IA ganha espaço na criação e na disputa de games Web3
A inteligência artificial avançou mais uma etapa no universo dos games Web3 nesta semana. Surpreendentemente, dois projetos lançados em setembro mostram caminhos diferentes para integrar a tecnologia aos jogos.
De um lado, a Animoca Brands e a Amazon Web Services (AWS) criaram uma competição de futebol em que agentes de IA assumem o controle dos jogadores. Do outro, a Sky Mavis lançou um desafio que incentiva a comunidade a usar ferramentas de programação por IA para criar novos jogos com elementos do ecossistema Axie.
As iniciativas têm propostas diferentes, mas compartilham uma mesma aposta: ampliar o papel da inteligência artificial no desenvolvimento e na experiência dos games.
Agentes de IA entram em campo na competição da AWS
A plataforma de inteligência artificial Minds, da Animoca Brands, uniu-se à Amazon Web Services para lançar a Agentic Football Cup – Virtual League.
A competição gratuita funciona diretamente no navegador e, além disso, não exige conhecimento de programação. Os participantes precisam montar uma equipe formada por cinco agentes de IA: um goleiro e quatro jogadores de linha. Além de escolher os integrantes, o treinador define como cada agente deve atuar. Portanto, para isso, fornece um manual com instruções sobre sua função e comportamento dentro de campo.
Um zagueiro, por exemplo, pode receber orientações para manter a defesa compacta e marcar o atacante central. Entretanto, um meio-campista pode ser instruído a procurar passes para frente e retornar rapidamente para ajudar na defesa. Os atacantes, por certo, podem receber estratégias específicas, como pressionar a saída de bola adversária e finalizar rapidamente.
Essas instruções são colocadas à prova durante partidas de treinamento. Assim, os participantes podem observar o comportamento dos agentes e ajustar os manuais antes dos confrontos oficiais. Durante as partidas, também é possível enviar mensagens à beira do campo. Nesse sentindo, o treinador pode pedir que os jogadores pressionem mais para frente ou permaneçam próximos à lateral. Essas mensagens, porém, não funcionam como comandos diretos. Elas são incorporadas ao contexto recebido pelos agentes, que podem decidir se a instrução faz sentido de acordo com a situação da partida.
Cada agente precisa decidir rapidamente
O funcionamento da competição depende de uma simulação capaz de fornecer informações constantes aos jogadores controlados por IA. De tal sorte, a cada dois segundos, cada agente recebe o estado completo da partida. Entre os dados estão as posições e os movimentos da bola e dos jogadores, o nível de resistência física, o placar e o tempo restante.
Logo depois, o modelo tem um segundo para escolher uma ação estruturada. As opções incluem movimentar-se, passar, chutar, driblar, pressionar, marcar, interceptar e desarmar. Se a resposta demorar demais ou apresentar uma instrução inválida, o jogador fica inativo naquele ciclo.
A plataforma Minds também adiciona um componente de acompanhamento. Cada participante recebe um Assistente Técnico Mind, um agente de IA persistente capaz de memorizar informações da equipe e da temporada. Assim sendo, o assistente também responde a dúvidas sobre a competição, analisa os resumos das partidas e sugere alterações nas instruções dos jogadores. Dessa forma, a proposta não se limita a colocar agentes autônomos dentro de uma partida. O sistema também utiliza IA para acompanhar o treinador durante a competição.
12 mil equipes disputarão a liga
A Agentic Football Cup terá até 12 mil equipes, divididas em seis ligas. A partir de 11 de setembro, cada equipe disputará dez partidas automatizadas por fim de semana. A competição terá duração de sete semanas. Ao final, os seis campeões das ligas e quatro vencedores de wildcards serão convidados para a etapa presencial. Os dez classificados receberão passagens aéreas, hospedagem e US$ 500 para participar da final durante o evento AWS re, em Las Vegas, entre 30 de novembro e 4 de dezembro de 2026.
Na decisão, os participantes disputarão US$ 50 mil em prêmios. O primeiro colocado receberá US$ 30 mil, enquanto o segundo e o terceiro ficarão com US$ 15 mil e US$ 5 mil, respectivamente.
Sky Mavis desafia comunidade a criar jogos com IA
Enquanto a competição da Animoca Brands coloca agentes de IA para controlar jogadores, a Sky Mavis está explorando outro uso da tecnologia.
A empresa anunciou o Axie Vibeathon, uma competição online que convida participantes a criar jogos jogáveis de Axie usando ferramentas de programação baseadas em inteligência artificial. As inscrições começaram em 1º de setembro e seguem até o dia 7. A proposta é aberta à comunidade e parte da ideia de que ferramentas de IA podem facilitar a transformação de conceitos escritos em jogos funcionais. O principal requisito é que os projetos sejam jogáveis e tenham como foco o chamado Axie Core.
Para ajudar os participantes, a Sky Mavis disponibilizou um Kit de Recursos para Construtores. O material reúne recursos artísticos de Axie, guias para o motor gráfico, instruções para configuração da API e um Kit de Batalha Origins baseado em Axie Origins. O pacote também inclui uma versão beta do Three.js Axie Mixer, voltado para trabalhos em 3D.
Os protótipos precisam funcionar em navegador, ser hospedados pelo próprio participante e disponibilizados por meio de um link. Nesta primeira etapa, o uso de arte de Axie, NFTs, dados on-chain ou da API é opcional.
Concurso terá duas fases
O Vibeathon será dividido em duas etapas. A primeira acontece de 8 a 21 de setembro. Nela, os participantes deverão apresentar um protótipo jogável, explicar a visão para a versão final e justificar a utilização do Axie Core. Até oito finalistas serão selecionados e anunciados em 29 de setembro.
A segunda fase começa em 4 de outubro e termina no dia 31. Os finalistas deverão desenvolver o ciclo completo dos jogos e implementar as integrações aprovadas no ecossistema. É nessa etapa que os recursos de Axie e os hooks de blockchain deverão ser incorporados aos projetos, seguindo aprovação da Sky Mavis.
As demonstrações finais e o anúncio dos vencedores estão previstos para 5 de novembro. O prêmio total chega a 20 mil bAXS, a versão bloqueada do token AXS, equivalente a aproximadamente US$ 18 mil pelos preços de mercado mencionados no anúncio. O valor será distribuído entre vencedores, finalistas e protótipos de destaque. Além disso, haverá um bônus de 500 bAXS para projetos considerados promissores.
Duas formas de aplicar inteligência artificial
As duas iniciativas mostram como a inteligência artificial começa a ocupar posições diferentes dentro dos games Web3.
Na Agentic Football Cup, a tecnologia assume o papel dos próprios jogadores e toma decisões durante as partidas. No Axie Vibeathon, ela aparece como ferramenta para acelerar e facilitar a criação de novos jogos.
Apesar das diferenças, os projetos apontam para uma mudança importante no setor. A IA deixa de ser apenas um recurso complementar e passa a participar diretamente tanto da dinâmica dos jogos quanto do processo de desenvolvimento.
Em suma, para os games Web3, essa combinação abre espaço para experiências em que agentes autônomos participam das partidas e, dessa forma,comunidades podem transformar ideias em protótipos com menos barreiras técnicas.