Josué Viana Medeiros, Rei das Criptomoedas, é preso em São Paulo
A Polícia Militar prendeu Josué Viana Medeiros no sábado (31), em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Conhecido em Manaus como Rei das Criptomoedas, o empresário caminhava pela Rua Itajobi quando os agentes o localizaram. A Justiça do Amazonas havia condenado Medeiros a oito anos de prisão, em regime fechado, por estelionato.
O caso envolve um esquema fraudulento de investimentos em Bitcoin e outras criptomoedas. Segundo as autoridades, a operação movimentou mais de R$ 45 milhões e atingiu cerca de 300 pessoas. Contudo, esse montante representa o valor atribuído ao esquema, não o prejuízo individual comprovado de cada vítima.
Câmeras do programa Muralha Paulista identificaram Medeiros durante o trajeto pela rua. O sistema estadual utiliza inteligência artificial e reconhecimento facial para localizar pessoas com mandados de prisão em aberto. Em seguida, policiais militares receberam o alerta e seguiram até o local para realizar a abordagem.
Reconhecimento facial levou à prisão em São Paulo
Durante a abordagem, os agentes confirmaram o mandado expedido pela Justiça amazonense. Depois, eles conduziram Medeiros ao Instituto Médico Legal, onde o empresário realizou exame de corpo de delito. Posteriormente, a polícia o encaminhou ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros.
O Metrópoles informou que a Justiça previa uma audiência de custódia para domingo (1). No entanto, não há informações posteriores sobre o resultado da audiência. Além disso, essa não foi a primeira prisão de Medeiros relacionada ao caso.
Em janeiro de 2022, a Polícia Rodoviária Federal prendeu o empresário em Santarém, no Pará. Na ocasião, as autoridades já investigavam o suposto esquema de investimentos em criptomoedas. Conforme a Polícia Civil do Amazonas, os envolvidos atraíam clientes com promessas de rendimentos elevados.
Como funcionava o esquema de investimentos
As apurações começaram em 2021, após denúncias apresentadas por investidores. Eles haviam aplicado recursos em uma empresa que prometia retornos elevados com operações de ativos digitais. De acordo com a investigação, os contratos indicavam ganhos próximos de 10% ao mês.
Os clientes esperavam que a empresa utilizasse o dinheiro em operações com criptomoedas. Assim, eles acreditavam que receberiam os lucros de forma periódica. Entretanto, as investigações indicaram que os rendimentos anunciados não correspondiam a resultados reais.
Mais tarde, algumas vítimas passaram a desconfiar do negócio e examinaram os documentos apresentados. Com isso, elas identificaram irregularidades nos comprovantes fornecidos pelos responsáveis. O então titular da delegacia responsável pelo caso, Adriano Félix, afirmou que os envolvidos falsificavam comprovantes de investimentos.
Por sua vez, a polícia apontou a participação de Josué Victor Almeida de Figueiredo Medeiros, filho do empresário. Ele tinha 24 anos quando as autoridades o classificaram como procurado, em janeiro de 2022. Na ocasião, a Polícia Civil pediu ajuda da população para localizá-lo. Ainda assim, as informações recentes não esclarecem sua situação judicial atual. Também não existem dados atualizados sobre a recuperação dos recursos destinados às vítimas.
Carros de luxo e suspeitas de lavagem de dinheiro
A polícia também investigou o uso de veículos de luxo para movimentar e ocultar recursos supostamente obtidos com os investimentos. Segundo a Polícia Civil do Amazonas, o grupo simulava compras de automóveis importados. Dessa forma, os envolvidos tentariam dissimular a origem do dinheiro recebido dos investidores.
As investigações levaram à Operação Blockchain Fake, deflagrada em novembro de 2021. Ao todo, as autoridades apreenderam cinco veículos associados ao esquema. Em Manaus, elas encontraram carros das marcas BMW, Troller e Mini Cooper, avaliados conjuntamente em cerca de R$ 6 milhões.
Além disso, as autoridades apreenderam uma Ferrari e uma McLaren em ações realizadas em Brasília e São Paulo. A polícia avaliou cada um desses veículos em aproximadamente R$ 5 milhões. Nesse contexto, os investigadores suspeitavam que as transações buscavam dificultar o rastreamento do dinheiro e dar aparência legal aos recursos.
Medeiros recebeu o apelido de Rei das Criptomoedas por ostentar um estilo de vida luxuoso em Manaus. Ao mesmo tempo, a exposição de carros de alto padrão ajudava a construir uma imagem de sucesso financeiro entre os investidores. Quase cinco anos após a operação, a tecnologia permitiu localizá-lo sem uma ação direcionada previamente ao endereço.
O Muralha Paulista integra câmeras de segurança, leitura automática de placas e reconhecimento facial. Quando encontra uma possível correspondência, o sistema alerta as forças policiais para uma verificação presencial. No caso de Medeiros, o alerta ajudou os policiais a identificar e prender o condenado em uma rua de São Paulo. Assim, a prisão representa um novo desdobramento do caso, embora ainda não existam dados públicos sobre a devolução dos recursos às vítimas.
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