Hyperliquid lidera fluxos após alívio no Reino Unido
O Banco da Inglaterra retirou o limite de 20 mil libras por carteira para stablecoins sistêmicas, definiu uma barreira inicial de 40 bilhões de libras para emissão e permitiu até 70% das reservas em títulos públicos britânicos de curto prazo. Ao mesmo tempo, dados de três meses mostram Hyperliquid e Base na liderança das entradas líquidas de capital, enquanto a rede principal do Ethereum registra saídas relevantes.
O Banco da Inglaterra revisou sua proposta para o mercado de stablecoins após receber retorno de empresas de ativos digitais, companhias de pagamentos e representantes do setor. Assim, a autoridade abandonou o limite anterior de 20 mil libras por carteira pessoal e adotou um modelo voltado à emissão de stablecoins classificadas como sistêmicas.
Pela nova proposta, cada stablecoin sistêmica começará com uma barreira inicial de emissão de 40 bilhões de libras. Além disso, os emissores poderão manter até 70% dos ativos de reserva em títulos de curto prazo do governo do Reino Unido. A mudança altera de forma relevante a estrutura regulatória desenhada inicialmente.
Ao mesmo tempo, os dados de fluxo líquido acumulado em três meses mostram uma rotação de capital no mercado cripto. Nesse sentido, Hyperliquid e Base lideraram as entradas, enquanto a rede principal do Ethereum concentrou as maiores saídas entre os ambientes analisados.
Banco da Inglaterra muda foco das regras para emissão
O documento de política e o rascunho das regras foram publicados em 22 de junho. De acordo com a instituição, a atualização responde a preocupações levantadas por participantes da indústria. Esses agentes classificaram o modelo anterior como difícil de implementar, principalmente nos limites por carteira e por ativo aplicados a usuários e empresas.
Com a revisão, o banco central informou que não pretende aplicar os antigos limites individuais de posse por stablecoin para pessoas físicas. Além disso, as empresas deixam de ficar sujeitas ao modelo anterior de restrição, que, segundo o setor, seria operacionalmente complexo em ambientes com múltiplas carteiras.
Em lugar disso, o foco passa a ser a emissão. Dessa forma, as stablecoins sistêmicas denominadas em libra esterlina estarão sujeitas a uma barreira inicial de 40 bilhões de libras, desde que recebam reconhecimento do HM Treasury. Ademais, o Banco da Inglaterra afirmou que o arcabouço cobrirá ativos de reserva, resgate, proteção de fundos, liquidez, padrões operacionais e resiliência na liquidação.
O prazo para envio de comentários sobre as regras propostas vai até 22 de setembro de 2026. Por conseguinte, a instituição espera finalizar seu Código de Prática antes do fim de 2026. O objetivo é preparar a entrada regulada dessas stablecoins no mercado britânico a partir de 2027.
As stablecoins usadas principalmente para negociação de criptomoedas continuarão sob supervisão da Financial Conduct Authority. Enquanto isso, o Banco da Inglaterra ficará responsável pelo tratamento das versões sistêmicas dentro desse novo desenho regulatório.
A conta Whale Factor afirmou no X que o Banco da Inglaterra reconheceu que as regras anteriores eram excessivamente rígidas. A publicação também destacou o fim do limite de 20 mil libras para carteiras pessoais e a adoção de uma nova barreira de emissão para 2027.
Consulta pública avança até setembro de 2026
A mudança sinaliza um ajuste regulatório importante no Reino Unido. Afinal, o banco central trocou um mecanismo de controle direto sobre usuários por uma abordagem concentrada no risco sistêmico da emissão. Ainda assim, o desenho preserva exigências robustas para reservas, liquidez e resgate, o que mostra cautela diante do crescimento desse mercado.
Em termos práticos, a retirada do limite por carteira reduz atritos operacionais para consumidores e empresas. Por outro lado, a barreira de 40 bilhões de libras cria um marco inicial claro para stablecoins com potencial de relevância sistêmica. Desse modo, o Reino Unido tenta equilibrar inovação em pagamentos digitais e estabilidade financeira.
Hyperliquid e Base lideram entradas, enquanto Ethereum perde fluxo
Fora do campo regulatório, a movimentação de recursos entre redes também chamou atenção. Dados citados da Artemis indicam que os fluxos líquidos de três meses colocam Hyperliquid e Base como os principais destinos de capital no período. Em contrapartida, o Ethereum, em sua rede principal, aparece como a maior fonte de saídas de recursos.
A conta Hyperliquid Hub afirmou no X que Hyperliquid e Base dominam as entradas, enquanto o Ethereum perde mais capital. A mensagem atribui essa migração à busca por redes de menor custo e maior volume.
O movimento sugere continuidade da preferência por ambientes com execução mais barata e atividade de negociação mais intensa. A Base tem atraído usuários por meio de sua atividade de camada 2. Já a Hyperliquid vem captando liquidez ligada a traders e participantes mais ativos do mercado.
Mesmo assim, o Ethereum segue como peça central das finanças descentralizadas e da liquidação de stablecoins. No entanto, a atividade em sua rede principal enfrenta concorrência crescente de ambientes de execução mais novos. Por isso, parte dos usuários opta por redes mais rápidas e com taxas de transação menores.
Rotação de liquidez reforça disputa entre redes
Nesse contexto, a revisão das regras para stablecoins no Reino Unido ocorre ao mesmo tempo em que a liquidez onchain e as normas para pagamentos mudam em diferentes frentes do mercado de criptomoedas. De um lado, o país ajusta seu arcabouço para permitir a operação regulada dessas moedas digitais a partir de 2027. De outro, os fluxos de capital mostram que a escolha da rede segue decisiva para empresas e participantes do mercado.
Em suma, os pontos centrais permanecem claros. O Banco da Inglaterra retirou o limite de 20 mil libras por carteira, definiu uma barreira inicial de 40 bilhões de libras para stablecoins sistêmicas e permitiu até 70% das reservas em dívida pública britânica de curto prazo. Ao mesmo tempo, os dados de três meses indicaram entradas em Hyperliquid e Base e saídas relevantes na rede principal do Ethereum.