Hyperliquid pede à CFTC perpétuos de computação para IA
O Hyperliquid Policy Center pediu à CFTC que permita contratos futuros e perpétuos vinculados à computação para inteligência artificial nos Estados Unidos. A proposta abrange aluguéis de GPUs e custos de execução de modelos. A entidade apresentou a solicitação em uma carta enviada em 20 de outubro.
De acordo com o grupo, operadores de data centers, credores e desenvolvedores de IA precisam administrar riscos de preço. Por isso, a entidade solicitou que a agência avalie esses contratos sob as regras existentes. O CEO Jake Chervinsky e o consultor jurídico sênior Brad Bourque assinaram a resposta à consulta pública.
O centro de políticas se apresenta como uma organização independente de pesquisa e defesa. Conforme a carta, sua meta é ampliar o acesso regulado dos Estados Unidos aos mercados onchain, incluindo a Hyperliquid. Além disso, o documento argumenta que a capacidade computacional alugada se enquadra como commodity pela Lei de Bolsas de Mercadorias.
Hoje, o HPC enviou uma carta de comentários à CFTC para levar contratos perpétuos de computação aos mercados dos Estados Unidos. Data centers, seus credores e desenvolvedores de IA carregam risco de preço durante 24 horas, sem prazo final fixo.
Hyperliquid Policy Center, no X.
Proposta busca proteger custos contínuos de IA
A capacidade computacional cria uma exposição contínua aos preços, conforme o documento. Data centers recebem receitas de aluguel por hora. Ao mesmo tempo, plataformas de inferência pagam pela computação sempre que clientes usam um modelo de IA.
Na avaliação da entidade, uma hora de GPU existe apenas durante seu período de utilização. Assim, contratos perpétuos combinariam com receitas e despesas recorrentes, pois não possuem data de vencimento. Esses instrumentos usariam pagamentos periódicos de funding entre compradores e vendedores.
Com isso, o mecanismo ajudaria a manter o preço do contrato alinhado ao índice de referência. Um operador de data center poderia se proteger contra a queda da receita de aluguel. Por outro lado, uma plataforma de IA conseguiria reduzir sua exposição ao aumento dos gastos com computação.
Credores que financiam equipamentos também enfrentam esse risco. Afinal, receitas menores de aluguel podem enfraquecer o fluxo de caixa dos tomadores. Da mesma forma, a queda das receitas pode reduzir o valor das garantias usadas nos financiamentos.
Futuros atenderiam despesas com datas definidas
Para gastos programados, o Hyperliquid Policy Center prefere futuros com vencimento. Entre os exemplos estão treinamentos de IA previstos para determinado trimestre e compras antecipadas de capacidade. Já contratos mensais sucessivos poderiam formar uma curva futura de preços.
Na prática, essa curva ajudaria credores e investidores a avaliar acordos de financiamento. A proposta também recomenda índices concorrentes de preços, com suporte a futuros e perpétuos. Contudo, o documento apresenta apenas uma recomendação regulatória.
A carta não anuncia contratos de computação na Hyperliquid. Tampouco representa uma aprovação da CFTC. Em vez disso, a entidade propõe salvaguardas e supervisão para administrar os riscos desses mercados.
GPUs e inferência exigem referências distintas
A organização sugere contratos ligados ao aluguel de GPUs e ao custo de execução de modelos de IA. Contratos por hora de GPU acompanhariam os preços de equipamentos específicos. Em contrapartida, os instrumentos de inferência usariam um volume definido de tokens processados por modelos.
Tokens medem o texto processado e produzido por um modelo de inteligência artificial. Dessa maneira, a segunda categoria atenderia desenvolvedores e plataformas com contas baseadas no preço desses tokens. Uma proteção baseada apenas no hardware seria imperfeita, pois a inferência também depende da eficiência do modelo.
Com base na série histórica da Silicon Data, o documento estima aluguéis de Nvidia H100 entre US$ 2,50 e US$ 3,19 por hora. Essa faixa corresponde ao segundo semestre de 2024. No segundo semestre de 2025, os preços ficaram entre US$ 1,92 e US$ 2,00.
A carta ainda menciona uma pesquisa da Epoch AI sobre investimentos privados em infraestrutura de inteligência artificial. Conforme o estudo, data centers, hardware e equipamentos de rede receberam o equivalente a 0,8% do PIB americano. O dado considera o primeiro trimestre de 2026.
Apesar disso, grande parte do valor econômico circula por meio de acordos privados. Os preços de capacidade reservada e de compromissos plurianuais geralmente não ficam disponíveis ao público. Portanto, a falta de transparência representa um obstáculo para índices confiáveis.
Salvaguardas buscariam limitar manipulações
O documento identifica oferta concentrada, pouca visibilidade das transações e rápida substituição de hardware como desafios. Um índice baseado em poucas operações poderia sofrer manipulação. Diante disso, a proposta recomenda contribuidores independentes de preços, filtros para dados atípicos e limites de posição.
Para perpétuos, a entidade sugere tetos para taxas de funding ou cálculos distribuídos por períodos mais longos. A medida limitaria custos repentinos após lançamentos de modelos ou períodos de escassez de hardware. Por sua vez, novas gerações de chips exigiriam avisos antecipados e transições graduais nos índices.
As proteções ao cliente também incluiriam limites de alavancagem e de interesse em aberto. As plataformas deveriam divulgar os custos de funding em dólares para diferentes períodos. Adicionalmente, precisariam explicar os limites de liquidação e a discricionariedade de operadores e administradores de índices.
Consulta da CFTC amplia debate sobre derivativos
Em 19 de agosto, a CFTC anunciou a consulta sobre derivativos de computação. A agência pediu comentários sobre liquidez no mercado à vista, manipulação, proteção ao cliente e futuros perpétuos. Na ocasião, o presidente Michael Selig relacionou esses instrumentos às ambições americanas em inteligência artificial.
Os Estados Unidos não podem vencer a corrida da IA sem um mercado robusto de derivativos para computação.
A carta relata que NYMEX e ICE Futures U.S. propuseram futuros de computação com liquidação financeira. Entretanto, nenhum contrato havia começado a ser negociado quando o documento foi escrito. O grupo também citou mercados de eventos e ofertas perpétuas de uma plataforma licenciada nas Bermudas.
Em agosto, a organização já havia solicitado uma via regulada para perpétuos de energia ligados ao WTI, Brent e gás natural Henry Hub. Posteriormente, pediu que SEC e CFTC tratassem perpétuos de ações como futuros de valores mobiliários. Ainda apresentou cinco recomendações à SEC sobre Regulation Crypto Assets, incluindo airdrops, negociação secundária e recompras automáticas de tokens.
Agora, o debate sobre contratos perpétuos alcança a infraestrutura usada pela inteligência artificial. A proposta coloca preços de GPUs, inferência e capacidade de data centers no centro da discussão regulatória americana. A decisão dependerá da análise da CFTC.
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