ICP: DFINITY revela DEX sem bridges e com IA

A DFINITY, organização por trás do Internet Computer Protocol, revelou os primeiros detalhes do MULTI/DEX, uma exchange descentralizada construída sobre a infraestrutura do ICP. A proposta, segundo Dominic Williams, fundador da DFINITY, deverá permitir depósitos e saques por redes nativas sem bridges e sem intermediários de terceiros.

Williams afirma que a aplicação reunirá funções centrais de finanças descentralizadas em uma única arquitetura. Entre elas estão livro de ofertas, interface de swap, liquidez unificada, operações com margem e integração nativa de inteligência artificial no backend.

O executivo apresentou o projeto no X. Na mensagem, ele questionou se a DFINITY deveria lançar a aplicação DeFi mais poderosa que o mundo já viu.

Olá, MULTI/DEX. A DFINITY deve lançar a aplicação DeFi mais poderosa que o mundo já viu?

O que há de interessante? Aqui estão alguns pontos, com o mais impressionante no fim: 1. Ele roda em um motor de nuvem do ICP, em breve disponível para todos, é 100% residente na rede e…

Dominic Williams no X

Projeto mira risco histórico das bridges no DeFi

Um dos pilares do MULTI/DEX é reduzir a dependência de bridges entre blockchains. Afinal, esse tipo de infraestrutura figura há anos entre os pontos mais sensíveis do setor DeFi, sobretudo em operações cross-chain.

Segundo Dominic Williams, os usuários poderão depositar tokens em suas contas a partir de redes externas. Da mesma forma, poderão retirar esses ativos sem recorrer ao modelo tradicional de ponte entre cadeias. Assim, a exchange funcionará na infraestrutura em nuvem do ICP e ficará residente na própria rede.

Além disso, Williams afirmou que o MULTI/DEX foi desenhado para resistir a adulterações. A plataforma combinará o modelo de livro de ofertas com uma interface clássica de swaps. Ao mesmo tempo, fará o roteamento de ordens por mercados subjacentes para pares arbitrários de ativos.

Outro ponto relevante envolve o trading com margem. Nesse sentido, a proposta prevê posições compradas e vendidas com alavancagem, algo ainda incomum entre exchanges descentralizadas totalmente on-chain.

Livro de ofertas, swaps e margem ampliam o escopo

Em primeiro lugar, o livro de ofertas busca atrair operadores que preferem maior precisão na execução. Além disso, a interface de swap tende a facilitar o uso por participantes que já operam em DEXs mais simples. Dessa maneira, a DFINITY tenta unir profundidade operacional e acessibilidade em uma mesma aplicação.

Ainda assim, o diferencial mais sensível está no desenho sem bridges. Como resultado, o ICP tenta enfrentar uma fragilidade histórica do DeFi sem abrir mão da proposta multichain. Isso pode ganhar relevância se o MULTI/DEX entregar a experiência prometida sem elevar a complexidade para o usuário final.

Liquidez unificada e seguro reforçam a proposta

Dominic Williams também destacou a arquitetura de formador automatizado de mercado, ou AMM, como um dos principais diferenciais do projeto. Em DEXs tradicionais, cada par costuma exigir sua própria pool de liquidez. No MULTI/DEX, porém, a proposta usa um cofre de liquidez unificado.

Segundo ele, esse AMM utilizará os outcalls do Internet Computer para buscar preços externos. Em seguida, fará a correspondência com atraso contra ordens limite do AMM. De acordo com Williams, essa estrutura tenta reduzir um problema recorrente em plataformas DeFi: a drenagem de liquidez por arbitradores.

Além disso, usuários poderão obter rendimento ao depositar recursos nesse cofre. O sistema também incluirá um pool de seguro para cobrir perdas geradas por chamadas de margem que não recuperem o capital. Esse fundo receberá 5% de todas as liquidações executadas na plataforma.

Por outro lado, a governança do protocolo ficará sob responsabilidade do Network Nervous System, o NNS, DAO do Internet Computer. Williams descreveu essa estrutura como a maior e mais sofisticada DAO do mundo, indicando que decisões relevantes deverão passar por esse mecanismo.

Estrutura tenta reduzir arbitragem e reforçar governança

Com efeito, a liquidez unificada pode aumentar a eficiência do capital dentro da plataforma. Ao mesmo tempo, ela busca diminuir a fragmentação típica de DEXs que dependem de várias pools isoladas. Em tese, isso favorece pares menos líquidos e melhora o roteamento de ordens.

Além do aspecto técnico, o pool de seguro adiciona uma camada de proteção para cenários de estresse. Embora o modelo ainda dependa de testes práticos, o direcionamento de 5% das liquidações para esse fundo mostra uma tentativa objetiva de absorver perdas extraordinárias.

IA no backend vira peça central do MULTI/DEX

O ponto que Dominic Williams classificou como mais importante envolve a integração de inteligência artificial diretamente na base operacional do sistema. Segundo ele, o backend do MULTI/DEX usará um novo framework da linguagem Motoko que incorpora IA dentro da própria aplicação.

Na prática, isso significa que a IA poderá acessar, navegar e consultar dados em tempo real na memória persistente da plataforma. Além disso, poderá criar e executar consultas dinamicamente, desde que respeite permissões definidas previamente.

Como exemplo, Williams afirmou que um trader poderá instruir a IA a rebalancear posições. A ferramenta também poderia ajustar exposição conforme riscos de mercado identificados por cobertura nas redes sociais. Por fim, aguardaria aprovação antes de executar qualquer ação.

Ademais, a DFINITY informou que pretende lançar um Internet Computer Connector MCP junto com a plataforma. Um vídeo de demonstração deve sair dentro de uma semana. Williams acrescentou que a própria DFINITY está em transição para o que chamou de organização agentic, substituindo softwares existentes por aplicações geradas por IA e executadas em motores de nuvem.

O que a DFINITY já divulgou sobre a nova DEX

Até agora, a DFINITY divulgou operação sobre a infraestrutura do ICP, depósitos e saques em cadeias nativas sem bridges, suporte a livro de ofertas e swaps, margem com alavancagem, cofre de liquidez unificado, pool de seguro com 5% das liquidações e uso de IA por meio do framework Motoko.

Por fim, a governança ficará nas mãos do NNS DAO, enquanto a empresa promete um vídeo de demonstração na próxima semana. Desse modo, o MULTI/DEX surge como uma das propostas mais ambiciosas do Internet Computer em 2026, especialmente por tentar combinar DeFi multichain, execução on-chain e automação com inteligência artificial.