JPMorgan vira alvo de ação por fraude cripto de US$328 mi

O banco JPMorgan Chase tornou-se alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos após investidores alegarem que a instituição teria facilitado a movimentação de recursos ligados a um suposto esquema de fraude com cripto. O processo foi apresentado no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia e cita perdas estimadas em cerca de US$328 milhões.

Segundo os autores da ação, mais de 2.000 investidores transferiram recursos para a empresa Goliath Ventures entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026. A companhia divulgava oportunidades privadas de investimento em ativos digitais e prometia retornos mensais elevados.

No entanto, promotores federais afirmam que o negócio operava como um esquema Ponzi. Nesse tipo de fraude, novos aportes são usados para pagar investidores antigos, criando a aparência de lucros consistentes.

Documento judicial citado no processo

Fonte: documentos da ação coletiva contra o JPMorgan

Movimentação financeira citada no processo

Documentos judiciais indicam que uma parcela relevante dos recursos teria passado por contas do JPMorgan. De acordo com a ação, cerca de US$253 milhões foram depositados em uma conta identificada pelos dígitos finais 0305 entre janeiro de 2023 e junho de 2025.

Além disso, os registros mencionam que aproximadamente US$123 milhões teriam sido transferidos dessa conta para carteiras de cripto associadas à Goliath Ventures na plataforma Coinbase. Por essa razão, os investidores afirmam que o banco teria funcionado como um dos principais canais bancários utilizados pelo esquema.

Os autores da ação sustentam que a instituição possuía acesso a dados suficientes para identificar atividades incomuns. Ainda assim, as transações teriam continuado a ser processadas normalmente.

Segundo a acusação, a Goliath Ventures se apresentava como um fundo privado voltado a investimentos em criptomoedas. Contudo, os investidores afirmam que a empresa não possuía licenças regulatórias necessárias para oferecer esse tipo de serviço financeiro.

Nesse contexto, os autores argumentam que instituições financeiras devem monitorar atividades suspeitas quando contas corporativas são usadas para captar recursos do público. Para eles, o banco teria ignorado sinais de alerta associados às movimentações.

Investigação criminal paralela

CEO da Goliath Ventures é acusado de fraude

Enquanto a disputa civil avança, autoridades federais conduzem uma investigação criminal paralela. Promotores do Distrito Médio da Flórida anunciaram a prisão de Christopher Delgado, CEO da Goliath Ventures, em 24 de fevereiro.

Delgado responde a acusações de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Caso seja condenado em todas as acusações, a pena máxima pode chegar a 30 anos de prisão federal.

Investigadores afirmam que o executivo teria operado o negócio como um esquema Ponzi entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026. Investidores eram atraídos por promessas de rendimentos mensais supostamente gerados por pools de liquidez em criptomoedas.

No entanto, autoridades dizem que parte dos novos aportes era usada apenas para pagar investidores anteriores, mantendo a aparência de um investimento lucrativo.

Além disso, promotores alegam que recursos das vítimas teriam financiado despesas pessoais de alto padrão. Entre elas estariam viagens de luxo, festas corporativas e a compra de imóveis avaliados entre US$1,15 milhão e US$8,5 milhões.

Discussão sobre responsabilidade bancária

O caso também reacende o debate sobre o papel de grandes bancos no monitoramento de operações ligadas ao mercado de criptomoedas. Investidores defendem que instituições financeiras devem identificar padrões suspeitos quando grandes volumes passam por contas corporativas.

Os documentos judiciais citam ainda contas associadas à Goliath Ventures no Bank of America. Ainda assim, a ação coloca o JPMorgan no centro da disputa devido ao volume significativo de depósitos e transferências mencionados no processo.

Por fim, a investigação criminal envolve o Internal Revenue Service Criminal Investigation e o Homeland Security Investigations. O desfecho do caso pode influenciar discussões regulatórias e práticas de monitoramento financeiro relacionadas a empresas de ativos digitais nos Estados Unidos.