Hacker do vaso Bitfinex deixa a prisão antecipadamente

Ilya Lichtenstein, um dos envolvidos no ataque à Bitfinex que resultou no roubo de quase 120 mil Bitcoin, deixou a prisão antes do previsto graças ao First Step Act. A lei, sancionada no primeiro mandato de Donald Trump, permite a redução de penas para detentos que participam de programas produtivos e iniciativas de reabilitação. Em publicação no X, o hacker afirmou que deseja contribuir para a segurança digital e demonstrar que seus críticos estavam enganados.

A soltura reacendeu debates sobre benefícios concedidos a figuras do setor cripto, sobretudo após decisões recentes envolvendo clemência presidencial. Além disso, a liberação de Lichtenstein ampliou questionamentos sobre o impacto político dessas ações em casos financeiros de grande escala.

Origem do ataque e prisão do casal

Lichtenstein e sua esposa, Heather Morgan, foram presos em Nova York em 2022, quando as autoridades encontraram evidências que ligavam o patrimônio do casal ao histórico ataque à exchange. Morgan era conhecida publicamente como empreendedora e investidora, mas também participou da lavagem dos fundos desviados.

Ambos se declararam culpados por lavagem de dinheiro, enquanto Morgan também enfrentou acusação por conspiração de fraude. Documentos judiciais indicaram que o casal usou identidades falsas, transferências fracionadas e métodos avançados de ocultação digital. Assim, dificultaram a investigação do crime, considerado um dos maiores da história do mercado cripto.

Bitfinex Hack
Fonte: BBC

Acordos e cooperação com autoridades

A defesa de Morgan alegou que ela enfrentou condições severas durante a detenção pré-julgamento, como recuperação de cirurgia e infecção por COVID-19. No entanto, ela permaneceu em liberdade até o julgamento e recebeu pena de 18 meses, sendo liberada em outubro de 2024 após cumprir cerca de oito meses.

Além disso, ambos colaboraram com autoridades em outros casos ligados ao ecossistema cripto. Portanto, essa cooperação reduziu significativamente o tempo de prisão que poderiam enfrentar. A colaboração do casal pesou para que suas penas fossem muito menores que o esperado para crimes envolvendo bilhões em ativos digitais.

Após o encerramento do processo, Morgan afirmou no X que pretende contar sua versão dos acontecimentos e apresentar projetos criativos desenvolvidos nos últimos anos.

Decisões políticas e impacto no setor cripto

A liberação de Lichtenstein ocorre em meio a uma sequência de ações de clemência envolvendo grandes nomes do mercado cripto. Em março de 2025, Trump perdoou os cofundadores da BitMEX, Arthur Hayes, Benjamin Delo, Samuel Reed, e o funcionário Greg Dwyer, que haviam admitido violações ao Bank Secrecy Act.

Outro caso marcante envolveu Changpeng Zhao, fundador da Binance, que recebeu perdão presidencial em outubro de 2025 após assumir falhas no programa de prevenção à lavagem de dinheiro da gigante das exchanges. Assim, as decisões ampliaram críticas sobre a condução de casos financeiros de alta repercussão.

Trump também mostrou abertura para revisar o pedido de clemência de Keonne Rodriguez, CEO da Samourai, condenado a cinco anos por lavagem de dinheiro. No entanto, autoridades estaduais criticaram a postura, entre elas o governador da Califórnia, Gavin Newsom, que lançou um site para monitorar os beneficiados por decisões presidenciais recentes.

A plataforma cita Ross Ulbricht, fundador da Silk Road, condenado à prisão perpétua por facilitar vendas ilegais com Bitcoin. Portanto, o aumento no número de perdões ligados ao universo cripto reacende discussões sobre segurança pública, corrupção e influência dos ativos digitais nas decisões governamentais dos Estados Unidos.

Com a libertação antecipada de Lichtenstein, o caso volta a ganhar destaque em meio ao cenário político e regulatório. Assim, o histórico de colaboração e o contexto de decisões envolvendo figuras da cripto reforçam o impacto do tema nas discussões sobre justiça e governança no país.