Ibovespa cai 0,95% e fecha 2ª semana seguida no vermelho
O Ibovespa, o mais importante indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na principal bolsa de valores do Brasil, B3, encerrou a semana de 21 a 25 de setembro em queda de 0,95%, aos 183.476,86 pontos. O resultado marcou a segunda semana consecutiva de perdas, depois de quatro semanas seguidas de valorização. Ao longo dos pregões, inflação, juros globais, petróleo e cenário eleitoral alteraram o humor dos investidores.
A semana começou positiva, com altas de 0,74% na segunda-feira e de 0,46% na terça-feira. A partir de quarta-feira, porém, o índice passou a acumular perdas, pressionado pelo avanço dos juros globais e pela piora das expectativas sobre a inflação. Na sexta-feira, o Ibovespa recuou mais 0,27%, embora o setor bancário tenha ajudado a limitar a queda.
Abaixo está o gráfico com a trajetória diária do índice ao longo do período:

Inflação aumenta cautela com os juros
O principal dado doméstico da semana veio na sexta-feira, com a divulgação do IPCA-15 de setembro. A prévia da inflação oficial avançou 0,70%, após registrar deflação de 0,40% em agosto, segundo o IBGE. O resultado também ficou acima das expectativas do mercado e elevou a atenção para a trajetória dos preços.
A energia elétrica residencial foi um dos principais fatores por trás da aceleração. O fim do bônus de Itaipu contribuiu para a alta das contas de luz e exerceu forte impacto sobre o índice. Assim, embora parte da pressão tenha origem em um efeito específico, o resultado reacendeu as discussões sobre a persistência da inflação.
O dado também afetou as expectativas para a política monetária. O mercado passou a avaliar com mais cautela o espaço para novos cortes da Selic, depois da redução realizada pelo Copom na semana anterior. Portanto, a inflação voltou a ocupar posição central nas avaliações sobre os próximos passos dos juros brasileiros.
No exterior, o ambiente também ficou mais restritivo. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permaneceram elevados, com a Treasury de dez anos acima de 5% em parte do período. Esse movimento aumenta a atratividade relativa dos ativos americanos e pode reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes.
Petróleo e commodities pressionam o índice
As commodities também contribuíram para a perda de força do Ibovespa. O petróleo passou por forte volatilidade durante a semana, acompanhando as notícias sobre o conflito no Oriente Médio e as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. Na quinta-feira, o Brent chegou a superar US$ 108 por barril antes de reduzir parte dos ganhos.
A possibilidade de negociações para uma saída gradual do conflito e de reabertura do Estreito de Ormuz retirou parte do prêmio de risco incorporado aos preços. Ainda assim, o Brent terminou a quinta-feira em alta de 3,4%, a US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,7%, para US$ 94,61. No dia seguinte, entretanto, o petróleo perdeu força diante das novas informações sobre as tratativas diplomáticas.
Essa oscilação atingiu diretamente as ações da Petrobras, uma das empresas de maior peso no Ibovespa. Na quinta-feira, os papéis acompanharam parte da alta do petróleo, mas perderam força durante o pregão. Já na sexta-feira, a queda da commodity pressionou as ações da companhia e contribuiu para o recuo do índice.
O minério de ferro também permaneceu no radar. A Vale sofreu com a pressão sobre os preços da commodity, em meio às preocupações com a produção siderúrgica chinesa e a demanda por minério. Dessa forma, duas das principais empresas ligadas às commodities brasileiras deixaram de oferecer o suporte observado em períodos anteriores.
Na sexta-feira, 57 das 76 ações que compõem o Ibovespa terminaram o pregão em queda. No entanto, os bancos apresentaram desempenho positivo e ajudaram a amortecer a pressão sobre o índice. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander ficaram entre os papéis que contribuíram para limitar uma queda mais acentuada.
Eleições aumentam a volatilidade doméstica
O cenário eleitoral também permaneceu entre os fatores acompanhados pelos investidores. A proximidade do primeiro turno aumentou a sensibilidade dos mercados às novas pesquisas e às informações capazes de alterar as expectativas sobre a futura condução da política econômica. Além disso, notícias relacionadas ao caso Banco Master voltaram a colocar o ambiente político no centro das negociações.
A nova pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou uma disputa presidencial acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, os dois apareceram dentro da margem de erro informada pelo levantamento. Esse tipo de cenário pode ampliar a incerteza dos investidores sobre as políticas que poderão prevalecer a partir do próximo governo.
No mercado financeiro, essa incerteza se conecta principalmente às expectativas fiscais. Mudanças na percepção sobre gastos públicos, dívida e trajetória das contas do governo podem afetar os juros futuros e, consequentemente, a avaliação dos ativos brasileiros. Por isso, notícias políticas passaram a produzir movimentos mais fortes na curva de juros durante a semana.
O anúncio de medidas relacionadas às plataformas de apostas online também entrou no radar. A possibilidade de restrições ao setor alimentou expectativas sobre eventuais mudanças no destino da renda atualmente direcionada às bets. Nesse contexto, ações do varejo passaram a receber atenção diante da hipótese de parte desses recursos voltar ao consumo tradicional.
A combinação entre fatores externos e domésticos deixou o mercado mais volátil. Na quinta-feira, o Ibovespa caiu 0,99%, enquanto os juros futuros avançaram em diferentes vencimentos. Na sexta-feira, o índice recuou mais 0,27%, encerrando a semana aos 183.476,86 pontos.
Azzas 2154 se destaca enquanto bolsa perde força
Apesar do ambiente negativo, algumas ações destoaram do movimento predominante. A Azzas 2154 acumulou alta de 14,55% na semana, com avanço de 12,97% apenas na sexta-feira. A proximidade do prazo para o recebimento de propostas de fundos internacionais pela Farm Rio esteve entre os fatores associados ao desempenho do papel.
Na outra ponta, Vibra e Ultrapar registraram perdas expressivas no último pregão. As ações recuaram 4,96% e 5,77%, respectivamente, acompanhando a pressão sobre empresas ligadas aos setores de combustíveis e energia. O movimento reforçou a influência das commodities e das condições externas sobre diferentes segmentos da bolsa.
No câmbio, o dólar terminou a sexta-feira em R$ 5,19, com alta de 0,5% no dia. A moeda também refletiu a busca por proteção diante da perspectiva de juros americanos elevados por mais tempo. O Banco Central realizou uma operação de linha de US$ 1 bilhão para ampliar a oferta de dólares e a liquidez do mercado.
Assim, o Ibovespa terminou sua segunda semana consecutiva de queda, aos 183.476,86 pontos. A inflação acima do esperado, os juros americanos elevados, a volatilidade das commodities e as incertezas eleitorais formaram uma combinação de pressão sobre os ativos brasileiros. Para a próxima semana, esses mesmos fatores permanecem no radar e podem continuar influenciando o comportamento do índice.
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