Ibovespa cai 1,06% e encerra sequência de 4 semanas de alta

O Ibovespa , o mais importante indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na principal bolsa de valores do Brasil, B3,  encerrou a semana de 14 a 18 de setembro de 2026 com queda de 1,06%, aos 185.229 pontos. O resultado interrompeu uma sequência de quatro semanas consecutivas de valorização e refletiu uma combinação de fatores domésticos e externos. Entre eles, decisões de juros, cenário eleitoral, commodities e preocupações fiscais dividiram a atenção dos investidores.

A chamada Superquarta concentrou parte importante das atenções, com o Banco Central reduzindo a Selic para 13,75% ao ano e o Federal Reserve elevando os juros nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a pressão sobre minério de ferro e petróleo afetou ações de grande peso no índice. No cenário doméstico, novas pesquisas eleitorais também mantiveram a disputa presidencial no radar do mercado.

Abaixo está o gráfico com a trajetória diária do índice ao longo do período:

Juros mudam o equilíbrio entre Brasil e Estados Unidos

A decisão do Copom na quarta-feira marcou o quinto corte consecutivo da Selic em 2026. O Comitê reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, em uma decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado. No entanto, o Banco Central evitou antecipar o próximo passo e reforçou que as futuras decisões dependerão da evolução dos dados econômicos.

O comunicado também destacou a incerteza do ambiente internacional e a volatilidade dos preços de ativos e commodities. Além disso, os dados recentes apontaram moderação da atividade econômica, fator que passou a alimentar expectativas de continuidade do ciclo de cortes. Dessa forma, alguns agentes passaram a considerar a possibilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual ainda neste ano.

Nos Estados Unidos, entretanto, o movimento foi na direção oposta. O Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, na primeira alta desde 2023. A decisão aumentou a atenção dos investidores para o diferencial entre os juros brasileiros e americanos e seus possíveis efeitos sobre os fluxos internacionais de capital.

O contraste ganhou força no fim da semana, quando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir. A taxa da Treasury de dez anos retomou o patamar de 5%, enquanto o rendimento dos títulos de 30 anos chegou perto de 5,3%. Assim, o ambiente externo continuou pressionando ativos considerados mais arriscados, incluindo ações de mercados emergentes.

Commodities pressionam Vale e Petrobras

A queda das commodities também pesou sobre o Ibovespa durante a semana. Entre os destaques negativos esteve o minério de ferro, negociado próximo de US$ 95 por tonelada, em meio a sinais de pressão sobre a produção siderúrgica chinesa. A perspectiva de menor produção de aço na China aumenta a preocupação com a demanda pela matéria-prima brasileira e afeta diretamente empresas como a Vale.

As ações da Vale recuaram 1,5% no pregão de sexta-feira, acompanhadas por outras empresas do setor siderúrgico. O movimento ocorreu enquanto associações do setor na China defendiam redução da produção e dos estoques, em um contexto de dificuldades financeiras para parte das siderúrgicas. Portanto, o desempenho das mineradoras continuou sensível às perspectivas para a economia chinesa e para o mercado global de aço.

O petróleo também perdeu força no último pregão da semana, depois de uma sequência de altas provocada pelas tensões no Oriente Médio. A queda da commodity contribuiu para limitar o desempenho das ações da Petrobras, embora o petróleo ainda tenha permanecido em níveis elevados no mercado internacional. Assim, as empresas ligadas às commodities deixaram de oferecer o mesmo suporte observado em semanas anteriores.

No conjunto da carteira, 43 das 76 ações do Ibovespa registraram queda na semana. Na sexta-feira, 39 papéis recuaram, enquanto o índice terminou o pregão com baixa de 0,41%, aos 185.229,17 pontos. O movimento reforçou a mudança de humor em relação às semanas anteriores, quando o índice avançava apoiado por expectativas relacionadas ao cenário eleitoral e aos juros domésticos.

Eleições e risco fiscal entram no radar

O cenário eleitoral ganhou espaço entre os fatores acompanhados pelo mercado ao longo da semana. Pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em uma simulação de segundo turno. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, o resultado foi classificado como empate técnico.

A proximidade entre os percentuais mantém elevada a incerteza sobre o cenário político para os investidores. Nesse contexto, as expectativas sobre política fiscal, gastos públicos, dívida e condução econômica podem influenciar a precificação de ativos brasileiros. O economista Bruno Corano afirmou que uma disputa mais competitiva dificulta a avaliação sobre a futura política econômica e pode elevar o prêmio de risco dos ativos.

Outro ponto acompanhado pelo mercado foi o reajuste do Bolsa Família. O governo anunciou uma correção de 15,04%, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, com base na inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023. Segundo o governo, a medida busca recompor o poder de compra, enquanto estimativas oficiais apontam impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões anuais em 2027 e 2028.

O reajuste também entrou no debate sobre as contas públicas por ocorrer poucas semanas antes das eleições. O governo afirma que a atualização está prevista na legislação do programa e representa correção monetária, enquanto análises e críticas públicas questionaram seus efeitos fiscais e o momento da medida. Na sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes reconheceu a validade do decreto e considerou que o reajuste não afronta as regras eleitorais.

Dólar acompanha cautela externa

O mercado de câmbio também refletiu a mudança de percepção ao longo da semana. O dólar comercial fechou a sexta-feira em alta de 0,11%, a R$ 5,144, e acumulou avanço de 0,37% no período. O movimento ocorreu em meio à atenção dos investidores para os juros americanos e para as condições financeiras internacionais.

No mercado de juros doméstico, as taxas futuras apresentaram movimentos diferentes conforme o vencimento. O DI para janeiro de 2027 ficou em 13,555%, enquanto o contrato para janeiro de 2028 passou de 13,615% para 13,625%. Já os vencimentos mais longos recuaram levemente, com o DI de janeiro de 2029 em 13,83% e o de janeiro de 2031 em 14,035%.

Com isso, o Ibovespa terminou a semana aos 185.229 pontos, acumulando queda de 1,06%. O resultado encerrou a sequência de quatro semanas positivas e mostrou um mercado mais sensível ao comportamento dos juros globais, das commodities e das expectativas domésticas. Para os próximos pregões, esses fatores devem continuar dividindo espaço com os dados de atividade, inflação e as novas informações sobre a disputa eleitoral.

 

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