KB testa stablecoin na Coreia do Sul e acelera regulação
O KB Financial Group, controlador do maior banco da Coreia do Sul, concluiu um projeto piloto de stablecoin atrelada ao won. A iniciativa marca um avanço relevante no uso de blockchain em pagamentos cotidianos. Ao mesmo tempo, ocorre sob pressão crescente de legisladores e especialistas por um marco regulatório para ativos digitais no país.
Piloto demonstra ganhos em eficiência operacional
O experimento foi conduzido em parceria com a KG Inicis, a blockchain de camada 1 Kaia e a OpenAsset. Dessa forma, o projeto integrou todo o fluxo financeiro em um único sistema, incluindo emissão da stablecoin, pagamentos offline, liquidação de comerciantes e transferências internacionais.
Pagamentos offline e experiência simplificada
Na prática, os usuários continuaram utilizando serviços financeiros tradicionais. No entanto, a infraestrutura de liquidação foi migrada para blockchain. Um dos testes mais concretos ocorreu em uma cafeteria da rede Hollys, onde clientes pagaram via QR code em quiosques offline, sem necessidade de carteira digital.
Além disso, a liquidação ocorreu automaticamente por contratos inteligentes. Com efeito, o modelo reduz atritos operacionais e simplifica a experiência do usuário, sem exigir mudança de hábito de consumo.
Outro ponto relevante envolveu transferências internacionais. Nesse caso, o sistema converteu a stablecoin em won para uma versão em dólar usando a liquidez on-chain da Kaia. Em seguida, os recursos foram enviados por um parceiro no Vietnã até a conta bancária do destinatário.
Em contraste com o sistema tradicional baseado na rede SWIFT, o processo foi concluído em cerca de três minutos. Além disso, as taxas caíram aproximadamente 87%, evidenciando ganhos relevantes de eficiência e custo.
Debate regulatório avança, mas impasse persiste
Apesar dos avanços tecnológicos, a regulamentação das stablecoins segue travada na Coreia do Sul. A segunda fase da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais, conhecida como Lei de Ativos Digitais, deveria ser aprovada até o fim de 2025. Contudo, divergências entre autoridades impediram o avanço.
Banco Central e reguladores divergem sobre emissão
O principal impasse envolve o papel dos bancos na emissão de stablecoin. De um lado, o Banco da Coreia defende que instituições bancárias detenham ao menos 51% das entidades emissoras. Por outro lado, a Comissão de Serviços Financeiros argumenta que essa exigência pode limitar a inovação.
Além disso, reguladores alertam que a restrição pode reduzir a participação de empresas de tecnologia. Assim, o debate reflete o equilíbrio entre estabilidade financeira e concorrência no setor digital.
Diante desse cenário, legisladores pressionam o parlamento a priorizar a aprovação da legislação. Segundo especialistas, o país corre o risco de perder competitividade global enquanto outras economias avançam com estruturas regulatórias mais claras.
De acordo com o professor Ahn Soo-hyun, da Hankuk University of Foreign Studies, a Coreia do Sul responde por cerca de 10% das transações globais de ativos digitais. Ainda assim, pode ficar para trás no desenvolvimento do setor se não agir rapidamente.
Durante um fórum promovido pela Câmara de Comércio e Indústria da Coreia, autoridades classificaram o momento como crítico. Nesse sentido, decisões atuais devem definir o futuro das stablecoins no país. Já o vice-governador do Banco da Coreia, Chang Cheong-soo, afirmou que uma stablecoin atrelada ao won pode atuar como meio de pagamento complementar e competitivo.

A capitalização total do mercado de criptomoedas está em US$ 2,52 trilhões no gráfico semanal. Fonte: TradingView
Em conclusão, o piloto conduzido pelo KB Financial demonstrou ganhos expressivos em velocidade e custo. Ainda assim, a ausência de um marco regulatório limita a implementação em larga escala. Caso a legislação avance, a stablecoin atrelada ao won tende a ganhar relevância tanto em pagamentos domésticos quanto em transferências internacionais, reforçando a posição da Coreia do Sul no mercado cripto global.