HYPE renova máxima e short apaga lucro de US$ 42 mi

O token HYPE renovou sua máxima histórica enquanto uma posição vendida eliminou US$ 42,2 milhões em lucros acumulados por um trader no mercado de contratos perpétuos.

O trader identificado on-chain como loraclexyz levou quase 10 meses para acumular US$ 42,2 milhões em ganhos com contratos perpétuos. No entanto, em apenas 18 dias, uma posição short em HYPE apagou esse resultado e ainda gerou perda adicional de US$ 5,19 milhões, mostram dados da Lookonchain.

Ao mesmo tempo, o token nativo da Hyperliquid avançou até US$ 73,73 e marcou uma nova máxima histórica. Assim, a alta colocou a operação na direção oposta do mercado e transformou uma estratégia lucrativa em um revés relevante.

Alta do HYPE amplia pressão sobre posição short

A Lookonchain afirmou que loraclexyz abriu uma posição short de grande porte no mercado de perpétuos da Hyperliquid. Conforme o preço subiu com força, as perdas cresceram rapidamente. Além disso, a plataforma comparou o episódio com reveses de traders conhecidos, como James Wynn e Machi Big Brother.

Parte da comunidade, contudo, contestou essa leitura. Painéis on-chain indicam que o trader possui mais de US$ 107 milhões em ativos à vista, majoritariamente em HYPE. Dessa forma, a posição vendida pode ter funcionado como proteção de exposição, e não apenas como aposta direcional contra o ativo.

Mesmo após reduzir boa parte da operação, loraclexyz ainda mantinha uma posição short equivalente a 843.232 tokens HYPE, com valor nocional aproximado de US$ 61,4 milhões.

Naquele momento, dados do CoinGecko mostravam o HYPE cotado a US$ 72,32. Além disso, o ativo acumulava alta de 5,74% em 24 horas e de 14,23% em sete dias. Com esse desempenho, passou a figurar entre as 10 maiores criptomoedas em valor de mercado.

Ativos à vista mudam a leitura da operação

A existência de uma carteira relevante em HYPE altera a interpretação do movimento. Afinal, um investidor com exposição elevada no mercado à vista pode abrir short em perpétuos para reduzir risco. Ainda assim, o tamanho da perda chamou atenção porque coincidiu com a aceleração da alta e com a quebra de máxima do token.

Esse contexto também mostra como movimentos extremos no mercado cripto podem penalizar posições alavancadas, sobretudo quando o ativo entra em descoberta de preço. Em outras palavras, mesmo uma estrutura de hedge pode sofrer forte pressão quando a tendência se intensifica em pouco tempo.

Receita da Hyperliquid fortalece a tese de alta

Em uma análise publicada no X, o analista 0xc06 afirmou que a valorização do HYPE ocorreu em claro descolamento do restante do mercado de criptomoedas. Segundo ele, enquanto o token avançou cerca de 24% em uma semana, o mercado mais amplo recuou aproximadamente 3% no mesmo intervalo. Portanto, na visão do analista, essa divergência dificilmente se explica apenas por sentimento.

Os números operacionais da Hyperliquid ajudam a sustentar essa leitura. O protocolo opera perto de US$ 1,3 bilhão em taxas anualizadas. Além disso, em 2025, seu primeiro ano completo em escala, a plataforma gerou aproximadamente US$ 822 milhões em receita efetiva.

As taxas diárias frequentemente superam US$ 1,3 milhão e, em sessões mais movimentadas, passam de US$ 1,6 milhão. Ademais, ao longo de 2025, a Hyperliquid registrou cerca de US$ 2,6 trilhões em volume negociado, quase o dobro do processado pela Coinbase no mesmo período, segundo a análise citada.

Volume e taxas colocam protocolo em destaque

Segundo o analista, esse nível de geração de taxas coloca a Hyperliquid acima de Ethereum, Solana e Tron individualmente em janelas comparáveis. Assim, um único aplicativo passou a registrar receita superior à de algumas blockchains de base com as quais divide espaço no ecossistema.

Esse desempenho ajuda a explicar por que o HYPE subiu enquanto boa parte do mercado cripto recuou. Afinal, investidores tendem a acompanhar métricas concretas de receita e atividade quando buscam ativos com fundamentos mais claros.

Recompras de HYPE reduzem oferta em circulação

Na visão de 0xc06, o principal motor mecânico da alta está no destino das taxas arrecadadas. O protocolo direciona 97% de todas as taxas para o chamado Assistance Fund. Em seguida, esse fundo compra HYPE no mercado aberto todos os dias, sem intervenção manual da equipe.

Segundo a análise, o programa já acumulou mais de US$ 1,3 bilhão em compras. Atualmente, o fundo detém cerca de 28,5 milhões de tokens HYPE. Pelos cálculos apresentados, esse ritmo de recompra remove perto de 14% da oferta circulante por ano.

Quando comparado ao valor de mercado, esse volume representaria cerca de 7% ao ano. Além disso, o analista descreveu essa intensidade como quatro a cinco vezes maior do que a observada em ativos como ETH ou BNB. Nesse sentido, a estrutura se aproxima de um programa corporativo de recompra de ações, mas opera on-chain e de forma contínua.

Desbloqueio de tokens entra no radar do mercado

Por outro lado, o modelo também apresenta um risco evidente. Como as recompras dependem diretamente do volume negociado, uma queda relevante na atividade dos usuários reduziria a arrecadação de taxas. Consequentemente, o ritmo de compras diminuiria e enfraqueceria a dinâmica que hoje sustenta o preço.

Além disso, um desbloqueio previsto para 6 de junho, cobrindo cerca de 9,9 milhões de HYPE, adiciona nova oferta ao mercado. Ainda assim, o Assistance Fund segue como comprador recorrente, o que mantém o equilíbrio entre pressão vendedora e demanda no centro das atenções.

Como resultado, a nova máxima histórica do HYPE coincidiu com a deterioração acelerada da posição short de loraclexyz. A operação apagou US$ 42,2 milhões em lucros e gerou mais US$ 5,19 milhões em perdas. Ao mesmo tempo, a Hyperliquid operava perto de US$ 1,3 bilhão em taxas anualizadas e mantinha um programa automático de recompras que, segundo a análise citada, retira perto de 14% da oferta circulante ao ano.