IA agêntica vem para transformar o universo do trabalho
Novo relatório global do Top Employers Institute mapeia como sistemas de múltiplos agentes de IA redefinem funções, responsabilidades e governança nas organizações e destaca o RH como peça-chave nessa transição
A inteligência artificial, utilizada inicialmente como ferramenta de suporte a tarefas individuais, escala uma nova fase para coordenar processos inteiros dentro das empresas. Com sistemas multiagentes, capazes de executar fluxos completos de trabalho com mínima intervenção humana, a IA está no centro de uma mudança estrutural no desenho organizacional das corporações. É o que mostra o relatório global Designing work for the age of agentic AI produzido pelo Top Employers Institute (TEI), empresa líder em certificação, benchmarking e consultoria. A partir de dados exclusivos e insights de 2.358 empresas certificadas como Top Employers em todo o mundo, o documento identifica diversas implicações nesta nova etapa da IA. Uma delas é o diferencial competitivo que empresas compromissadas com a governança ética podem alcançar no mercado. Também destaca, entre outros pontos, a atuação ainda mais estratégica da área de Recursos Humanos, a escassez de talentos em contraste com a elevação substancial de salários para profissionais com competências em inteligência artificial e os riscos que envolvem todo o processo de transformação, especialmente no que diz respeito à proliferação de fraudes em escala global.
Em contraste com as versões anteriores de inteligência artificial, a IA agêntica tem capacidade semelhante à humana de trabalhar em equipe e realizar tarefas complexas. Coordenação de fluxos de trabalho, atendimento de consultas de clientes, gerenciamento de cadeia de suprimentos são apenas algumas atribuições que o sistema está apto a executar. De acordo com o relatório Designing work for the age of agentic AI, essas mudanças são vistas com bons olhos por especialistas, pois proporcionam tomadas mais rápidas de decisão, redução de custos de coordenação entre equipes e operações com menos transferências de responsabilidade e atrasos. “Além disso, dá oportunidade a novas formas de contribuição humana, com mais valor na orientação, validação e configuração de como os sistemas inteligentes operam”, afirma Raphael Henrique, gerente regional para a América Latina do Top Employers Institute.
O relatório do Top Employers Institute se destaca também por apresentar o conceito de Orquestrador de IA, um novo perfil de profissional capaz de usar sistemas agênticos para operar com o alcance antes reservado a equipes inteiras. Nesse modelo, o valor deixa de ser medido pelo volume de tarefas executadas e passa a ser determinado pela capacidade de coordenar sistemas, aplicar julgamento e gerar resultados em múltiplas funções simultaneamente.
Levantamento da Salesforce realizado com profissionais de RH indica que no primeiro semestre de 2025 apenas 15% das empresas havia iniciado a implementação da IA agêntica. No segundo semestre, pesquisa da McKinsey apontou que cerca de 40% das organizações já experimentavam ou implantavam elementos da tecnologia. Dados mais recentes do Top Employers Institute em toda a Europa sugerem que o impulso ganha tração, com metade das organizações já adotando a IA agêntica.
Informações baseadas nas empresas Top Employers certificadas em 2026 indicam que 61% das organizações têm um processo formalizado de planejamento estratégico da força de trabalho que identifica as necessidades de pessoal e competências em longo prazo. Contrastando com o dado, somente 41% estão considerando múltiplos cenários futuros neste planejamento. Neste contexto, Raphael Henrique observa que os Top Employers com pontuação crescente de engajamento de funcionários têm 8% mais chances de possuir um planejamento estratégico de força de trabalho robusto e 9% mais oportunidades de utilizar o planejamento de cenários. “O planejamento da força de trabalho precisa evoluir de previsões estáticas para modelos adaptativos, considerando cenários que reflitam evolução”, afirma.
À medida que as empresas líderes entram na fase de adoção da IA agêntica, há o reconhecimento de que o processo exige reconfigurações para tornar o recurso mais autônomo e interconectado. Segundo o relatório TEI, as organizações com maior probabilidade de gerar valor nessa transição precisam atuar em três frentes estratégicas. “O primeiro pilar é construir confiança e clareza para as equipes que navegam fluxos de trabalho incorporados à IA agêntica, de forma que compreendam como as decisões são tomadas, onde reside a responsabilidade humana e por quais critérios o sucesso será avaliado”, destaca Raphael Henrique. O segundo ponto, de acordo com o executivo, diz respeito à compreensão de que a IA vai modernizar funções, recompensas e planejamento da força de trabalho. O terceiro pilar é construir bases éticas para a IA, não apenas como salvaguarda, mas como fonte ativa de vantagem competitiva. Empresas que já estabeleceram princípios e limites claros estão mais bem posicionadas para escalar sistemas agênticos com confiança e velocidade. “Aqui se destaca o papel de liderança do RH para que a IA agêntica fortaleça o desempenho sem comprometer clareza, equidade e a conexão humana.”
