Hacker da Binance vende PROM de US$ 5 milhões por US$ 71
O invasor responsável pelo roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance sofreu novo revés ao tentar vender 908.793 PROM. Segundo dados divulgados pela Lookonchain, ele negociou os tokens na Uniswap V2. No entanto, a operação rendeu somente 0,0316 ETH, cerca de US$ 71 naquele momento. Os PROM tinham valor de mercado estimado em quase US$ 5 milhões.
Baixa liquidez derrubou o retorno da venda
Na Uniswap V2, pools de liquidez permitem negociações diretas entre diferentes ativos digitais. Quando uma ordem grande atinge um pool raso, ela provoca forte slippage e altera rapidamente o preço. Por isso, a baixa liquidez disponível não comportou a venda de 908.793 PROM. Nesse caso, o impacto sobre a cotação reduziu drasticamente o retorno da operação.
Os quase US$ 5 milhões representam o valor de mercado estimado dos tokens, não o montante realizável em uma única venda. Assim, o invasor não conseguiria necessariamente converter toda a posição por esse valor. A operação demonstra o custo de liquidar grandes quantidades em pools com pouca liquidez.
O hacker da Binance cometeu um erro de US$ 5 milhões ao despejar altcoins. Ele vendeu 908.793 PROM, avaliados em cerca de US$ 5 milhões, em um pool de liquidez quase vazio da Uniswap V2 e recebeu apenas 0,0316 ETH, equivalentes a US$ 71.
Lookonchain, no X
Operações anteriores causaram perdas milionárias
O episódio se soma a outros erros registrados durante as tentativas de converter os valores roubados. Em 30 de outubro, uma investigação da Bitquery estimou perdas de aproximadamente US$ 119 milhões durante a liquidação. Conforme o levantamento, compras de Ethereum acima do preço de mercado geraram perdas de US$ 71,5 milhões. Além disso, as negociações desfavoráveis aumentaram os custos da movimentação dos recursos.
O relatório calculou outros US$ 24,8 milhões em perdas com vendas abaixo do valor de mercado. Ao mesmo tempo, o atacante teria perdido US$ 22,4 milhões em compras desfavoráveis de TRON, ou TRX. Dessa forma, as operações ampliaram o prejuízo enquanto o invasor tentava movimentar os valores. A pressa para executar as conversões teria contribuído para as cotações desfavoráveis.
Conversões rápidas favoreceram operadores de arbitragem
A Bitquery identificou conversões de centenas de milhões de dólares em stablecoins roubadas para Ethereum e TRX. As negociações ocorreram em exchanges descentralizadas e outros serviços de troca. Em alguns casos, o invasor pagou prêmios elevados para concluir as operações. Na prática, o comportamento indica que ele priorizou velocidade em vez de preços mais favoráveis.
Por outro lado, as distorções de preço abriram oportunidades para operadores de arbitragem e bots automatizados. Esses participantes exploraram diferenças de cotação entre plataformas e pools de liquidez. O ataque retirou cerca de US$ 6,3 bilhões da Binance em 29 de outubro. Com isso, o caso tornou-se um dos maiores furtos já registrados no mercado de criptomoedas.
Ataque atingiu 17 carteiras em nove redes
Entre 20h04 e 23h56 UTC, o invasor drenou 17 carteiras quentes da exchange em nove redes blockchain. Ele explorou uma infraestrutura de saques comprometida para autorizar transferências não autorizadas. Em seguida, a investigação da Binance apontou uma possível origem para a exposição do sistema. Um notebook comprometido de um engenheiro de DevOps teria exposto um serviço interno de processamento de saques.
Enquanto isso, o Federal Bureau of Investigation, ou FBI, atribuiu o ataque ao TraderTraitor. O grupo de hackers teria patrocínio estatal da Coreia do Norte. Segundo a agência, os responsáveis converteram os valores roubados principalmente em Ethereum. Eles possivelmente recorreram a plataformas de finanças descentralizadas e serviços de troca instantânea para lavar os recursos.
Binance afirma ter protegido saldos dos clientes
A Binance prometeu cobrir os saldos afetados e cooperar com autoridades e parceiros do setor. Em uma atualização de 1º de novembro, a exchange afirmou ter recuperado ou coberto cerca de 95% dos valores roubados. Depois, a empresa anunciou a retomada gradual dos saques de Bitcoin, Ethereum, BNB, Solana, XRP e Dogecoin. Ainda assim, a recuperação operacional não significa que o invasor tenha devolvido os recursos.
Os 5% restantes incluem ativos menos líquidos, cuja reposição pode exigir mais tempo. No entanto, o compromisso assumido pela Binance protege os clientes contra perdas relacionadas ao ataque. A exchange também manteve a cooperação com autoridades e empresas do setor. Dessa maneira, a plataforma busca recuperar os valores restantes e normalizar os serviços afetados.
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