Gravity Team lança mesa OTC para stablecoin

As transferências com stablecoin podem cruzar fronteiras em segundos. No entanto, a conversão em moeda local ainda limita a velocidade dos pagamentos.

Mārtiņš Beņķītis, cofundador e CEO da Gravity Team, avalia que esse processo depende do acesso à liquidez local. Diante desse cenário, a empresa lançou uma mesa OTC institucional para conectar stablecoins à liquidação fiduciária.

Pagamentos exigem diferentes fontes de liquidez

Negociação e conversão usam recursos de formas distintas

Beņķītis afirmou que a infraestrutura de stablecoins se tornou uma questão de liquidez. Isso ocorre porque os mesmos instrumentos exercem funções diferentes em negociações e pagamentos.

Os formadores de mercado usam stablecoins para cotar preços de compra e venda. Também movimentam recursos entre exchanges e respondem às mudanças na atividade de negociação.

Já as empresas de pagamentos usam esses instrumentos para financiar uma conversão. Depois, liberam o valor em moeda local para o destinatário.

“Um formador de mercado as utiliza para cotar ambos os lados dos livros de ordens e administrar o risco de inventário em dezenas de exchanges conectadas. Uma empresa de pagamentos as utiliza para financiar uma conversão e liberar a moeda local ao destinatário.”

O inventário destinado à negociação precisa permanecer disponível em vários ambientes. Em contrapartida, a empresa pode reutilizar um saldo voltado a pagamentos depois da liquidação.

Ainda assim, o operador precisa manter recursos locais suficientes para completar a outra ponta da transferência. Uma análise de corredores da Gravity Team estima uma imobilização equivalente a 20% a 40% do fluxo mensal. Bancos correspondentes mantêm esses recursos em contas pré-financiadas.

Conforme a empresa, stablecoins podem reduzir esse capital ocioso. Porém, o operador ainda precisa financiar operações locais e manter inventário suficiente para cotar a conversão.

Conversão local continua limitando os pagamentos

Liquidação on-chain não encerra toda a operação

Um pagamento com stablecoin envolve pelo menos duas etapas. Primeiro, a plataforma movimenta o valor pela blockchain. Em seguida, converte os recursos para a unidade fiduciária que o destinatário pode usar.

Beņķītis disse que a segunda fase se tornou uma nova área de competição entre provedores. Cada mercado cambial possui liquidez, horários bancários, controles regulatórios, limites e contrapartes próprios.

Atualmente, a Gravity Team suporta liquidações em peso filipino, rupia indonésia, peso mexicano e real brasileiro. A lista também inclui euro, libra esterlina e dólar americano. A companhia pretende adicionar o dong vietnamita.

Dados internos mostram que entre 3% e 7% das transferências bancárias tradicionais sofrem atraso ou devolução na primeira tentativa. A medição abrange corredores atendidos no Sudeste Asiático e na América Latina.

Em comparação, transferências com stablecoins nesses mercados alcançam liquidação on-chain em mais de 99,9% dos casos após o envio. Contudo, Beņķītis alertou que essa taxa não representa a conclusão de todo o pagamento.

“A conversão e o pagamento local ainda precisam ser concluídos depois que o token chega”, afirmou o executivo. Portanto, a chegada dos recursos à carteira representa apenas uma parte do processo.

Acesso bancário influencia o desempenho

Operadores com relações bancárias diretas controlam melhor o financiamento, os horários de corte e as transações malsucedidas. Por outro lado, modelos baseados em parceiros alcançam mais países, mas dependem da disponibilidade e dos limites de terceiros.

Assim, a avaliação comercial não considera apenas a velocidade da transferência digital. O ponto central é a frequência com que o pagamento completo chega pelo preço cotado e dentro do prazo prometido.

Stripe e Mastercard ampliam infraestrutura

Aquisições reforçam integração entre redes

Grandes empresas de pagamentos já investem na integração de stablecoins às suas redes. A Stripe concluiu a aquisição da Bridge em fevereiro de 2025.

A Bridge fornece infraestrutura para empresas receberem, armazenarem, converterem, emitirem e gastarem stablecoins. Enquanto isso, a Mastercard concluiu a aquisição da BVNK em 3 de agosto.

A rede de cartões havia concordado em pagar até US$ 1,8 bilhão pela tecnologia. A solução conecta sistemas fiduciários à infraestrutura de stablecoins. O valor incluía US$ 300 milhões em pagamentos contingentes.

Beņķītis classificou ambas as aquisições como passos lógicos. Entretanto, ele destacou que plataformas globais precisam manter preços e liquidações consistentes ao adicionar mercados com condições operacionais diferentes.

A Gravity Team estima custos de liquidação com stablecoins entre 0,1% e 0,4% do principal nos corredores estudados. Para bancos correspondentes, a projeção varia de 3% a 11%.

O segundo cálculo considera spreads cambiais, cobranças de intermediários e capital pré-financiado. Ainda assim, os custos reais variam conforme o corredor, o valor, as exigências regulatórias e os intermediários.

Uma nota do Federal Reserve, publicada em março de 2026, chegou a uma avaliação semelhante. O documento aponta que cadeias de bancos correspondentes tornam pagamentos internacionais mais lentos, caros e menos transparentes.

Mesa OTC oferece liquidação fiduciária T+0

Serviço atende instituições em mercados emergentes

A Gravity Team lançou sua mesa institucional de balcão em 24 de agosto. A empresa atua como contraparte principal dentro de limites acordados de volume, preço e volatilidade.

Os clientes recebem cotações com prazo de validade definido. Desse modo, não precisam executar grandes ordens nos livros públicos das exchanges.

A mesa oferece liquidação de stablecoins em menos de 60 segundos. Além disso, disponibiliza liquidação fiduciária T+0 em mais de 20 unidades nacionais, quando as condições bancárias locais permitem.

T+0 significa que a parcela fiduciária deve chegar no mesmo dia da transação. A companhia também informou que mantém relações bancárias diretas em mais de 20 mercados.

O serviço atende provedores de pagamentos, fintechs, corretoras e outras instituições que enviam recursos para economias emergentes. A estrutura oferece execução por solicitação de cotação e linhas de crédito, sujeitas aos termos de contraparte.

Mercados emergentes impulsionam a demanda

Os mercados emergentes registram alguns dos crescimentos mais rápidos na atividade com criptomoedas. A Chainalysis informou que o volume na Ásia-Pacífico cresceu 69% nos 12 meses até junho de 2025. O total alcançou US$ 2,36 trilhões.

No mesmo período, a atividade na América Latina avançou 63%. Para empresas americanas de pagamentos, as regras domésticas para emissores não garantem liquidez em pesos, reais, rúpias ou outras unidades locais.

A GENIUS Act criou uma estrutura federal para emissores de stablecoins de pagamento. Mesmo assim, a conclusão da transferência depende de financiamento local, conversão cambial, verificações regulatórias e uma rota funcional de pagamento.