IIF: mercados emergentes retomam fluxo global
Os mercados emergentes voltaram ao radar dos investidores globais após um período de aversão ao risco provocado pela escalada do conflito envolvendo o Irã. Dados do Institute of International Finance (IIF) indicam que a recuperação ganhou força em abril de 2026, cerca de dois meses após o choque inicial que pressionou esses ativos.
Em primeiro lugar, a intensificação do episódio geopolítico no fim de fevereiro desencadeou uma onda relevante de vendas. Fundos que haviam se destacado em 2025 sofreram saídas expressivas. Ainda assim, o movimento foi interpretado como uma correção temporária, e não como fuga estrutural. Dessa forma, parte dos investidores passou a enxergar o recuo como oportunidade de entrada.
Além disso, a retomada dos fluxos aponta para uma mudança de sentimento. Em outras palavras, o mercado deixou uma postura defensiva e adotou uma abordagem mais seletiva, porém construtiva. Nesse sentido, os mercados emergentes voltam a ocupar espaço estratégico nas carteiras globais.
Recuperação ganha força após choque inicial
Quedas abruptas marcaram início da crise
O impacto do conflito foi imediato. Fundos de mercados emergentes, que haviam registrado retornos entre 30% e 40% em 2025, passaram a acumular perdas relevantes em poucas semanas. Desde o início da crise, as quedas variaram entre -6% e -8,6%.
Como resultado, os ganhos obtidos no começo de 2026 foram praticamente eliminados. Janeiro e o início de fevereiro haviam sido positivos, mas o cenário se deteriorou rapidamente. Assim, o aumento da incerteza global levou investidores institucionais a reduzir exposição a ativos de maior risco.
Apesar disso, abril marcou uma inflexão relevante. Segundo o IIF, os fluxos voltaram ao campo positivo. Ao mesmo tempo, os preços dos ativos começaram a refletir essa melhora. Em vez de abandonar posições, muitos investidores optaram por recompor suas carteiras.
Fluxo de capital indica mudança de percepção
Com efeito, o retorno do capital sugere que a confiança estrutural nos emergentes permanece intacta. Pelo contrário, o movimento reforça a leitura de que eventos geopolíticos geram distorções temporárias de preço. Portanto, gestores aproveitaram o momento para ampliar exposição.
Por outro lado, a recuperação não foi homogênea. Alguns países e segmentos reagiram mais rapidamente. Ainda assim, o quadro geral indica uma normalização gradual do apetite por risco.
Fundamentos sustentam retomada dos emergentes
Dívida emergente mantém atratividade
A retomada também foi sustentada por fundamentos considerados sólidos. Eric Fine, da gestora VanEck, afirmou que o segmento de dívida de mercados emergentes manteve forte impulso estrutural, mesmo diante da turbulência geopolítica.
Além disso, esse fator ajudou a reatrair capital internacional. Afinal, investidores continuam em busca de retorno ajustado ao risco, e os emergentes ainda oferecem oportunidades relevantes. Dessa maneira, o fluxo positivo observado em abril não foi apenas técnico, mas também fundamentado.
Em contrapartida, a seletividade aumentou. Em vez de uma alocação ampla, os investidores passaram a priorizar economias com fundamentos macroeconômicos mais consistentes e maior estabilidade institucional.
China se destaca entre os mercados
Entre os destaques, fundos com exposição à China demonstraram maior resiliência. ETFs como o Amundi MSCI China ESG Selection Extra e o Invesco ChiNext 50 UCITS ETF mantiveram desempenho relativamente estável.
Assim sendo, esses produtos atravessaram o período de volatilidade com menor impacto. Esse comportamento reforça que, embora o apetite por risco tenha retornado, a alocação segue criteriosa.
Em outras palavras, investidores permanecem atentos a choques externos, mas priorizam ativos com maior capacidade de absorver eventos adversos.
Compra em quedas volta ao centro da estratégia
Investidores retomam abordagem tática
Os dados reforçam uma estratégia recorrente nesses mercados: comprar durante quedas provocadas por eventos geopolíticos. Historicamente, esse padrão se repete, e desta vez não foi diferente.
Com o intuito de capturar a recuperação, investidores que mantiveram posições entre o fim de fevereiro e março agora observam resultados mais favoráveis. Em contrapartida, aqueles que venderam em momentos de pânico consolidaram perdas e enfrentam maior dificuldade de reentrada.
Segundo o IIF, cerca de 62% dos principais fundos de 2025 caíram para o quartil inferior até maio de 2026, evidenciando a amplitude do choque inicial.
Volatilidade segue como fator de risco
Apesar da recuperação, os riscos permanecem elevados. Eventos geopolíticos continuam sendo uma variável crítica para os mercados emergentes. Portanto, o timing das decisões de investimento segue determinante.
Por conseguinte, gestores adotam estratégias mais dinâmicas, com ajustes frequentes de portfólio e maior diversificação. Ainda que o cenário tenha melhorado, a volatilidade segue presente.
Em conclusão, os dados do IIF indicam uma mudança clara de sentimento. Após perdas entre -6% e -8,6% e uma deterioração que atingiu 62% dos fundos, o retorno dos fluxos em abril sinaliza recuperação consistente, sustentada por fundamentos e oportunidades estratégicas.