Impacto da computação quântica no Bitcoin
A CoinShares afirma que os riscos quânticos envolvendo o Bitcoin estão sendo amplificados sem necessidade, já que não existe ameaça concreta ou imediata à rede. Segundo a empresa, a discussão é relevante para o futuro, mas não representa um perigo atual para a segurança do ativo.
O debate surgiu porque especialistas avaliam se computadores quânticos poderiam quebrar mecanismos de proteção usados pelo Bitcoin. No entanto, a CoinShares explica que a tecnologia disponível está muito distante disso, e que a comunidade já trata o tema como um desafio de longo prazo. Além disso, não há sinais de ruptura repentina causada por máquinas quânticas.
Riscos quânticos e a segurança do Bitcoin no longo prazo
A proteção do Bitcoin utiliza assinaturas baseadas em curvas elípticas e funções de hash que blindam endereços e mineradores. A CoinShares destaca que algoritmos quânticos influenciam esses elementos de formas distintas, mas nenhum deles representa uma ameaça prática hoje.
O algoritmo de Shor poderia, no futuro, expor chaves privadas quando as chaves públicas já estão visíveis. Já o algoritmo de Grover reduziria a força do SHA-256 pela metade, mas ainda assim não tornaria o processo vulnerável a ataques de força bruta. Além disso, nenhum avanço quântico seria capaz de alterar o limite de 21 milhões de unidades, modificar o proof-of-work ou reescrever blocos antigos.
No campo da mineração, mesmo que um computador quântico conseguisse minerar blocos com mais velocidade, o ajuste automático de dificuldade da rede equilibraria essa vantagem rapidamente. Portanto, a operação continuaria estável.
Quanto do Bitcoin está realmente exposto
A CoinShares destaca que a exposição real envolve apenas endereços antigos do tipo P2PK, nos quais a chave pública já está registrada na blockchain. A estimativa indica entre 1,6 e 1,7 milhão de BTC, cerca de 8 por cento do total.
No entanto, grande parte desse volume não poderia ser explorada de forma rápida. A empresa aponta que apenas cerca de 10.200 BTC estão em UTXOs que poderiam ser roubados e vendidos em curto prazo. Dentro desse grupo, aproximadamente 382 BTC estão distribuídos em mais de 3 mil carteiras com menos de 10 BTC cada. Há ainda cerca de 7 mil BTC em endereços entre 100 e 1.000 BTC, além de 3.230 BTC armazenados em carteiras entre 1.000 e 10.000 BTC.
Assim, mesmo em um cenário extremo, o impacto se assemelharia a movimentações grandes, porém comuns. Os restantes 1,62 milhão de BTC estão distribuídos entre mais de 30 mil carteiras com valores entre 10 e 100 BTC, o que tornaria qualquer ataque lento e pouco eficiente.

A empresa também explica que endereços modernos, como P2PKH, P2SH e grande parte das configurações Taproot, só expõem a chave pública no momento da transação. Assim, estudos que apontam vulnerabilidade entre 20 por cento e 50 por cento do fornecimento ignoram práticas simples, como evitar o reuso de endereços.
A distância tecnológica continua muito grande
A CoinShares reforça que a diferença entre teoria e prática permanece enorme. Para quebrar chaves do Bitcoin em um dia, seria necessário um computador com cerca de 13 milhões de qubits físicos totalmente tolerante a falhas. Essa capacidade supera em milhares de vezes o que existe hoje.
Para realizar o mesmo processo em menos de uma hora, o equipamento teria de ser milhões de vezes mais poderoso do que qualquer máquina atual. O Willow, do Google, possui apenas 105 qubits e cada novo qubit aumenta a complexidade da estabilização. Portanto, mesmo as previsões mais otimistas projetam máquinas relevantes apenas na década de 2030, enquanto outras projeções indicam um prazo de 10 a 20 anos.
No curto prazo, os dados apresentados pela CoinShares mostram que a exposição prática do Bitcoin é mínima, restrita a endereços antigos e pouco movimentados. Assim, a ameaça real permanece distante e não afeta a segurança atual da rede.