Irã usa Bitcoin em taxas no Estreito de Hormuz

O Bitcoin e stablecoins passaram a ocupar um papel estratégico em uma das rotas comerciais mais sensíveis do mundo. No Estreito de Hormuz, autoridades ligadas ao Irã estariam utilizando criptomoedas para cobrança de taxas de petroleiros. Enquanto isso, o XRP permanece fora desse arranjo, apesar de sua proposta voltada a pagamentos internacionais.

Relatos indicam que a arrecadação pode chegar a até US$ 2 milhões por embarcação. Os pagamentos ocorreriam em Bitcoin e, possivelmente, em USDT. Ainda assim, a ausência do XRP chama atenção, sobretudo por seu foco em transferências globais rápidas e de baixo custo.

Uso de criptomoedas em rota estratégica

Desde março de 2026, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã teria passado a operar um sistema semelhante a um pedágio marítimo. Nesse modelo, navios petroleiros enviam detalhes da carga por e-mail às autoridades locais.

Com base nessas informações, calcula-se uma taxa aproximada de US$ 1 por barril. Em seguida, o pagamento precisa ser realizado rapidamente. Para isso, utilizam-se Bitcoin, stablecoins ou, alternativamente, o yuan chinês por meio de canais financeiros específicos.

Esse modelo teria sido formalizado no chamado Plano de Gestão do Estreito de Hormuz, aprovado no fim de março de 2026. Caso confirmado, seria um dos primeiros usos conhecidos de criptomoedas na cobrança de tarifas em uma rota marítima de relevância global.

Os valores envolvidos são expressivos. Estimativas apontam arrecadação de até US$ 20 milhões por dia apenas com petróleo. Além disso, ao incluir cargas de gás, o volume mensal pode variar entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões.

Impacto econômico e contexto geopolítico

Em primeiro lugar, o volume financeiro sugere a viabilidade prática do uso de criptomoedas em larga escala. Além disso, o movimento reforça como países sob sanções buscam alternativas fora do sistema financeiro tradicional.

Ao mesmo tempo, a iniciativa destaca a importância do Estreito de Hormuz. Afinal, cerca de um quinto do petróleo global passa pela região. Portanto, qualquer mudança operacional ali tende a impactar diretamente os mercados internacionais.

Por que Bitcoin e stablecoins ganham espaço

O uso do Bitcoin, nesse contexto, está ligado principalmente à sua resistência à censura. Como resultado, o ativo permite transações sem intermediários e sem necessidade de autorização.

Como o Irã enfrenta restrições econômicas há décadas, o acesso ao sistema financeiro global é limitado. Dessa forma, o Bitcoin surge como uma alternativa funcional, já que suas transações não podem ser facilmente bloqueadas.

Além disso, as stablecoins exercem um papel complementar. Elas oferecem maior estabilidade de preço, o que é relevante para grandes volumes financeiros. Assim, reduzem a exposição à volatilidade do Bitcoin.

No entanto, há limitações. Emissores como a Tether mantêm controle centralizado. Dados públicos indicam que bilhões de dólares já foram congelados em carteiras, incluindo valores associados a entidades sancionadas.

Portanto, embora úteis, as stablecoins carregam riscos operacionais. Em contrapartida, o Bitcoin preserva sua principal característica: resistência a bloqueios por terceiros.

Resistência à censura como fator-chave

Acima de tudo, a resistência à censura ajuda a explicar a escolha do Bitcoin. Em ambientes com restrições financeiras, essa característica se torna decisiva. Assim, o ativo funciona como uma alternativa independente.

Além disso, sua estrutura descentralizada reduz a possibilidade de interferência externa. Isso tende a aumentar a previsibilidade das transações, especialmente em cenários de চাপão internacional.

Por que o XRP fica de fora

A ausência do XRP pode ser explicada por sua arquitetura. Diferentemente do Bitcoin, o ativo foi desenvolvido para operar dentro de estruturas reguladas, com integração ao sistema financeiro tradicional.

O ecossistema da Ripple depende de parcerias com instituições financeiras licenciadas. Essas entidades seguem regras rigorosas em diversas jurisdições. Portanto, qualquer operação precisa cumprir exigências regulatórias.

No caso do Irã, isso representa um obstáculo relevante. Afinal, envolver instituições reguladas em transações com um país sob sanções tende a ser inviável. Como resultado, o uso do XRP nesse contexto se torna improvável.

Além disso, participantes da rede operam sob regras de conformidade. Dessa forma, dificilmente processariam pagamentos ligados a entidades sancionadas.

Na prática, o XRP funciona melhor dentro do sistema financeiro tradicional. Por outro lado, o Bitcoin se destaca justamente fora dele.

Arquiteturas distintas, usos distintos

Enquanto o Bitcoin prioriza descentralização, o XRP foca integração institucional. Assim, cada ativo atende a necessidades diferentes.

O caso do Estreito de Hormuz ilustra essa diferença. O uso de Bitcoin e stablecoins sugere uma busca por alternativas fora do sistema tradicional. Em contrapartida, a ausência do XRP reflete sua dependência de conformidade regulatória.

Essa leitura foi reforçada com diferentes arquiteturas de blockchain influenciam a adoção em cenários reais.

Em conclusão, o episódio indica que criptomoedas podem ganhar espaço em contextos onde o sistema financeiro convencional enfrenta limitações. Ao mesmo tempo, evidencia que características técnicas e regulatórias seguem determinando quais ativos são, de fato, utilizados.