Kalshi amplia lobby com novo escritório em Washington
A Kalshi abriu um novo escritório em Washington, D.C., para fortalecer sua atuação política em meio ao avanço das discussões regulatórias sobre mercados de previsão nos EUA. A estratégia reforça a intenção da plataforma de se aproximar de formuladores de políticas e responder ao crescente escrutínio que envolve os contratos baseados em eventos.
Como parte desse movimento, a empresa contratou John Bivona para liderar as relações governamentais federais. Segundo o anúncio oficial, Bivona possui mais de 20 anos de experiência em campanhas políticas e funções no governo dos EUA, incluindo sua atuação como ligação entre a Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna durante a administração Biden.
Além disso, Bivona já ocupou cargos de liderança no Comitê de Campanha Democrata para o Congresso e foi chefe de gabinete do ex-congressista Antonio Delgado. Sua chegada reforça a intenção da empresa de participar ativamente das discussões regulatórias que envolvem o setor de mercados de previsão.
Mercados de previsão ganham força nos EUA
A expansão da empresa ocorre enquanto os mercados de previsão conquistam maior relevância no país. A plataforma permite a negociação de contratos baseados em resultados de eventos futuros, como eleições, economia, cultura pop e esportes. Regulada pela CFTC, ela lidera o setor em volume mensal global.
Para intensificar a atuação junto a autoridades estaduais, a empresa também contratou Blake Bee, ex-gerente de políticas públicas da Amazon. Bee possui experiência com procuradores-gerais estaduais e já atuou na Associação Nacional de Procuradores-Gerais e no gabinete do procurador-geral do Mississippi.
Fonte: Twitter
O crescimento da plataforma é acelerado. Em dezembro, o volume negociado atingiu US$ 6,58 bilhões, superando a rival Polymarket, que movimentou US$ 2,28 bilhões no mesmo período. Parte desse aumento ocorreu no início da temporada da NFL, quando a empresa processou US$ 441 milhões em quatro dias.
No entanto, a empresa enfrenta disputas legais em vários estados devido aos contratos ligados a esportes. Reguladores de Arizona, Tennessee, Connecticut e Massachusetts afirmam que esses contratos são equivalentes a apostas esportivas não licenciadas. As decisões judiciais variam. Um juiz federal em Nevada determinou que a empresa siga as regras locais de jogos de azar, enquanto outro juiz no Tennessee suspendeu ações contra a plataforma.
Pressão regulatória cresce entre autoridades estaduais
A resistência de estados ao modelo de mercados de previsão aumentou em 2025. O SWC pressionou a CFTC para proibir contratos esportivos, afirmando que plataformas do setor ignoram medidas de proteção ao consumidor, como verificação de idade e normas de lavagem de dinheiro.
O debate se intensificou após um caso envolvendo a Polymarket. Assim, uma aposta que começou com US$ 32 mil e ultrapassou US$ 400 mil gerou questionamentos. Logo após coincidir com a detenção inesperada do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O episódio impulsionou a proposta do Public Integrity in Financial Prediction Markets Act of 2026. Apresentada pelo deputado Ritchie Torres e apoiada por mais de 30 democratas, incluindo Nancy Pelosi.
Assim, a abertura do novo escritório e a contratação de especialistas sugerem que a empresa busca responder à pressão regulatória de forma mais estruturada. Além disso, os números mostram que a plataforma continua avançando no setor. Mesmo com disputas legais e discussões nacionais sobre o papel dos mercados de previsão.