Irã: Arkham expõe carteiras do banco central
A empresa de análise blockchain Arkham divulgou um mapa público e pesquisável de carteiras de criptomoedas supostamente ligadas ao banco central do Irã. A iniciativa amplia a transparência sobre movimentações financeiras digitais do país e, ao mesmo tempo, permite que investigadores e participantes do mercado acompanhem fluxos de transações com mais precisão.
Mapeamento aponta conexões com entidades sancionadas
O mapa da Arkham identifica duas carteiras baseadas na rede Tron. Esses endereços entraram na lista de sanções do Tesouro dos Estados Unidos em 24 de abril. Segundo as autoridades, há ligação com o Bank Markazi Jomhouri Islami Iran, o banco central iraniano.
Além disso, o Tesouro dos EUA afirma que as carteiras mantêm vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica, especialmente a Força Qods, bem como com o Hezbollah. Como resultado, cerca de US$ 344 milhões em ativos digitais foram congelados, conforme dados divulgados pela própria Arkham em publicação na rede X.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que a medida busca limitar a capacidade do Irã de gerar, movimentar e repatriar recursos por meio de criptomoedas. Dessa forma, as autoridades tentam reduzir o uso desses ativos para contornar sanções econômicas.
Ao mesmo tempo, a Tether confirmou o congelamento dos fundos a pedido das autoridades norte-americanas. Ainda assim, a empresa citou apenas atividades ilegais, sem mencionar diretamente o Irã em sua comunicação pública.
A Arkham publicou a análise em 11 de maio e organizou os endereços em uma página dedicada ao banco central iraniano. Assim, o material funciona como ponto inicial para rastrear carteiras associadas e entender o fluxo de transações.
De acordo com o levantamento, os endereços utilizam tokens no padrão TRC-20, operando na rede Tron. Entre eles está o USDT, principal stablecoin do mercado. Portanto, a escolha indica busca por liquidez e rapidez nas transferências.
Estrutura busca dificultar rastreamento
Embora o mapa aumente a visibilidade, o caminho percorrido pelos recursos permanece complexo. Dados da Chainalysis indicam que receitas do petróleo iraniano passam por uma rede sofisticada de intermediários. Esse sistema inclui corretores, carteiras intermediárias, pontes entre blockchains e protocolos de finanças descentralizadas.
Além disso, essa estrutura em múltiplas camadas tem como objetivo dificultar a identificação da origem dos fundos. Em outras palavras, trata-se de um modelo desenhado para ocultação progressiva dos recursos.
Um porta-voz da Tron afirmou que a rede não possui capacidade direta de monitorar ou bloquear transações individuais. No entanto, destacou a atuação da T3 Financial Crime Unit, criada em 2024 em parceria com a Tether e a TRM Labs.
Segundo o representante, a iniciativa coopera com autoridades globais para identificar atividades suspeitas e congelar valores ligados a entidades sancionadas. Até agora, a unidade já contribuiu para bloquear centenas de milhões de dólares.
A Tether, por sua vez, não ampliou comentários além da declaração inicial. Ainda assim, sua atuação reforça o papel das stablecoins em operações globais, tanto legítimas quanto ilícitas.
Volume cripto no Irã segue elevado
As carteiras identificadas representam apenas parte de um cenário mais amplo. Estimativas da TRM Labs e da Chainalysis indicam que o volume de transações com criptomoedas no Irã atingiu cerca de US$ 11,4 bilhões em 2024. Em seguida, ficou próximo de US$ 10 bilhões em 2025.
Além disso, há indícios de que o país avalia novas formas de uso desses ativos. Entre elas, a possibilidade de cobrar tarifas de embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz utilizando criptomoedas, o que diversificaria fontes de receita.
Em suma, os dados da Arkham, combinados com informações do Tesouro dos EUA, Chainalysis e TRM Labs, apontam uma rede estruturada e ativa. Nesse sentido, o uso de criptomoedas pelo Irã vai além de casos isolados e envolve estratégias financeiras complexas, enquanto a análise on-chain avança como ferramenta central de monitoramento global.