Kalshi pede à CFTC futuros perpétuos de índices e cobre
A Kalshi planeja lançar futuros perpétuos vinculados a índices acionários dos Estados Unidos e ao cobre industrial. No entanto, a plataforma ainda depende do aval da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, a CFTC. Os produtos representam mais um passo na expansão da empresa para além dos mercados de previsões.
Com a iniciativa, a companhia pretende ampliar sua presença no mercado financeiro tradicional. A estratégia inclui instrumentos ligados às maiores empresas americanas e a uma das principais commodities industriais. Enquanto isso, a Kalshi aguarda as decisões regulatórias antes de iniciar as operações.
Plataforma solicita novos derivativos nos Estados Unidos
Em documento encaminhado à CFTC, a Kalshi informou que pretende lançar o contrato US500. O instrumento acompanhará o índice MerQube US Large Cap, criado para medir o desempenho das 500 maiores empresas dos Estados Unidos. Dessa forma, a plataforma passaria a oferecer exposição a uma referência ampla do mercado acionário americano.
A proposta levaria a Kalshi a atuar com derivativos ligados à renda variável tradicional. Ao mesmo tempo, o produto aproximaria a estrutura dos contratos perpétuos dos principais índices acionários. A empresa, porém, não poderá iniciar a oferta antes da conclusão do processo regulatório.
A Kalshi também solicitou a listagem do COPPERPERP, instrumento vinculado à cotação do cobre industrial. A plataforma pretende negociar o contrato em dólares por libra. Já a formação do preço usaria a referência XCU-USD da Pyth Network.
Nesse modelo, os investidores poderiam operar sobre as variações do cobre sem uma data fixa de vencimento. Em contraste, os contratos futuros convencionais possuem uma data determinada para expiração. Portanto, a ausência de vencimento representa a principal diferença entre as duas estruturas.
Aprovação anterior envolve futuros de Bitcoin
Os novos pedidos sucedem uma autorização concedida pela CFTC à Kalshi em maio. Na ocasião, o órgão permitiu que a plataforma operasse futuros perpétuos de Bitcoin. A decisão abriu espaço para a negociação regulada desses instrumentos pela empresa nos Estados Unidos.
Com isso, a autorização marcou outro avanço na aproximação entre produtos digitais e mercados financeiros tradicionais. Agora, a Kalshi tenta estender o mesmo formato a índices acionários e ao cobre. A companhia ainda precisa esperar a análise dos novos contratos antes de disponibilizá-los aos clientes.
Paralelamente, a expansão provocou resistência entre participantes tradicionais do setor de derivativos. Em junho, o CME Group processou o órgão regulador e apontou possíveis violações da Lei de Bolsas de Mercadorias dos Estados Unidos. A ação questiona as autorizações concedidas à Kalshi e à Coinbase para determinados contratos perpétuos.
CME Group contesta expansão dos contratos
Segundo o CME Group, os produtos representam concorrência direta para os instrumentos tradicionais oferecidos pela instituição. O grupo também argumenta que a expansão dos futuros perpétuos pode alterar o funcionamento do mercado convencional de derivativos. Assim, a decisão judicial poderá ajudar a definir os limites regulatórios desses contratos no país.
Apesar da disputa, a Kalshi mantém sua estratégia de diversificação. A plataforma busca atrair investidores de varejo e participantes institucionais com produtos ligados a diferentes mercados. Caso receba as autorizações, a negociação de índices e commodities poderá ampliar o alcance de seus serviços.
As decisões dos reguladores e dos tribunais terão papel central nessa expansão. Enquanto o processo avança, investidores acompanham a definição das regras para instrumentos sem vencimento. Uma maior clareza jurídica poderá facilitar a oferta de produtos diversificados e aproximar estruturas comuns no mercado cripto das finanças tradicionais.