Jennifer Garner lidera comédia cripto da Netflix
A Netflix iniciou a produção de “One Attempt Remaining”, uma comédia romântica que explora o universo das criptomoedas e será protagonizada por Jennifer Garner. A direção é de Kay Cannon, que incorpora elementos centrais do setor, como carteiras digitais e frases-semente, para criar situações cômicas que impulsionam a narrativa.
Nos últimos anos, o cinema tem enfrentado dificuldades para retratar o setor de forma realista. Cutter Hoderine, diretor de “Cold Wallet”, afirmou ao site Decrypt que as criptomoedas ainda parecem mais marginais nas telas do que no mundo real. Segundo ele, o Bitcoin já atua como indicador econômico em Wall Street. No entanto, essa relevância ainda não se reflete plenamente nas produções de Hollywood.
Além disso, Leo Matchett, CEO da Decentralized Pictures, comparou a evolução da tecnologia cripto à adoção da internet nos anos 90. Ele explicou que muitos filmes da época evitavam abordar a internet por falta de compreensão pública. Assim, narrativas que envolvem criptomoedas ainda encontram barreiras, já que o uso cotidiano desses ativos permanece restrito para grande parte da população. Para Matchett, o cinema sempre reflete o cotidiano, e o setor seguirá limitado nas telas enquanto não fizer parte da rotina de mais pessoas.
Em diversas produções, o tema surge apenas como recurso narrativo ou ferramenta de valor. Hoderine destacou que, em “Cold Wallet”, as criptomoedas foram utilizadas principalmente como meio de pagamento. Matchett também comparou o uso de ativos digitais no cinema à busca pelo ouro em filmes clássicos, citando como exemplo o enredo de “Duro de Matar: A Vingança”.
Como as criptomoedas aparecem no cinema atual
Grande parte dos filmes de Hollywood ainda associa as criptomoedas a atividades ilegais. Produções como “Crypto” e “Money Plane” exploram tramas de lavagem de dinheiro e crimes digitais. Em “Missão: Impossível – Acerto de Contas”, um acordo clandestino envolvendo uma arma cibernética utiliza ativos digitais, reforçando estereótipos negativos.
No entanto, nem sempre o foco é o crime. Em muitos roteiros, o setor é apresentado como algo excêntrico ou superficial. Em “The Quiet Maid”, personagens ricos exibem NFTs como símbolo de status. Já em títulos de ação como “The Beekeeper” e “Play Dirty”, surge a figura do “crypto bro”, que assume o papel de antagonista moderno, semelhante aos yuppies dos anos 80.
Viviane Ford, diretora de “Crypto Castle”, afirmou ao Decrypt que parte dessa imagem distorcida deriva da própria comunidade cripto. Segundo ela, memes, exageros e comportamentos caricatos moldaram percepções públicas. Além disso, colapsos de projetos como FTX e Terra intensificaram esse cenário, já que investidores foram prejudicados e a cobertura negativa ganhou força.
Produções que tentam renovar a imagem do setor
A presença de produtos cripto no cinema ainda é limitada porque o ciclo de alta e baixa do mercado não acompanha o tempo de produção dos filmes. Matchett explicou que projetos sólidos no início de uma gravação podem desaparecer antes da estreia, o que reduz o interesse de empresas do setor em buscar exposição nas telas.
No entanto, novos sinais de mudança começam a surgir. “One Attempt Remaining” utiliza conceitos fundamentais da tecnologia para integrar a narrativa, retratando mecanismos como carteiras digitais de forma mais detalhada. A websérie “Crypto Castle”, inspirada na própria experiência de Ford convivendo com entusiastas, também busca mostrar um lado mais humano e cotidiano da comunidade cripto.
Portanto, Matchett acredita que ainda falta ao cinema uma grande história de sucesso sobre o setor. Mesmo assim, ele destaca que o potencial é significativo, pois roteiristas experientes podem transformar conceitos técnicos em narrativas acessíveis e envolventes. Além disso, temas como descentralização e disputas de poder oferecem material narrativo rico.
Assim, a expansão de produções como “One Attempt Remaining” e o crescente interesse de criadores independentes indicam uma mudança gradual na percepção pública sobre as criptomoedas. Com mais obras explorando o tema em profundidade, o setor tende a ganhar espaço no entretenimento de massa.