Kalshi avalia IPO com receita anualizada de US$ 2 bi
A Kalshi, plataforma de mercados de previsões que domina os contratos de eventos nos Estados Unidos, iniciou conversas informais com bancos de investimento sobre uma possível oferta pública inicial de ações. Fontes familiarizadas com as finanças da companhia afirmam que as discussões ainda estão em estágio preliminar.
Por enquanto, o cronograma aponta uma possível listagem apenas a partir do fim de 2027, ou em 2028. Além disso, a empresa estaria pedindo a potenciais bancos assessores que integrem seus sistemas à plataforma. Assim, a Kalshi busca oferecer acesso direto à negociação para clientes institucionais dessas instituições.
Volume recorde impulsiona receita
A nova etapa surge após uma forte expansão operacional da empresa. A receita anualizada da Kalshi superou US$ 2 bilhões e triplicou em relação ao nível registrado em novembro de 2025. Esse salto veio após picos de negociação ligados aos playoffs da NBA e à Copa do Mundo da FIFA, que elevaram o volume a máximas históricas. O avanço também ganhou destaque no mercado financeiro.
Em maio, a plataforma movimentou US$ 16,81 bilhões em volume mensal de negociação. Em abril, esse número havia ficado em US$ 14,81 bilhões. Com isso, o volume negociado anualizado saltou de US$ 52 bilhões para US$ 178 bilhões ao longo dos últimos 12 meses.
A Kalshi já concentra mais de 90% da atividade de mercados de previsões nos Estados Unidos. Além disso, a negociação institucional dentro da plataforma avançou 800% nos seis meses encerrados no começo de maio. Esse indicador ajuda a explicar o interesse crescente de firmas de Wall Street por novos canais de alocação de capital.
Institucionais ampliam presença
Esse avanço reforça a percepção de que a Kalshi deixou de atuar apenas como uma plataforma voltada ao varejo. Ao mesmo tempo, a companhia tenta consolidar sua posição entre investidores profissionais, fundos e instituições que buscam instrumentos alternativos de gestão de risco.
Embora o setor ainda seja relativamente novo, a escala atingida pela empresa já chama atenção no ecossistema financeiro digital. Por isso, o mercado passou a considerar uma eventual abertura de capital como um desdobramento possível da atual fase de expansão.
Rodada Série F reforça expansão
A notícia sobre um possível IPO surgiu poucas semanas depois de a empresa concluir uma captação Série F de US$ 1 bilhão liderada pela Coatue, com avaliação de US$ 22 bilhões. O valor representa o dobro da avaliação observada em janeiro. A companhia informou que Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, Paradigm, IVP, Morgan Stanley e ARK Invest participaram da rodada.
O novo capital mira a expansão institucional da plataforma. Entre as prioridades estão recursos de block trading, novos produtos de risco para hedge funds, gestores de ativos e seguradoras, além de melhorias na infraestrutura central de negociação. Em paralelo, a empresa também tende a ampliar sua capacidade operacional para sustentar um fluxo maior de ordens.
No segmento de mercados de previsões, a rodada indica que investidores privados seguem apostando no crescimento estrutural desse mercado. Ainda assim, a sustentação dessa tese dependerá da continuidade do interesse institucional e da manutenção de um ambiente regulatório favorável.
Avaliação aumenta expectativa
Com avaliação de US$ 22 bilhões, a Kalshi passou a figurar entre as fintechs mais valiosas do setor nos Estados Unidos. Além disso, o ritmo de crescimento da receita anualizada fortalece a narrativa de maturidade operacional. Caso mantenha esse desempenho, a empresa poderá chegar ao mercado acionário com forte atenção de bancos, gestores e investidores de tecnologia financeira.
Vitória regulatória abriu espaço
Tarek Mansour e Luana Lopes Lara fundaram a Kalshi em 2020. Ambos têm passagem pelo Massachusetts Institute of Technology e pelo ecossistema da Y Combinator. A proposta da empresa era criar uma bolsa regulada na qual usuários pudessem negociar resultados de eventos do mundo real, como decisões do Federal Reserve, indicadores econômicos, resultados esportivos e disputas políticas.
Por anos, a companhia travou uma disputa judicial com a Commodity Futures Trading Commission, a CFTC, para garantir o direito de listar contratos ligados a eventos políticos. A virada ocorreu no fim de 2024, quando uma corte federal decidiu a favor da empresa. Como resultado, um mercado que hoje gera bilhões de dólares em volume anual de negociação ganhou espaço para crescer de forma mais acelerada.
Esse status regulatório perante a CFTC funciona como um dos principais diferenciais da plataforma diante de concorrentes. Embora o setor de mercados de previsões atraia uma nova onda de competição, incluindo a Polymarket, a posição da Kalshi como bolsa regulada nos Estados Unidos lhe dá vantagens relevantes no processo de adoção institucional.
IPO ainda depende de execução
Apesar do entusiasmo em torno dos números, o cronograma de um IPO dependerá das condições mais amplas do mercado. Também dependerá da capacidade da empresa de sustentar o atual ritmo de crescimento. Portanto, as conversas com bancos não garantem uma oferta no curto prazo.
Em suma, se a Kalshi chegar à bolsa em 2027 ou 2028 com avaliação próxima à da última rodada privada, a operação poderá figurar entre os maiores IPOs de fintech dos Estados Unidos nos últimos anos. A empresa alcançou esse patamar após superar US$ 2 bilhões em receita anualizada, movimentar US$ 16,81 bilhões apenas em maio, concentrar mais de 90% da atividade doméstica de mercados de previsões e dobrar sua avaliação para US$ 22 bilhões.