Knaken rende US$ 2,5 milhões, mas credores enfrentam perdas
Procuradores holandeses venderam criptomoedas apreendidas da Knaken, uma plataforma de negociação que entrou em colapso. A operação levantou US$ 2,5 milhões, equivalentes a 2,2 milhões de euros, para a massa falida.
No entanto, o administrador judicial Carl Hamm afirmou que esse montante representa todo o dinheiro disponível até agora. O valor fica muito abaixo dos US$ 12 milhões a US$ 14 milhões que os clientes teriam depositado na plataforma.
Falência da Knaken deixa 30 mil clientes sem acesso
Sediada nos Países Baixos, a Knaken permitia comprar, negociar e manter criptomoedas por meio de um aplicativo próprio. Contudo, a empresa operava sem a licença exigida pelos reguladores holandeses e saiu do ar no início de junho.
Em 16 de julho, um tribunal de Roterdã declarou formalmente a falência após um pedido dos procuradores. As autoridades argumentaram que a medida atendia ao interesse público. A entidade afiliada Stichting Knaken Payments também passou a integrar o processo.
Com o encerramento, cerca de 30 mil clientes perderam o acesso aos recursos mantidos na plataforma. Hamm contatou diretamente aproximadamente 6.300 pessoas afetadas. Em seguida, recomendou que elas moderassem as expectativas sobre uma eventual recuperação dos valores.
Reservas não correspondiam aos saldos dos clientes
Hamm identificou uma diferença estrutural entre os saldos exibidos aos usuários e as reservas reais da Knaken. Para cada 100 euros aplicados em Bitcoin, a plataforma cobrava uma taxa de 1 euro. Depois, comprava 99 euros em ativos digitais.
Além disso, a Knaken mantinha a propriedade jurídica dessas posições, em vez de registrá-las individualmente para cada cliente. Dessa forma, os saldos representavam um direito sobre o valor em euros, não sobre as criptomoedas adquiridas.
O administrador também afirmou que a empresa nem sempre mantinha reservas suficientes para cobrir os saldos dos usuários. Ao mesmo tempo, a plataforma reunia custos operacionais e investimentos em um mesmo conjunto de recursos.
Nesse contexto, Hamm declarou que os recursos da venda constituem atualmente o único dinheiro da massa falida. Por isso, os clientes devem reduzir suas expectativas diante da diferença entre os depósitos e os bens recuperáveis.
Venda das criptomoedas apreendidas gera críticas
A administração das reivindicações e a liquidação das criptomoedas provocaram questionamentos. Um advogado de um cliente afetado contestou o direito dos procuradores de vender os bens apreendidos.
O advogado comparou a situação a uma garagem falida que vende carros estacionados sem devolver os valores aos proprietários. Por outro lado, os procuradores afirmaram que existiam razões convincentes para a venda. As autoridades, porém, não divulgaram detalhes.
A imprensa local informou que os procuradores provavelmente utilizaram regras que permitem vender bens apreendidos sujeitos à perda de valor. Hamm disse compreender essa justificativa, pois considera o valor das criptomoedas completamente imprevisível.
Ataque hacker e patrocínios marcaram a trajetória
Antes do colapso, a Knaken já enfrentava problemas de segurança. Em 2020, hackers roubaram 23 BTC da plataforma, avaliados na época em cerca de US$ 162 mil, ou 140 mil euros.
Apesar da perda, o proprietário Ronald J. continuou buscando novos clientes. A Knaken também patrocinou clubes holandeses de futebol, incluindo Feyenoord, Sparta, Heracles e Heerenveen. A empresa ainda manteve uma parceria de curta duração com o Ajax.
Um cliente afirmou que esses patrocínios de grande visibilidade aumentaram sua confiança na plataforma. Posteriormente, as audiências de falência revelaram uma transferência de US$ 2,7 milhões, ou 2,3 milhões de euros. O dinheiro saiu da Knaken e seguiu para uma empresa controlada por Ronald J.
Proprietário contesta déficit apontado pelo administrador
O tribunal observou que a transferência poderia configurar um conflito de interesses. Ronald J., entretanto, declarou que destinou os recursos ao marketing. Ele também afirmou manter registros separados para demonstrar que não obteve ganhos pessoais.
O proprietário rejeitou ainda o déficit de investimentos relatado pelo administrador judicial. Conforme sua versão, a Knaken atuava estritamente como corretora. Assim, um provedor de liquidez executava cada ordem apresentada pelos clientes.
Embora tenha reconhecido uma diferença entre investimentos e ativos disponíveis, Ronald J. negou que valores tenham deixado de ser investidos. Ele classificou essa possibilidade como totalmente incorreta e prejudicial.
A Knaken não comunicou suas dificuldades ao De Nederlandsche Bank, o banco central holandês. A instituição confirmou que sua supervisão abrangia apenas a prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Naquele período, o órgão não fiscalizava a solvência empresarial.
| Métrica | Valor | Moeda |
|---|---|---|
| Venda das criptomoedas apreendidas | US$ 2,5 milhões | USD |
| Depósitos estimados dos clientes | US$ 12 milhões a US$ 14 milhões | USD |
| Quantidade roubada no ataque de 2020 | 23 BTC | BTC |
| Transferência para a empresa do proprietário | US$ 2,7 milhões | USD |