Índia eleva taxa repo a 5,50% em aperto global
O Banco da Reserva da Índia elevou nesta quarta-feira sua taxa repo em 25 pontos-base, para 5,50%. O nível é o maior em um ano e representa a primeira alta desde 2023. Além disso, a decisão correspondeu às projeções de economistas consultados pela Reuters.
Com a decisão, a Índia se junta aos principais bancos centrais que endureceram a política monetária. Ao apertar as condições financeiras, essas autoridades buscam conter a aceleração da inflação. Em grande parte, o avanço dos preços decorre do encarecimento da energia.
Banco central adota postura monetária mais restritiva
Após a reunião, o comitê de política monetária alterou sua orientação para um “aperto calibrado”. Segundo o governador Sanjay Malhotra, a inflação e suas perspectivas deixaram de ser benignas como no ano passado. Nesse contexto, a autoridade monetária passou a demonstrar maior preocupação com a trajetória dos preços.
Ao mesmo tempo, Malhotra descartou um alívio monetário no curto prazo. Assim, a próxima medida do banco central poderá ser uma nova alta ou uma pausa. Enquanto isso, HSBC e Goldman Sachs já projetam outro aumento em dezembro.
Inflação sobe enquanto crescimento permanece forte
A inflação ao consumidor acumula dez meses consecutivos de avanço e alcançou 4,8% em agosto. Para o ano fiscal encerrado em março de 2027, o banco central projeta inflação cheia de 5,2%. Portanto, a estimativa supera a meta de médio prazo de 4%.
A instituição também prevê inflação subjacente de 4,4% para o período. Enquanto isso, a economia indiana mantém o posto de grande economia com maior crescimento no mundo. Em contrapartida, Estados Unidos, China e Japão desaceleraram diante da piora comercial, da incerteza geopolítica e da energia cara.
A Índia cresceu 7,8% no trimestre encerrado em junho, acima das expectativas. Nesse cenário, o banco central elevou sua previsão de crescimento em 40 pontos-base, para 7,1%. Ainda assim, a instituição alertou para fatores que podem prejudicar a atividade.
Riscos externos ameaçam a atividade econômica
Entre os riscos estão tensões geopolíticas prolongadas, fricções comerciais, condições financeiras mais restritivas e commodities caras. Dessa forma, o ambiente internacional pode reduzir o impulso da economia indiana. O encarecimento do crédito também aumenta a pressão sobre empresas e consumidores.
Por sua vez, o Banco Mundial projeta expansão de 7,1% para o exercício. O resultado ficaria abaixo dos 7,8% registrados no ano anterior. Mesmo com a desaceleração, a economia preservaria um ritmo sólido diante dos obstáculos externos e internos.
Petróleo e clima ampliam a pressão inflacionária
A energia representa o principal ponto vulnerável da economia indiana. O país importa cerca de 85% do combustível que consome. Além disso, o Estreito de Ormuz era uma rota essencial de abastecimento antes da guerra com o Irã.
Essa dependência amplia a exposição da Índia a interrupções no fornecimento e ao aumento dos preços internacionais. O El Niño adiciona outra pressão ao cenário econômico. Como consequência, condições climáticas desfavoráveis podem afetar a produção e os preços dos alimentos.
De acordo com o Banco Mundial, o país registrou seu quarto período mais seco entre junho e agosto desde 1960. Com menos chuvas, a oferta agrícola pode enfrentar dificuldades adicionais. Dessa forma, energia e alimentos continuam no centro das preocupações inflacionárias.
Mercados reagem com cautela à alta dos juros
Na segunda-feira, antes da reunião, o HSBC afirmou que os mercados precisavam de uma alta “crível”. Para o banco, a medida deveria mostrar a capacidade da autoridade monetária de agir novamente contra a inflação. Caso contrário, uma decisão branda poderia reduzir a atratividade da Índia entre investidores globais.
Após o anúncio, o rendimento do título soberano de dez anos subiu 5 pontos-base, para 7,243%. Ao mesmo tempo, o índice Nifty 50 recuava 0,7%. Com isso, os mercados demonstraram cautela diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo.
Bancos centrais ampliam ciclo de aperto global
No cenário internacional, a decisão indiana completa uma virada quase simultânea entre grandes bancos centrais. A Reserva Federal elevou os juros no mês anterior pela primeira vez em mais de três anos. Além disso, a instituição deixou aberta a possibilidade de outro aumento.
O Banco do Japão levou suas taxas ao maior nível em 31 anos. Já o Banco da Coreia do Sul e o Banco Central Europeu endureceram suas políticas nos últimos dois meses. Esse aperto sincronizado reduz a liquidez global que sustenta o apetite por ativos de risco, das bolsas às criptomoedas.
Por essa razão, a reunião de dezembro testará até onde o Banco da Reserva da Índia pretende elevar os juros. Embora o país mantenha forte crescimento, a inflação continua pressionada por energia, alimentos e riscos externos. Contudo, a autoridade monetária já indicou que cortes de juros não estão em discussão no curto prazo.
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