Grayscale defende proteção legal para tokenização
A Grayscale avalia que a tokenização de ativos precisa de proteções legais mais sólidas, avaliações confiáveis e análises de crédito consistentes. Segundo Sebastian Pulido, diretor-gerente e chefe de gestão de ativos on-chain da empresa, transformar ativos em tokens não garante liquidez. Para o executivo, o avanço dos produtos financeiros baseados em blockchain dependerá da confiança dos investidores. Por isso, a estrutura jurídica e a qualidade das informações financeiras continuam centrais para o setor.
Liquidez e avaliações continuam essenciais
Pulido alertou que a conversão de ativos ilíquidos em tokens digitais não facilita automaticamente sua negociação. Dessa forma, a tokenização não elimina obstáculos relacionados à formação de preços e à circulação desses ativos. Mercados de empréstimos também precisam contar com avaliações confiáveis e processos claros de resgate. Nesse sentido, essas medidas podem reduzir riscos e ampliar a proteção aos investidores.
O executivo também afirmou que ações tokenizadas podem oferecer outra forma de exposição ao mercado. Nesse caso, os investidores poderiam acessar essa exposição sem assumir os custos de financiamento dos contratos futuros perpétuos. No entanto, os mercados tradicionais operam em horários diferentes das redes blockchain, que funcionam continuamente. Essa diferença cria desafios operacionais para a negociação e o uso desses instrumentos financeiros.
Ao mesmo tempo, ações tokenizadas podem servir como garantia em empréstimos e posições de futuros perpétuos. Contudo, a fragmentação da liquidez entre diferentes redes blockchain pode limitar uma adoção mais ampla. Assim, a utilidade desses instrumentos não depende apenas da emissão em uma infraestrutura on-chain. Ela também exige mercados que concentrem negociações e permitam operações eficientes.
Um grande agradecimento a Sebastian por dedicar tempo para compartilhar seu pensamento conosco e à equipe da Grayscale por ajudar a organizar isso. As dez respostas da entrevista e o PDF completo também estão no LinkedIn. Esta é a última publicação da Pendle.
Instituições podem ampliar o uso on-chain
Atualmente, as instituições preferem manter fundos tokenizados, em vez de utilizá-los em finanças descentralizadas. Entretanto, Pulido considera que esse comportamento pode mudar conforme essas organizações conheçam melhor os protocolos de blockchain. Portanto, a adoção institucional não depende somente da disponibilidade de fundos tokenizados. Ela também requer maior compreensão sobre o funcionamento e os riscos das infraestruturas on-chain.
Na visão do executivo, os mercados financeiros devem priorizar o uso efetivo dos tokens até 2030. Com isso, o setor deixaria de concentrar sua atenção apenas nas avaliações de mercado desses instrumentos. Posteriormente, até 2040, mais ativos poderão nascer diretamente em redes blockchain. Esse avanço mudaria a forma como instituições emitem, administram e utilizam produtos financeiros.
Paralelamente, o monitoramento transparente de crédito poderá substituir práticas tradicionais de divulgação de informações. Ainda assim, essa evolução dependerá de análises consistentes, avaliações confiáveis e regras jurídicas claras. A infraestrutura tecnológica, isoladamente, não resolve os problemas econômicos dos ativos subjacentes. Desse modo, proteção legal e qualidade das informações permanecem fundamentais para a expansão da tokenização.
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