Hyperliquid: Edwards vê 5 rotas sob pressão dos EUA
A Hyperliquid enfrenta um ambiente regulatório mais duro nos Estados Unidos e no Reino Unido. Ao mesmo tempo, sua plataforma descentralizada de contratos perpétuos ganha relevância no mercado cripto. A avaliação partiu de Derek Edwards, sócio-gerente da Collab+Currency e cofundador da Glitch Marfa, que afirmou no X que o projeto enxerga cinco caminhos possíveis diante do aperto regulatório sobre derivativos de criptomoedas nos EUA.
Segundo Edwards, a Hyperliquid oferece um produto de alto nível. No entanto, sua entrada no mercado americano esbarra em três camadas centrais: produto, rede e token, além da garantia usada nas operações. Esse debate ganhou força depois que a Commodity Futures Trading Commission aprovou o contrato BTCPERP da Kalshi. Além disso, a agência abriu espaço para que certos perpétuos ligados à Coinbase e à Deribit recebam tratamento de futuros estrangeiros.
Esse ponto importa porque o principal produto da Hyperliquid atua exatamente no segmento que reguladores americanos tentam trazer para uma estrutura doméstica supervisionada. De acordo com Edwards, a distribuição regulada de contratos perpétuos nos EUA pode exigir uma plataforma integralmente regulada. Também pode exigir fluxo compatível para fundos de clientes, escopo de produto aprovado, monitoramento, divulgações formais e contrapartes corporativas claramente identificáveis.
Assim, sem essa infraestrutura, autoridades podem interpretar a oferta de liquidez da Hyperliquid a clientes americanos como direcionamento de usuários para uma plataforma offshore não aprovada. Ao mesmo tempo, esse risco amplia a pressão sobre a rede, o token HYPE e o modelo operacional do protocolo.
As cinco rotas avaliadas por Edwards
Mercado offshore, operação regulada e descentralização
O primeiro caminho seria ignorar o mercado dos EUA e permanecer offshore. Segundo Edwards, essa opção preservaria a experiência atual do produto. Ainda assim, ela limitaria o acesso ao capital institucional americano. Ele comparou esse cenário ao caso da corretora principal da Binance, que mais tarde precisou endurecer o bloqueio a usuários dos Estados Unidos após anos de restrições mais brandas.
Em segundo lugar, a Hyperliquid poderia criar uma estrutura regulada específica para o mercado americano. Nesse modelo, a operação offshore continuaria focada em usuários globais nativos do mercado cripto. Enquanto isso, uma afiliada ou parceira separada ofereceria contratos perpétuos em formato compatível com as regras locais. Edwards chamou essa hipótese de “Hyperliquid US”. Em princípio, esse seria o resultado mais atraente para alcançar usuários americanos.
Contudo, esse arranjo exigiria uma separação relevante entre fundos de clientes, escopo do produto e captura de valor do token HYPE em relação à rede principal. Além disso, Edwards alertou para o risco de enquadramento nas leis de valores mobiliários. Se a receita de uma entidade corporativa regulada financiasse recompras, queimas de tokens ou mecanismos de fundo de assistência, o modelo poderia parecer uma participação econômica dos detentores do token nos lucros de uma empresa operacional.
Por isso, Edwards afirmou que essa rota provavelmente demandaria uma reescrita importante do funcionamento da rede da Hyperliquid. Em outras palavras, a presença nos EUA poderia exigir mudanças profundas na arquitetura econômica do protocolo e no papel do HYPE como ativo do ecossistema.
O terceiro caminho passaria pela descentralização dentro da estrutura prevista pela CLARITY Act. Segundo Edwards, o projeto de lei oferece uma rota relevante para protocolos avançarem em um processo de descentralização progressiva. O objetivo seria fazer com que rede e token deixem de ficar sob controle coordenado. Assim, o token poderia migrar de um possível enquadramento como valor mobiliário para uma classificação de commodity digital.
