JPEX amplia acusações contra influenciador em Hong Kong

Novas denúncias reforçam caso de lavagem ligado à plataforma

O escândalo envolvendo a plataforma de ativos virtuais JPEX voltou a crescer em Hong Kong após a apresentação de novas acusações contra o influenciador Zhu Gongzi, cujo nome real é Chu Ka-fai. As autoridades afirmam que ele movimentou valores suspeitos superiores a HK$18 milhões, o que levou o Ministério Público a solicitar a transferência do caso para o Tribunal Distrital.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Wen Wei Po, Chu Ka-fai, de 34 anos, retornou ao Tribunal de Magistrados do Leste em 2 de março para responder às novas acusações. Agora, ele enfrenta quatro denúncias formais de lavagem de dinheiro, resultado da revisão da acusação original e da inclusão de três novos pontos.

Chu Ka-fai, conhecido como Young Master Chu. Fonte: Wen Wei Po

O caso se encaixa no amplo colapso da JPEX, considerada uma das maiores fraudes financeiras já registradas em Hong Kong. A situação ganhou repercussão em setembro de 2023, quando a Securities and Futures Commission revelou que a empresa operava sem licença no território.

Movimentações suspeitas analisadas pela promotoria

De acordo com documentos do tribunal, Chu movimentou cerca de HK$18,78 milhões entre novembro de 2020 e agosto de 2023. As operações ocorreram em quatro contas bancárias mantidas no Chung An Bank, Mox Bank, Lee & Wah Bank e HSBC. A promotoria sustenta que o influenciador sabia, ou tinha fortes indícios para acreditar, que esse dinheiro era fruto de atividades criminosas.

Os procuradores explicaram durante a audiência que solicitaram parecer ao Departamento de Justiça e pretendem levar o caso ao Tribunal Distrital, onde trâmites mais complexos costumam ser analisados. O magistrado Lin Zikang determinou a suspensão provisória do processo até 27 de março para permitir a organização dos documentos necessários.

Mesmo com as crescentes acusações, Chu permanece em liberdade sob fiança. As denúncias se somam a uma longa lista de envolvidos no colapso da plataforma, que dificultou saques, elevou taxas de retirada e gerou milhares de reclamações de usuários.

Escândalo alcança centenas de suspeitos e bilhões em perdas

Desde o início das investigações, mais de 2.700 pessoas relataram prejuízos que totalizam cerca de HK$1,6 bilhão. As autoridades efetuaram mais de 80 prisões e bloquearam aproximadamente HK$228 milhões em ativos, incluindo criptomoedas, veículos de luxo, barras de ouro e imóveis.

Em novembro de 2025, a polícia apresentou acusações formais contra 16 indivíduos ligados à promoção e operação da plataforma. Entre eles estão influenciadores como Joseph Lam Chok e Chan Wing-yee. Outro nome envolvido é o ex-ator Chengg Cheng, preso após não cumprir exigências de fiança. A polícia também emitiu alertas vermelhos da Interpol para três suspeitos que deixaram Hong Kong.

No final de 2025, o Tribunal de Magistrados do Leste reagendou os principais julgamentos para março de 2026 devido ao grande volume de provas reunidas em dois anos. Além disso, novas denúncias relacionadas à lavagem de HK$7,79 milhões foram apresentadas contra outros envolvidos.

Enquanto o processo criminal avança lentamente, vítimas começaram a ver progresso no campo civil, com ações paralelas auxiliando na recuperação parcial de valores bloqueados. Portanto, com as acusações reforçadas contra Chu Ka-fai e a possível transferência do caso para o Tribunal Distrital, o escândalo segue em desenvolvimento. Além disso, as autoridades continuam reunindo provas e ampliando a rede de investigados.