Guerra dos tokens: Spencer Dinwiddie enfrenta NBA

Associação Nacional de Basquete considera tokenização uma quebra de contrato de jogador do Brooklyn Nets

O jogador Spencer Dinwiddie partiu para o confronto com seu empregador, a Associação Nacional de Basquete (NBA, na sigla em inglês), sobre uma oferta de tokens que estava programada para começar em 14 de outubro e foi adiada por uma semana.

A oferta de security tokens (STO) do armador do Brooklyn Nets para investidores credenciados foi planejada para arrecadar US$ 13,5 milhões com a tokenização de parte do contrato de três anos do atleta, cuja receita prometida é de US$ 34 milhões. A oferta permitirá que Dinwiddie ganhe dinheiro antecipadamente, ao solicitar fundos dos investidores. Em troca, eles receberão tokens “SD$ 8”, tendo como garantia reembolso de capital e juros de ganhos futuros. Para pagamento de juros, o atleta destinou, este ano, US$ 2,5 milhões de seu salário de US$ 16 milhões.

Entretanto, a NBA jogou um balde de água fria nos planos de Dinwiddie, alegando que ele estava proibido de tokenizar seu contrato com base nos termos do acordo assinado com a liga. O atleta declarou que estava disposto a discutir a oferta com a Associação, mas as deliberações, aparentemente, foram malsucedidas. Em uma série de tweets, o jogador disse estar “seguindo em frente”, com ou sem as bênçãos da NBA.

O principal ponto de discórdia está nos termos do contrato. A liga citou um trecho do documento assinado por Dinwiddie, dizendo que “nenhum jogador deve ceder ou transferir a terceiros o direito de receber uma compensação do contrato do time cuja camisa estiver vestindo”. Mas o atleta sustenta que a oferta não constitui uma “cessão”, porque não concede a seus fãs ou titulares de tokens os direitos sobre os Nets ou a NBA.

Segundo Hassan Ahmed, diretor de finanças e operações da plataforma de trading eToro, Dinwiddie não está fazendo nenhum tipo de cessão de direitos de propriedade intelectual da NBA. Ahmed explica que não se trata da receita do atleta, como se fosse um ativo, mas sim da renda que o jogador leva para casa. Ele pode gastar essa renda da maneira que desejar.

“Se ele quiser, pode comprar um conversível ou assinar um contrato com seus fãs, como uma transação independente entre duas partes, fora da alçada de seu empregador”, diz Ahmed.

Certamente, não é a primeira vez que indivíduos são convertidos em ativos, com promessa de renda futura. O astro pop David Bowie abriu o caminho para essas ofertas vendendo Bowie Bonds, que garantiram um percentual de seus futuros royalties para os investidores, em 1997. A NFL também tentou uma oferta pública inicial em 2015, com o running back Arian Foster, do Houston Texans, mas teve que desistir, em meio a prejuízos.

A tokenização de contratos, no entanto, vai além da mecânica de uma simples oferta. Se for executada com sucesso, terá um grande potencial para todos os envolvidos. Os jogadores podem liquidar parte de seu contrato por dinheiro, enquanto a liga se beneficia do envolvimento com um conjunto mais amplo de stakeholders.

Hassan Ahmed afirma que a oferta é única porque é um “ativo emocional” para os fãs da NBA, da mesma forma que cartões ou mercadorias de beisebol podem gerar receita adicional para franquias.

Sob esse ponto de vista, uma oferta bem-sucedida de Dinwiddie poderia abrir caminho para iniciativas semelhantes de outras personalidades dos setores de esportes e entretenimento. Percebendo o potencial desse mercado, o armador do Brooklyn Nets já lançou uma plataforma para profissionais dessas áreas.

Ahmed acrescenta que a experimentação de renda fracionada também pode ultrapassar personalidades e se estender a pessoas comuns. Por exemplo, recém-formados poderiam reduzir sua carga de empréstimos, criando ofertas para rendimentos futuros.

* Imagem da página oficial de Spencer Dinwiddie no Facebook
Fonte: Decrypt

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Foto de Simone Gondim O autor:

Jornalista, revisora e roteirista, apaixonada por tecnologia e especializada em conteúdo.

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