CLARITY Act não elimina todos os riscos
Custos operacionais e separação entre token e derivativos
No caso da Hyperliquid, porém, essa alternativa teria custos operacionais significativos. O projeto talvez precisasse ampliar o número de validadores, descentralizar listagens, oráculos e controles de risco. Além disso, teria de reduzir a discricionariedade em emergências, diluir a concentração de propriedade controlada e tornar atualizações mais dependentes de governança.
Assim sendo, a mudança seria ampla para uma plataforma cujo apelo de mercado também depende da capacidade de um time central altamente competente tomar decisões rápidas.
Edwards destacou que a descentralização, por si só, não resolveria tudo. Segundo ele, a estrutura prevista na CLARITY Act não funciona como atalho para exigências ligadas a mercados e compensação de derivativos. Em outras palavras, mesmo que a rede da Hyperliquid venha a atender aos critérios de governança descentralizada da lei, isso não significaria autorização automática para oferecer contratos perpétuos diretamente a usuários dos EUA.
Para o especialista, a classificação do token e o acesso ao mercado de derivativos são problemas distintos. Portanto, o protocolo pode avançar em um eixo regulatório, mas continuar travado em outro. Essa separação ajuda a explicar por que a tese de descentralização não encerra o debate sobre o HYPE.
O quarto cenário seria mais alinhado à conformidade regulatória, mas também mais danoso à tese atual da rede. Nesse caso, a Hyperliquid centralizaria a companhia, reestruturaria o HYPE como valor mobiliário e deslocaria a captura de valor para ações, licenciamento ou receitas de entidades reguladas. Edwards classificou essa alternativa como provavelmente a mais fraca do ponto de vista da teoria dos jogos. Afinal, ela romperia com a ideia de que a atividade do protocolo e sua economia se alinham em torno do HYPE como commodity digital.
O quinto caminho seria o lobby regulatório. Edwards apontou que o trabalho de política pública em torno da Hyperliquid mostra que a indústria pode tentar defender um marco regulatório sob medida para plataformas nativas de contratos perpétuos em criptomoedas. Ainda assim, ele ressaltou que uma postura mais flexível da Commodity Futures Trading Commission não resolveria automaticamente a classificação do HYPE sob a CLARITY Act.
Pressão cresce nos EUA e no Reino Unido
CME, Intercontinental Exchange, Financial Conduct Authority e Coinbase
A pressão regulatória não fica apenas no campo teórico. O CME Group e a Intercontinental Exchange já pediram às autoridades americanas que examinem a Hyperliquid por riscos de manipulação de mercado e evasão de sanções. Ao mesmo tempo, no Reino Unido, a Financial Conduct Authority alertou em maio que a plataforma pode estar fornecendo ou promovendo serviços financeiros sem autorização.
Além disso, o movimento da Coinbase para se tornar a implementadora oficial da tesouraria de USDC na Hyperliquid aprofunda a conexão do protocolo com infraestrutura regulada nos EUA na camada de garantias. Dessa forma, a relação com agentes regulados cresce justamente quando o escrutínio aumenta sobre a operação da rede.
“A Hyperliquid agora parece ter cinco rotas possíveis diante do aperto regulatório sobre derivativos de criptomoedas nos Estados Unidos.”
Derek Edwards no X
Naquele momento, o token HYPE era negociado a US$ 61,628. Ainda assim, o preço elevado não elimina os riscos regulatórios em discussão. Pelo contrário, a valorização do ativo pode ampliar a atenção sobre o protocolo e sua estrutura de mercado.

Fonte: TradingView
Em suma, a Hyperliquid reúne cinco rotas possíveis: seguir offshore, criar uma estrutura regulada nos EUA, ampliar a descentralização, reconfigurar sua estrutura corporativa ou intensificar o lobby político. Entretanto, qualquer escolha tende a impor custos relevantes ao protocolo, ao token HYPE e à sua proposta original de valor.