Interpol apreende US$ 293 mi e detém 5.811 suspeitos

A Interpol informou que a Operação First Light 2026 resultou em 5.811 suspeitos detidos, US$ 293 milhões em ativos ilícitos apreendidos e mais de 142 mil vítimas identificadas. A ação mobilizou 97 países e territórios durante quatro meses. O foco envolveu fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e esquemas ligados a criptomoedas.

Durante a ofensiva, as autoridades analisaram mais de 152 mil casos individuais e bloquearam 31.014 contas bancárias. Além disso, a Interpol usou a ferramenta I-GRIP para monitorar transferências tradicionais e fluxos associados a ativos virtuais. O objetivo era interromper movimentações suspeitas entre países-membros.

Tailândia concentrou um dos principais casos

A Tailândia concentrou um dos maiores volumes rastreados pela operação. A polícia local prendeu dois suspeitos após seguir o rastro de uma carteira de criptomoedas controlada por uma pessoa de 20 anos. Em apenas dez meses, mais de US$ 122,5 milhões passaram por esse endereço digital.

As autoridades afirmaram que os recursos tinham ligação com golpes amorosos online. Nesse tipo de fraude, criminosos manipulam vítimas em interações pela internet e, em seguida, induzem transferências financeiras. Posteriormente, os suspeitos converteram os valores em diferentes ativos digitais e usaram trocas entre blockchains para dificultar o rastreamento.

A Interpol afirmou ainda que redes criminosas recorrem cada vez mais a trocas rápidas de tokens entre diferentes blockchains. Além disso, essas redes movem ativos por múltiplas camadas a fim de esconder a origem do dinheiro.

Esse mecanismo, conhecido como cross-chain swap, permite mover ou converter um ativo digital entre redes distintas. Embora a tecnologia tenha usos legítimos, ela também amplia a complexidade das investigações quando o dinheiro vem de crimes financeiros. Por isso, a coordenação entre países se torna mais relevante.

I-GRIP ampliou o alcance do rastreamento

A operação ocorreu entre meados de janeiro e o fim de abril. Nesse período, a Interpol recorreu ao I-GRIP para acompanhar pagamentos suspeitos com mais velocidade. Assim, o sistema ajudou a interromper remessas vinculadas a organizações criminosas antes que os valores atravessassem várias jurisdições.

A ferramenta apoia investigações financeiras internacionais e reduz o tempo de resposta das autoridades. Além disso, os números consolidados indicam a escala da ofensiva global:

IndicadorDado
Escopo da operação97 países e territórios
Número de detenções5.811
Ativos apreendidosUS$ 293 milhões
Vítimas identificadasMais de 142 mil
Contas bloqueadas31.014

Tomonobu Kaya, chefe do Centro de Crimes Financeiros e Anticorrupção da Interpol, destacou que organizações criminosas exploram a psicologia humana para manipular seus alvos. Ele também afirmou que nenhum país consegue permanecer seguro ao agir isoladamente.

Fraudes cripto ganham peso em redes transnacionais

A Interpol avalia que golpes ligados ao mercado de criptomoedas se tornaram um pilar central de redes criminosas transnacionais. Nesse sentido, a Assembleia Geral da organização, realizada em Marrakech, aprovou uma resolução que classifica essas estruturas como ameaça transfronteiriça.

A agência afirma que esses grupos combinam tráfico humano, táticas de engano online e transferências com ativos digitais para sustentar seus esquemas. Investigadores das Nações Unidas estimam que, entre 2020 e 2024, essas operações movimentaram dezenas de bilhões de dólares. Muitas delas, além disso, dependem de trabalhadores mantidos em condições exploratórias em instalações fortificadas no Sudeste Asiático.

Nesse contexto, a Tailândia passou a ocupar posição central nas apurações por causa de sua proximidade com as fronteiras de Mianmar e Camboja. Ao mesmo tempo, o avanço das investigações coincide com a expansão das fraudes digitais em escala global.

Chainalysis apontou aceleração dos golpes em 2025

A empresa de análise blockchain Chainalysis identificou aceleração na entrada de recursos ilícitos em fraudes com criptomoedas em 2025. A companhia também apontou que o pagamento médio por golpe chegou a US$ 2.764, o que reforça a crescente sofisticação dessas operações.

A empresa citou ainda a expansão de esquemas impulsionados por inteligência artificial, ferramentas de phishing e redes de lavagem em múltiplas camadas. Como resultado, a Operação First Light 2026 evidencia uma resposta coordenada a um ecossistema criminoso cada vez mais técnico, distribuído e internacionalizado.