Hacker do Bitcoin deixa prisão antes após crédito legal

O caso envolvendo o hacker do Bitcoin Ilya Lichtenstein voltou ao centro das discussões após sua libertação antecipada do sistema federal dos Estados Unidos. Ele cumpriu cerca de 14 meses de uma sentença de cinco anos, fato que reacendeu debates sobre reformas prisionais e seus impactos em crimes digitais de grande porte.

Lichtenstein foi condenado em novembro de 2024 por conspiração de lavagem de dinheiro ligada ao desvio de aproximadamente 120.000 Bitcoin durante o ataque contra a Bitfinex em 2016. O episódio ganhou destaque mundial devido ao enorme volume movimentado e às técnicas avançadas usadas para ocultar a origem dos fundos.

A liberação antecipada e o First Step Act

A saída antecipada de Lichtenstein só foi possível graças ao First Step Act, legislação sancionada em 2018 pelo então presidente dos EUA, Donald Trump. A norma ampliou créditos por bom comportamento e por participação em programas do sistema penitenciário federal. Assim, ele acumulou pontos suficientes para transferência ao regime de confinamento domiciliar.

Nas redes sociais, Lichtenstein publicou uma mensagem agradecendo diretamente ao ex-presidente. Ele afirmou ainda que pretende construir uma nova carreira na área de cibersegurança, algo que chamou a atenção do público e reacendeu debates sobre reinserção social em crimes econômicos de grande impacto.

Graças à Lei do Primeiro Passo do Presidente Trump, fui libertado da prisão mais cedo. Continuo empenhado em causar um impacto positivo na área da cibersegurança assim que possível. Aos que me apoiam, muito obrigado por tudo. Aos que me criticam, espero provar que estão errados.

Ilya Lichtenstein @cipherstein no X

O roubo e os avanços da investigação

O ataque à Bitfinex resultou na subtração de quase 120.000 Bitcoin, avaliados em cerca de US$ 71 milhões na época. No entanto, a valorização do mercado elevou o valor total a cifras bilionárias nos anos seguintes. A magnitude do roubo colocou o caso entre os mais relevantes já registrados no setor de cripto.

As autoridades destacaram a sofisticação das técnicas usadas pelo casal acusado. As operações incluíam camadas sucessivas de transferências, uso de identidades falsas e múltiplos serviços para conversão de ativos. Além disso, grande parte dos fundos só foi recuperada após rastreamento de chaves privadas e análise de dados armazenados em contas controladas por Lichtenstein e Heather Morgan.

Bitcoin é negociado atualmente a US$ 91.256. Fonte: TradingView

Repercussão e impacto no setor de cripto

Segundo relatórios oficiais, Morgan também se declarou culpada e recebeu pena menor. Ela foi liberada antes do previsto, o que aumentou ainda mais o interesse público no caso. As investigações federais anunciaram a recuperação de mais de 90 por cento do Bitcoin roubado, incluindo a apreensão de bilhões em ativos agregados ao esquema.

A libertação antecipada de Lichtenstein, no entanto, levantou questionamentos entre especialistas. Muitos discutem se leis de reforma prisional deveriam ser aplicadas da mesma maneira em crimes envolvendo grandes quantias e danos globais. Além disso, o debate se intensificou devido ao crescimento do setor de ativos digitais, que exige novas diretrizes e maior transparência.

Portanto, o uso do First Step Act nesse contexto trouxe atenção renovada às lacunas e desafios das políticas federais. O caso segue como referência nos debates sobre punição, segurança e futuro regulatório do ecossistema de ativos digitais.