Incerteza global atinge pico em 30 anos, aponta WUI
A incerteza econômica global atingiu, em fevereiro de 2026, o maior nível em mais de três décadas. O Índice Mundial de Incerteza (WUI) chegou a 106.862 pontos, indicando um ambiente mais instável do que em períodos como os ataques de 11 de setembro, a crise financeira de 2008 e a pandemia de COVID-19.
Em primeiro lugar, esse avanço reflete a sobreposição de múltiplos fatores. Tensões comerciais, instabilidade política e conflitos geopolíticos ocorrem simultaneamente. Como resultado, o ambiente internacional se torna mais imprevisível. Além disso, analistas avaliam que a natureza multifatorial do cenário atual amplia riscos sistêmicos.
Conforme o Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, conflitos geoeconômicos aparecem como a principal ameaça global. Ao todo, 18% dos especialistas consultados apontam esse fator como dominante. Ou seja, políticas comerciais passaram a integrar estratégias geopolíticas mais amplas.
Além disso, a intensificação de tarifas comerciais, especialmente envolvendo os Estados Unidos, pressiona cadeias globais de suprimentos. Dessa forma, empresas enfrentam maior dificuldade para planejar investimentos de longo prazo, o que reforça a percepção de incerteza.
Pressões dos EUA ampliam percepção de risco
Segundo relatórios, os Estados Unidos exercem papel relevante na escalada da incerteza. Indicadores de percepção de risco econômico no país superam níveis observados no início da pandemia, impulsionados por disputas tarifárias e preocupações fiscais.
Ao mesmo tempo, questionamentos sobre a independência do Federal Reserve aumentam a cautela dos investidores. Nesse sentido, o Fundo Monetário Internacional avalia que a imprevisibilidade das políticas econômicas segue como um dos principais riscos globais em 2026.
Outro sinal relevante vem dos mercados. O Índice do Dólar recuou em direção aos 100 pontos, enquanto o ouro superou US$ 4.500 por onça. Esse movimento sugere busca por proteção diante da volatilidade. Ainda assim, trata-se de uma leitura de mercado, não de um consenso absoluto.
Além disso, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento destaca que a fragmentação do comércio global eleva custos operacionais. Consequentemente, empresas reduzem a exposição internacional, o que pode retroalimentar o ciclo de incerteza.
Mercados sobem apesar do cenário adverso
Apesar do ambiente desafiador, os mercados acionários seguem resilientes. O índice S&P 500 permanece acima dos 7.000 pontos, enquanto o NASDAQ Composite supera os 24.000 pontos. Ainda assim, essa valorização contrasta com fundamentos econômicos mais fracos.
Historicamente, esse tipo de desconexão é incomum. Por um lado, indicadores macroeconômicos apontam crescimento limitado. Por outro, ativos financeiros continuam em alta. Portanto, investidores enfrentam um cenário de difícil leitura.
Conflitos e crescimento fraco pressionam o cenário
Diferentemente de crises anteriores, o momento atual reúne múltiplos focos de tensão. O conflito na Ucrânia continua em andamento. Além disso, tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevam riscos no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte avança em capacidades militares.
Assim, o cenário geopolítico se mostra fragmentado. Em outras palavras, não há um único evento dominante, mas diversos fatores interligados. Como resultado, prever desdobramentos torna-se mais complexo.
No campo econômico, projeções reforçam a cautela. A Organização das Nações Unidas estima crescimento global de 2,7% em 2026, abaixo da média pré-pandemia. Enquanto isso, a União Europeia deve crescer 1,3% e o Japão, 0,9%.
Em suma, o ambiente global combina pressões econômicas, políticas e geopolíticas. Ao mesmo tempo, sinais vindos do dólar, do ouro e das bolsas indicam uma dinâmica contraditória. Assim, a incerteza atinge níveis elevados enquanto os mercados mantêm trajetória positiva, ainda que sob questionamentos.