanks.

Alphabet chega ao balanço com apoio dos analistas

O viés positivo reflete a expectativa de que a Alphabet entregue mais um trimestre robusto. Afinal, a tese de crescimento segue apoiada na expansão do Google Cloud e no avanço das oportunidades de receita ligadas à inteligência artificial. Nesse sentido, esses dois vetores devem permanecer no centro da estratégia da companhia ao longo de 2026.

As estimativas de consenso apontam receita de aproximadamente US$ 116,8 bilhões no segundo trimestre. O número representaria crescimento anual de cerca de 21%. Além disso, o lucro por ação é projetado em US$ 2,87. Dentro da estrutura operacional da empresa, o Google Cloud deve seguir entre os segmentos de crescimento mais acelerado, com previsão de avanço em torno de 63%.

Investidores também devem acompanhar atualizações sobre os modelos Gemini AI, as unidades de processamento tensorial personalizadas, conhecidas como TPUs, o ritmo de despesas de capital e a perspectiva da administração para o restante de 2026. Dessa forma, o balanço tende a mostrar com mais clareza a eficiência da monetização dos investimentos em IA.

Google Cloud, Gemini AI e capital no foco

Na prática, o mercado vai observar especialmente o desempenho do Google Cloud, a adoção de soluções de IA por clientes corporativos e a demanda por infraestrutura voltada à tecnologia. Por conseguinte, esses fatores serão relevantes para medir se o aumento de gastos da companhia está gerando aceleração de receita e melhora de rentabilidade.

Mesmo com a concorrência crescente em inteligência artificial, a posição consolidada da Alphabet em busca online, YouTube, Android e computação em nuvem continua sustentando a visão construtiva de longo prazo. Além disso, essa diversificação operacional ajuda a manter a confiança de parte expressiva dos analistas.

O que dizem BMO, Wedbush e UBS

Entre as avaliações mais recentes, Brian Pitz, analista da BMO Capital Markets, reiterou recomendação de compra para Alphabet e elevou seu preço-alvo de US$ 435 para US$ 455. Segundo ele, a revisão foi motivada por expectativas mais fortes para o Google Cloud, aumento de capacidade na nuvem e expansão da carteira de pedidos acumulados. Ademais, Pitz ressaltou a liderança contínua do Google em busca, embora tenha observado que parte da atenção dos investidores permanece voltada para relatos sobre atrasos relacionados ao Gemini Pro 3.5.

Já Ygal Arounian, da Wedbush, iniciou cobertura da ação com classificação equivalente a desempenho superior ao mercado e preço-alvo de US$ 445. Na avaliação da instituição, a Alphabet é a empresa de IA integrada de ponta a ponta mais bem posicionada entre os grandes grupos de internet e provedores de nuvem. Em outras palavras, Search, YouTube, Android, modelos Gemini AI, infraestrutura de nuvem e processadores proprietários formam um conjunto relevante de vantagens competitivas.

Por outro lado, o UBS manteve recomendação neutra com preço-alvo de US$ 410 após revisar sua modelagem para a receita do Google Cloud. O banco elevou suas projeções de faturamento da divisão para 2026 e 2027, citando conversão mais forte da carteira de pedidos e demanda crescente por serviços ligados à inteligência artificial. Ainda assim, reduziu estimativas de lucro para horizontes mais longos, refletindo margens mais baixas associadas à infraestrutura de IA e às vendas de chips.

Consenso segue em compra forte antes dos resultados

Com isso, o UBS adotou uma visão mais equilibrada, mesmo diante de expectativas mais altas para a receita. Ainda assim, a ação da Alphabet chega ao balanço de 22 de julho respaldada por consenso de compra forte entre 34 analistas, preço-alvo médio de US$ 437,79, projeção de receita trimestral de US$ 116,8 bilhões e lucro por ação estimado em US$ 2,87.

Por fim, a atenção do mercado permanece concentrada sobre Google Cloud, Gemini AI, TPUs, despesas de capital e a capacidade da Alphabet de transformar investimentos em IA em crescimento financeiro. Portanto, o resultado trimestral pode funcionar como catalisador para confirmar, ou moderar, a expectativa de valorização superior a 26% embutida nas projeções atuais de Wall Street.