Hormuz instável apesar de cessar-fogo e mercado cauteloso
Apesar do anúncio de cessar-fogo e da declaração do Irã de que o Estreito de Hormuz foi reaberto ao transporte comercial, o mercado global ainda demonstra desconfiança. A reação inicial foi imediata, com o petróleo Brent caindo 12% em uma única sessão. Ainda assim, o alívio durou pouco, já que novas restrições surgiram no mesmo dia.
Além disso, navios petroleiros que tentaram atravessar a região foram forçados a retornar, o que reforça a percepção de instabilidade. Dessa forma, apesar do discurso oficial, a normalização do fluxo marítimo segue distante, sobretudo em um ambiente de risco elevado e decisões políticas imprevisíveis.
Mercados de previsões indicam retomada gradual
Dados de mercados de previsões mostram que operadores permanecem cautelosos quanto ao futuro de Hormuz. Na plataforma Polymarket, a probabilidade de retorno à normalidade até o fim de abril é de apenas 32%. Em contrapartida, esse número sobe para cerca de 70% no final de maio e atinge 82% em junho.
Da mesma forma, a Kalshi aponta 67% de chance de normalização até 1º de junho, considerando uma média semanal de 60 embarcações. Ainda assim, o consenso indica uma reabertura gradual e sujeita a interrupções, e não um bloqueio permanente.
Além disso, declarações políticas têm impacto limitado nesse cenário. A afirmação de Donald Trump, sugerindo rápida reabertura, não alterou de forma relevante as expectativas. Assim, o mercado segue guiado por dados operacionais e riscos concretos.
Impacto nos ativos e no mercado global
Enquanto isso, o petróleo e ativos correlacionados permanecem sensíveis à região. Investidores monitoram não apenas o fluxo marítimo, mas também custos logísticos e riscos geopolíticos. Nesse contexto, ativos ligados ao setor energético e até o Bitcoin podem reagir indiretamente à instabilidade global.
Transporte marítimo opera sob risco elevado
Na prática, o transporte marítimo confirma o cenário de incerteza. A BIMCO, maior associação global do setor, orientou embarcações a evitarem a região devido à ameaça de minas não desativadas. Como resultado, o tráfego de petroleiros permanece abaixo de 5% dos níveis anteriores ao conflito.
Além disso, dados de rastreamento mostram navios iniciando travessias e retornando no meio do trajeto, evidenciando o alto risco operacional. Ao mesmo tempo, o Irã chegou a impor tarifas de cerca de US$ 1 por barril após o cessar-fogo, podendo atingir até US$ 2 milhões por navio.
Essas cobranças, aceitas em Bitcoin, yuan ou USDT, indicam tentativa de controle econômico da rota. Contudo, em 18 de abril, o país voltou a restringir totalmente a passagem, reforçando a volatilidade.
Custos logísticos pressionam o petróleo
Como consequência, os custos logísticos dispararam. As taxas de frete para grandes petroleiros chegaram a US$ 423.736 por dia, impulsionadas pelo redirecionamento de rotas pelo Mar Vermelho e ao redor da África.
Segundo o Goldman Sachs, o petróleo Brent pode permanecer acima de US$ 100 por barril durante boa parte do ano. Dessa forma, a instabilidade em Hormuz continua pressionando os preços globais de energia.
Apostas reforçam cenário de incerteza
Outras plataformas refletem esse ambiente cauteloso. No Myriad, há 63,5% de probabilidade de o Brent atingir US$ 120. Por outro lado, apenas 29% acreditam que o Irã permitirá transporte irrestrito ainda neste mês.
Ao mesmo tempo, cerca de 70,5% dos participantes esperam que Donald Trump anuncie o fim das operações militares antes de junho. Ainda assim, declarações recentes indicam que não há pressa para encerrar o conflito.
Em resumo, a combinação de dados de mercados de previsões, movimentação marítima e custos logísticos aponta para um cenário ainda instável. Assim, mesmo com cessar-fogo, Hormuz segue como um dos principais focos de risco para o mercado global de energia.