Kalshi amplia vigilância de trades com a Comply

A Kalshi firmou uma parceria com a Comply para dar a empresas financeiras supervisão direta sobre operações de funcionários em mercados de previsões. A integração mira riscos de uso de informação relevante não pública, à medida que instituições avaliam contratos de evento e derivativos futuros. Com isso, a vigilância no ambiente de trabalho passa a ocupar papel central na expansão institucional da plataforma.

Comply adiciona dados da Kalshi ao monitoramento corporativo

A Comply passará a incluir dados de transações da Kalshi no software usado por mais de 5 mil empresas financeiras. Assim, os clientes poderão ver as posições de funcionários ao lado de atividades já monitoradas em valores mobiliários e ativos digitais. Dessa forma, equipes de compliance poderão comparar a atividade em contratos de evento com as regras internas de negociação de cada companhia.

As ferramentas vão sinalizar operações ligadas a informação relevante não pública ou a eventos conectados ao acesso profissional de um funcionário. Além disso, as empresas poderão restringir mercados específicos sem impor uma proibição total à participação em mercados de previsões. Esse modelo dá mais controle aos empregadores e, ao mesmo tempo, preserva o acesso aprovado para suas equipes.

A integração também abrangerá os contratos futuros perpétuos planejados pela Kalshi quando esses produtos estiverem disponíveis. A Comply já oferece suporte ao monitoramento de mercados de previsões por meio de uma parceria separada de dados da Polymarket com a ZenLedger. Portanto, a empresa vem ampliando sua cobertura tanto em plataformas reguladas quanto em ambientes de negociação baseados em blockchain.

Instituições pedem controles mais claros

A Kalshi já monitora a atividade na própria plataforma por meio de equipes internas de vigilância e fiscalização. No entanto, instituições financeiras querem visibilidade direta dentro dos sistemas que já administram a negociação de funcionários. A parceria com a Comply atende a essa exigência sem obrigar as empresas a construir ferramentas separadas de monitoramento.

Em junho, a Kalshi fechou um acordo semelhante com a StarCompliance para ampliar a supervisão por parte dos empregadores. As duas parcerias dão suporte a revisões de contas, aplicação de políticas internas e investigações sobre atividade suspeita de funcionários. Além disso, elas colocam os contratos de evento dentro de processos de compliance já familiares aos mercados financeiros.

Novos contratos elevam os riscos

Bancos e gestoras de recursos costumam exigir que funcionários informem suas contas e peçam autorização antes de certas operações. Nesse contexto, os mercados de previsões criam novos riscos porque os contratos podem envolver indicadores econômicos, eleições, eventos corporativos ou declarações oficiais. Por consequência, o monitoramento no ambiente de trabalho ajuda as empresas a identificar conflitos antes que essas posições gerem problemas legais ou de reputação.

Pressão jurídica reforça a relevância da supervisão

A expansão da estrutura de compliance ocorre enquanto a Kalshi enfrenta um processo de grande porte em Nova York. Autoridades estaduais acusam a plataforma de operar produtos de jogo sem licença sob a estrutura de contratos de evento. Segundo o estado, penalidades, restituição e devolução de ganhos podem chegar a cerca de US$ 36 bilhões.

Após o protocolo realizado em 31 de julho, a Kalshi transferiu o caso da corte estadual para a corte federal. Com isso, foi encerrada a análise imediata, pela juíza estadual, do pedido preliminar de liminar apresentado por Nova York. Ainda assim, a medida processual não resolveu as alegações do estado nem a disputa mais ampla sobre jurisdição.

Um caso recente da CFTC também mostrou os riscos de fiscalização ligados ao acesso a informações sensíveis. O ex-deputado George Santos devolveu US$ 17.569,98 em ganhos e pagou uma multa civil de US$ 17.500. Ele também aceitou uma proibição de negociação por três anos, sem admitir nem negar as conclusões do regulador.

Em resumo, a parceria entre Kalshi e Comply amplia a capacidade de supervisão das instituições justamente quando os mercados de previsões passam a ser tratados de forma mais próxima a ações e ativos digitais, enquanto a plataforma também lida com pressão regulatória crescente nos Estados Unidos.