Jeremy Grantham vê Bitcoin definhar até zero
O investidor bilionário Jeremy Grantham, cofundador da GMO e conhecido em Wall Street por identificar bolhas financeiras, voltou a criticar o Bitcoin nesta sexta-feira. Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, ele classificou o ativo como um mecanismo especulativo e sem utilidade. Além disso, afirmou que sua relevância deve desaparecer lentamente ao longo do tempo.
Na conversa, Jeremy Grantham disse que o Bitcoin deve “definhar”, e não entrar em colapso de uma só vez. Segundo ele, o ativo tende a perder espaço de forma gradual. Esse processo de erosão de interesse, na avaliação do investidor, pode durar anos ou até décadas. Grantham também afirmou que nunca possuiu Bitcoin e que acredita que seu valor acabará chegando a zero.
“Tudo o que o Bitcoin faz é permitir que fraudadores movimentem dinheiro”, disse Jeremy Grantham.
Volatilidade pressiona tese de reserva de valor
Jeremy Grantham também usou a volatilidade do ativo para contestar a tese de que o Bitcoin funcione como reserva de valor. Segundo ele, a moeda digital chegou a perder metade do valor sem uma razão específica, mesmo em um ambiente econômico ainda forte. Ao mesmo tempo, destacou que o ouro apresentou ganhos sólidos no mesmo intervalo.
De fato, o contexto recente do mercado ajuda a explicar por que esse tipo de crítica ganhou força. O BTC atingiu uma máxima histórica perto de US$ 126.000 em outubro de 2025. Desde então, o ativo digital acumulou uma desvalorização superior a 50%. Nesta sexta-feira, o Bitcoin era negociado na faixa de US$ 60.000 e testava uma região tratada por analistas como suporte crítico.
Se esse patamar for perdido, o mercado pode abrir espaço para um movimento em direção à faixa de US$ 40.000. Em meados de junho, porém, o Bitcoin já havia recuado para perto de US$ 62.000. O movimento ocorreu após sinais mais duros do Federal Reserve abalarem os ativos de risco. Além disso, o aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã elevou os preços do petróleo e reacendeu temores inflacionários.
Como resultado, autoridades do banco central dos Estados Unidos abandonaram qualquer discurso sobre cortes de juros. Parte do mercado passou a considerar até mesmo a possibilidade de novas altas. Nesse sentido, o mercado cripto enfrentou uma combinação de pressão macroeconômica e redução do apetite por risco.
ETFs spot de BTC registram saídas nos Estados Unidos
Outro fator de pressão veio do fluxo institucional nos produtos listados em bolsa. Os ETFs spot de BTC nos Estados Unidos registraram quatro dias consecutivos de saídas líquidas. No total, os resgates somaram aproximadamente US$ 113,8 milhões. Dessa forma, o movimento reforçou o enfraquecimento do apetite comprador em um momento no qual o mercado tentava encontrar estabilidade.
Do ponto de vista técnico, a tentativa do Bitcoin de retomar níveis mais altos esbarrou diretamente na média móvel de 200 dias. Esse indicador funcionou como uma resistência forte. A partir desse teto, o ativo passou por uma queda de cerca de 30%. A avaliação citada coloca o recuo atual entre os cinco piores movimentos de preço da história do Bitcoin.
Ainda assim, nem todos os agentes do mercado compartilham da visão pessimista de Jeremy Grantham. De acordo com a Coinbase, alguns grandes investidores institucionais aproveitaram a forte correção como oportunidade de entrada. Assim, compraram durante a queda. Esse comportamento indica que, mesmo diante de um drawdown relevante, parte do capital profissional ainda enxerga valor na exposição ao ativo.
Ricardo Salinas Pliego amplia aposta em Bitcoin
Por outro lado, Ricardo Salinas Pliego mantém uma posição oposta. O bilionário mexicano elevou a fatia do Bitcoin em seu portfólio de investimentos para 70%, ante 10% em 2020. Além disso, ele convenceu a esposa a hipotecar a casa do casal para comprar ainda mais BTC.
Fundador do Grupo Salinas, Ricardo Salinas Pliego associa sua desconfiança em moedas fiduciárias a conversas familiares sobre o fim do padrão ouro durante o governo Richard Nixon. Na visão do empresário, o Bitcoin supera tanto o dinheiro estatal quanto o ouro. Para ele, o ativo reúne resistência à apreensão e capacidade de circulação sem fronteiras.
A convicção do investidor permaneceu intacta mesmo após um golpe envolvendo empréstimo de US$ 150 milhões. Além disso, ele enfrentou pressões regulatórias contra seus planos de transformar o Banco Azteca no primeiro banco do México a aceitar Bitcoin. Ainda assim, manteve a tese ao longo de múltiplos ciclos de mercado.
Recentemente, Ricardo Salinas Pliego citou a evolução dos preços de imóveis em Londres ao longo de uma década como evidência de sua tese. Em outras palavras, uma casa que custava 4.000 BTC em 2016 hoje custaria menos de 30 BTC.
Mercado segue dividido entre céticos e compradores
Ricardo Salinas Pliego também defende que investidores comuns convertam o valor acumulado em seus imóveis em exposição ao Bitcoin. Ele chama essa estratégia de uma aposta assimétrica com potencial de alta. Assim, a divergência entre ele e Jeremy Grantham resume parte do debate atual sobre o papel do ativo no sistema financeiro.
As declarações de Jeremy Grantham ocorreram em um momento no qual o Bitcoin negocia perto de US$ 60.000, após alcançar quase US$ 126.000 em outubro de 2025. Ao mesmo tempo, os ETFs spot de BTC nos Estados Unidos somaram saídas líquidas de cerca de US$ 113,8 milhões em quatro dias. Nesse meio tempo, Ricardo Salinas Pliego mantém 70% de seu portfólio em BTC e segue defendendo o ativo como alternativa superior ao dinheiro fiduciário e ao ouro.