Hungria revoga validação extra para criptomoedas

A Hungria revogou a exigência de validação obrigatória para certas transações com criptomoedas após concluir que a regra contrariava a legislação da União Europeia e dificultava o funcionamento do mercado. Assim, o país elimina a necessidade de aprovação por terceiros em conversões específicas de ativos, mas mantém em vigor as obrigações do regulamento Markets in Crypto-Assets, conhecido como MiCA.

Parlamento retira camada nacional acima do MiCA

O Parlamento aprovou a revogação da obrigação de validação aplicada a prestadores de serviços de criptoativos e a transações específicas. Além disso, a medida elimina crimes correlatos ligados ao uso indevido de criptomoedas e à prestação não autorizada de serviços de câmbio. Ainda assim, as empresas seguem obrigadas a cumprir licenciamento, proteção ao cliente e conformidade regulatória sob o MiCA.

A regra do validador vigorava desde 1º de julho de 2025, após mudanças na legislação húngara sobre criptoativos. Pelo modelo anterior, validadores licenciados examinavam a origem dos ativos, a titularidade das carteiras, a identidade dos clientes e o histórico das transações. Em seguida, eles emitiam uma declaração de conformidade. Na prática, conversões sujeitas a esse processo não recebiam reconhecimento legal sem um certificado válido.

Autoridades do governo avaliaram que o procedimento excedia o padrão exigido na União Europeia e, por consequência, afetava negativamente a atividade local. A Hungria implementou esse sistema em paralelo ao MiCA. Além disso, reduziu o período de transição disponível para os prestadores de serviços. No bloco europeu, uma transição nacional mais longa havia sido permitida até 1º de julho de 2026.

Impacto regulatório reduziu previsibilidade para empresas

O desenho anterior gerou incerteza entre usuários, corretoras e companhias do setor. Como resultado, algumas empresas suspenderam operações, reduziram a oferta de produtos no país ou passaram a considerar a migração de atividades para outros mercados europeus. Nesse sentido, a sobreposição entre deveres de validação e de licenciamento enfraqueceu a negociação e elevou a complexidade operacional para o mercado de criptomoedas.

As disposições penais que acompanhavam esse arcabouço ampliaram a pressão regulatória. A legislação previa penas de prisão para negociação e serviços de câmbio de criptomoedas sem autorização. Além disso, as punições aumentavam conforme o valor das transações e podiam chegar a oito anos nos casos mais graves. Representantes da indústria argumentavam que esse modelo desestimulava a atuação dentro da legalidade e dificultava o planejamento de conformidade.

Novo governo busca alinhamento regulatório europeu

A reversão desse modelo começou após a eleição de abril de 2026, que alterou o comando do governo nacional. A nova administração passou a buscar maior alinhamento com o MiCA e, dessa forma, retirou os controles aplicados no nível de cada transação. O governo também anunciou a intenção de eliminar penas de prisão vinculadas a atividades que ficavam fora do antigo processo de validação.

Ao mesmo tempo, a mudança preserva a supervisão regulatória sobre empresas autorizadas. Portanto, a revogação não representa uma flexibilização ampla das exigências do setor. Trata-se da remoção de uma camada adicional que ficava acima do padrão europeu. Para operadores de criptomoedas, isso tende a criar um ambiente mais claro para prestação de serviços e processamento de transações elegíveis.

CoinCash recebe licença e prepara retomada gradual

Em meio à reestruturação regulatória, o National Bank of Hungary concedeu, em 20 de julho, autorização sob o MiCA à Tiwala Solutions, operadora da CoinCash. A licença abrange custódia, operações de câmbio, transferências, consultoria de investimentos e gestão de portfólio. Segundo a empresa, o processo de análise durou vários meses e exigiu ampla preparação em conformidade regulatória.

Com sede em Budapeste, a CoinCash havia suspendido voluntariamente seus serviços em dezembro de 2025 enquanto buscava a autorização. Essa pausa permitiu à companhia reestruturar suas operações conforme as exigências do MiCA e as expectativas da supervisão local. Após a aprovação, a empresa informou que pretende retomar seus produtos de forma gradual e acrescentar novos serviços regulados.

Na prática, a revogação remove uma etapa separada de aprovação que existia além das obrigações normais do MiCA. Com isso, a Hungria mantém licenciamento, proteção ao consumidor e conformidade, mas deixa de exigir o antigo certificado transacional. O novo desenho pode reabrir o mercado húngaro de criptomoedas sob uma estrutura mais previsível e alinhada ao padrão europeu.