Em 2024, o Top Employers Institute disponibilizou orientações sobre a construção de uma Estrutura de IA Ética. O que se constatou em apenas 18 meses foi a aceleração de práticas éticas responsáveis de inteligência artificial entre mais de 2.400 empresas certificadas. Em 2025, 42% dos Top Employers relataram ter estruturas éticas formais de IA em vigor. Em 2026, o número subiu para 62%. No mesmo período, as práticas responsáveis de implementação de IA passaram de 48% para 68%.
O relatório TEI revela que Top Employers com uma estrutura ética de IA já estão à frente na preparação para a próxima fase da inovação em IA. Entre os Top Employers que já possuem uma Estrutura Ética de IA, o engajamento dos funcionários em temas de ética para RH chega a 46%, ante 25% nas demais organizações. A avaliação de impacto da colaboração humano-IA está presente em 51% (vs. 23%), e as iniciativas de preparação para mudanças e resiliência atingem 76% (vs. 59%). Os dados evidenciam que a ética em IA não é apenas um compromisso de governança. É um fator de desempenho organizacional.
Especialistas com conhecimento em inteligência artificial são escassos no mercado. O domínio de competências e experiência em IA já representa aumento salarial de até 56%, aponta o relatório TEI. Se por um lado os profissionais comemoram, por outro o RH se vê diante de desafios amplos. Isso porque a maioria de estruturas de cargos, planos de carreira e de salários se baseia em conceitos tradicionais de mão de obra especializada. Para que não se corra o risco de desalinhar remuneração, desempenho e progressão, reformulações acompanhadas de clareza por parte das lideranças são necessárias.
Na escalada da IA agêntica, o relatório Designing work for the age of agentic AI também considera fatores que representam uma lacuna sobre a visão de funcionários de líderes. Enquanto 96% dos líderes continuam confiantes de que novas tecnologias vão impulsionar o desempenho dos funcionários, quase metade dos trabalhadores não entende como alcançar esses ganhos. Há ainda relatos de que a inteligência artificial pode diminuir a produtividade e aumentar a carga de trabalho, com resultados de baixa qualidade gerados pela IA, representando um desperdício estimado de US$ 9 milhões por ano em uma empresa média de 10 mil funcionários, segundo pesquisa da BetterUp.
De acordo com a consultoria Gartner, os ganhos de produtividade decorrentes da adoção inicial da inteligência artificial têm sido limitados, com menos de 40% das organizações relatando benefícios concretos. O retorno dos investimentos em IA, conforme o relatório TEI, também é motivo de queixa entre os executivos, que esperavam tê-lo entre 7 e 12 meses. Porém, o ROI (Retorno sobre o Investimento) médio tem levado de 2 a 4 anos.
Outro ponto sensível revelado pelo relatório associa as mudanças trazidas pela IA e os riscos para as organizações. Há temores de que a inteligência artificial gere pressão psicológica e medo silencioso dentro das empresas, desencadeando esgotamento dos funcionários, preocupação com a estabilidade no emprego e uso não autorizado de agentes de IA pelas equipes para contornar barreiras financeiras, éticas e tecnológicas em busca de rapidez e eficiência na execução do trabalho, com sérios comprometimentos à reputação corporativa.
Enquanto a IA evolui de ferramenta de apoio para sistema de agentes autônomos, os riscos também estão mudando. De erros isolados, podem passar à vulnerabilidade sistêmica. No processo de operação de fluxos de trabalho e interação com equipes humanas, o ambiente torna-se propício a ataques à segurança cibernética e principalmente a fraudes. De acordo com a empresa de segurança cibernética norte-americana Pindrop, em 2025 as fraudes por inteligência artificial aumentaram 1.210% e acendem um alerta global.
A partir das tendências reveladas no relatório Designing work for the age of agentic AI, Raphael Henrique avalia que há grandes desafios para a plena implementação da inteligência artificial agêntica. “Na era da IA agêntica, o RH assume um papel ainda mais estratégico: não apenas adotar a tecnologia, mas desenhar como ela se integra ao trabalho humano com clareza, equidade e responsabilidade. O verdadeiro desafio nunca foi a adoção; é o design”, conclui.
Sobre o Top Employers Institute
O Top Employers Institute é a autoridade global no reconhecimento da excelência em práticas de gestão de pessoas. Ajudamos a acelerar essas práticas para enriquecer o mundo do trabalho. Por meio do Programa Top Employers, as empresas participantes podem ser certificadas e reconhecidas como empregadoras de referência. A certificação é concedida às organizações com base na participação e nos resultados da Pesquisa de Melhores Práticas de RH, que abrange seis domínios de RH e consiste em 20 tópicos, como Estratégia de Pessoas, Ambiente de Trabalho, Recrutamento e Seleção, Aprendizagem, Diversidade e Inclusão e Bem-estar.
Em 2026, o Top Employers Institute certificou quase 2.500 organizações em 131 países/regiões. Esses empregadores certificados impactam positivamente a vida de mais de 14 milhões de funcionários em todo o mundo.
*Comunicado de imprensa