Ibovespa cai 0,17% na semana antes do segundo turno eleitoral
O Ibovespa encerrou a semana de 19 a 23 de outubro de 2026 com queda de 0,17%, aos 205.082,56 pontos. O mercado atravessou os últimos pregões antes do segundo turno presidencial sob influência das pesquisas eleitorais, das incertezas fiscais e das oscilações no exterior. Na sexta-feira (23), porém, o índice avançou 0,47%, apoiado pelo alívio na prévia da inflação e pela valorização do petróleo. Ainda assim, a recuperação diária não foi suficiente para reverter a perda acumulada nos cinco pregões.
A sessão de sexta-feira concentrou fatores relevantes para os investidores. De um lado, a desaceleração do IPCA-15 favoreceu o ambiente para os juros futuros; de outro, a alta do petróleo refletiu as tensões geopolíticas no Oriente Médio. Além disso, os agentes financeiros ajustaram posições antes da votação presidencial de domingo (25), em um cenário de disputa apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Inflação abaixo das expectativas alivia os juros
O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da expectativa de mercado, de 0,43%, e desacelerou em relação à alta de 0,70% registrada em setembro. No acumulado de 12 meses, o indicador avançou 4,62%, também abaixo da projeção de 4,73% citada nas fontes de mercado.
A composição do índice, contudo, mostrou comportamentos diferentes entre os grupos de preços. Alimentação e bebidas registrou a maior alta, de 0,88%, enquanto habitação recuou 0,10%. Nesse último grupo, a energia elétrica residencial caiu 0,89%, contribuindo para conter o resultado geral.
Com a inflação abaixo das expectativas, os investidores encontraram algum alívio na perspectiva para a política monetária. Uma leitura mais moderada dos preços pode reduzir parte da pressão sobre os juros futuros, embora um único indicador não determine os próximos passos do Banco Central. Portanto, a reação depende também da trajetória dos próximos dados e das expectativas para a inflação.
O resultado ajudou a sustentar o Ibovespa na sexta-feira, mas não eliminou as preocupações que marcaram a semana. A combinação entre incerteza eleitoral, juros elevados e fatores externos manteve os investidores cautelosos. Assim, o avanço do último pregão teve caráter de recuperação pontual, sem alterar o saldo negativo do período.
Disputa eleitoral mantém investidores cautelosos
A proximidade do segundo turno presidencial foi um dos principais fatores de atenção do mercado. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) mostrou Flávio Bolsonaro e Lula empatados, com 50% dos votos válidos para cada candidato. Considerando os votos totais, Flávio aparecia com 47%, contra 46% de Lula, enquanto brancos, nulos e indecisos completavam o levantamento. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
A disputa apertada reforçou a incerteza sobre as decisões econômicas que podem orientar o próximo governo. Entre as preocupações dos agentes financeiros estão a condução das contas públicas, a trajetória da dívida e as medidas que poderão afetar o crescimento e a inflação. No entanto, pesquisas de intenção de voto retratam o momento da coleta e não permitem antecipar o resultado das urnas.
Na sexta-feira, investidores também acompanharam o debate entre os candidatos, previsto para a noite, e aguardaram novos levantamentos antes da votação de domingo. Nesse contexto, parte das movimentações refletiu ajustes de carteira e redução de exposição ao risco. A expectativa de volatilidade após o resultado eleitoral permaneceu no radar, independentemente de qual candidato vença.
O comportamento da Bolsa também precisa ser observado à luz do fluxo de capital estrangeiro. Segundo dados citados no mercado, outubro acumulava entrada líquida de R$ 20,157 bilhões até o dia 21. Esse movimento pode oferecer suporte aos ativos brasileiros, mas não elimina a influência das incertezas políticas e das condições financeiras internacionais.
Petróleo em alta favorece ações do setor
No mercado internacional, o petróleo ganhou força com a escalada das tensões no Oriente Médio. O Brent avançou cerca de 3,13% na sexta-feira, para US$ 116,72 por barril, alcançando o maior patamar desde abril, conforme os dados divulgados no fechamento. Os investidores monitoraram os riscos de novos confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã, além das tensões regionais que incluem os houthis e a Arábia Saudita.
A alta da commodity favoreceu as ações de empresas ligadas à produção de petróleo. A Petrobras subiu 1,47% nas ações preferenciais (PETR4) e 0,79% nas ordinárias (PETR3). A Prio avançou 1,61%, enquanto a PetroReconcavo registrou valorização de 4,58%. Esses movimentos ajudaram a sustentar o índice durante a sessão, embora o desempenho de cada companhia também dependa de fatores próprios.
Entre os destaques positivos do Ibovespa, a CSN liderou com alta de 12,41%. A Usiminas avançou 4,74%, seguida por Natura, com 4,50%, Cyrela, com 3,70%, e Cosan, com 3,59%. No caso da CSN, investidores acompanharam especulações sobre o plano de investimentos da companhia e o possível destino da unidade de cimentos, após quedas expressivas nos pregões anteriores.
Na ponta negativa, a Vibra Energia caiu 3,19%, seguida por WEG, com recuo de 2,89%. Telefônica Brasil e TIM também fecharam em baixa, enquanto Axia Energia perdeu 1,83%. O contraste entre os papéis mostra que a alta do petróleo não impulsionou todas as empresas de energia e que os movimentos setoriais permaneceram distintos.
Dólar recua e mercado externo segue no radar
O dólar à vista fechou a sexta-feira cotado a R$ 4,993, com queda de aproximadamente 0,92% no dia. Na semana, a moeda acumulou baixa de 1,58%, encerrando o período abaixo da marca de R$ 5. A cotação refletiu a dinâmica própria do mercado cambial, em meio aos ajustes de posições antes da eleição e à avaliação dos fatores domésticos e internacionais.
No exterior, o cenário foi menos favorável às ações de tecnologia em Wall Street. O S&P 500 recuou 0,52% na sexta-feira, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e os preços do petróleo avançaram. A combinação de juros, geopolítica e desempenho das bolsas internacionais continuou influenciando a percepção de risco dos investidores.
Ao final da semana, o Ibovespa acumulou queda de 0,17%, mesmo com a alta de sexta-feira. O IPCA-15 mais moderado e o avanço das petroleiras ajudaram na recuperação do último pregão, mas a disputa presidencial e o ambiente externo limitaram uma reação mais ampla. Com a votação marcada para domingo, o mercado encerrou a semana atento ao resultado eleitoral e aos possíveis efeitos sobre as expectativas econômicas.
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