IA impulsiona cortes em empresas de cripto
O setor de criptomoedas enfrenta uma nova rodada de demissões em 2026, desta vez com a IA no centro das decisões estratégicas. Diferentemente do período entre 2022 e 2023, marcado por colapsos como o da FTX, os cortes atuais sinalizam uma reestruturação operacional. Além disso, empresas buscam maior eficiência diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador.
IA redefine estruturas no mercado cripto
No início de 2026, várias companhias ampliaram investimentos em inteligência artificial e, ao mesmo tempo, reduziram equipes. Nesse contexto, a Crypto.com anunciou em 19 de março a demissão de cerca de 12% de sua força de trabalho global, equivalente a aproximadamente 180 funcionários. Segundo o CEO Kris Marszalek, a medida acompanha a integração de ferramentas que aumentam escala e produtividade.
“Estamos nos juntando à lista de empresas que estão integrando IA em toda a organização. Empresas que não fizerem essa mudança rapidamente podem perder competitividade. Já aquelas que combinarem as melhores ferramentas com talentos de alto desempenho tendem a alcançar um novo nível de eficiência.”
Além disso, a exchange Gemini, fundada pelos irmãos Winklevoss, também reduziu seu quadro de funcionários ao longo do ano. Os cortes acumulados podem chegar a cerca de 30%, segundo a Bloomberg. A empresa também tem direcionado recursos para iniciativas com IA e operações focadas nos Estados Unidos, em meio a pressões financeiras recentes.
Outras empresas seguem o movimento
Por outro lado, a Messari também passou por mudanças internas e prioriza produtos baseados em IA voltados ao público institucional. Da mesma forma, a Block, empresa de Jack Dorsey, realizou cortes relevantes de pessoal recentemente, em um movimento associado a ganhos de eficiência operacional, embora os números exatos variem conforme relatos do mercado.
Enquanto isso, a Fundação Algorand reduziu cerca de 25% do quadro de funcionários, citando incertezas macroeconômicas. Já a OP Labs, responsável pelo desenvolvimento do protocolo Optimism na rede Ethereum, cortou aproximadamente 20% da equipe para concentrar esforços no núcleo do projeto.
Pressão macroeconômica ainda pesa
Dados do CoinMarketCap indicam que o valor total do mercado cripto gira em torno de US$ 2,3 trilhões, com variações recentes que refletem volatilidade no curto prazo. Nos últimos meses, o setor enfrentou menor liquidez e condições macroeconômicas mais restritivas.
Além disso, o mercado segue distante do pico histórico próximo de US$ 4 trilhões, o que reforça a leitura de ajuste estrutural. Ainda assim, sinais recentes apontam para uma recuperação gradual no sentimento dos investidores.
O Índice de Medo e Ganância marca 29 pontos, indicando medo, mas já acima de níveis considerados extremos. Dessa forma, o indicador sugere uma leve melhora na percepção de risco.
Transformação operacional em curso
Com o avanço da IA, o setor de criptomoedas passa por uma mudança estrutural relevante. Nesse sentido, empresas operam com equipes mais enxutas e foco em produtividade. Ao mesmo tempo, a adaptação tecnológica se torna um fator decisivo para manter competitividade.
Em síntese, o cenário combina pressão econômica com inovação acelerada. Assim, o mercado cripto segue em transição, equilibrando eficiência operacional e possíveis sinais de recuperação.