KOSPI cai 5,72% com chips e tarifas dos EUA

O KOSPI, principal índice da bolsa da Coreia do Sul, despencou nesta sexta-feira em uma sessão de vendas intensas. A pressão atingiu, sobretudo, ações de tecnologia e automóveis.

O movimento refletiu a forte queda das empresas de semicondutores, a piora do sentimento sobre gastos com infraestrutura de inteligência artificial e novas dúvidas sobre tarifas dos Estados Unidos aplicadas a produtos sul-coreanos.

Durante o pregão, o KOSPI chegou à mínima intradiária de 6.650,41 pontos. Depois, porém, o índice reduziu parte das perdas e avançou para 6.751,49 pontos. A recuperação parcial ocorreu após autoridades em Seul confirmarem que Washington manteria o acordo comercial existente, com limite tarifário de 15%.

KOSPI Composite Index

Origem: Yahoo Finance

Além disso, a aversão ao risco se espalhou pela Ásia. O Nikkei 225, do Japão, caiu 3%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou mais de 1%. Na China continental, o Shanghai Composite fechou em baixa de 0,87%.

Ao mesmo tempo, o ambiente externo piorou com o aumento das tensões militares entre Washington e Teerã. Esse fator elevou a incerteza em toda a região da Ásia-Pacífico.

Chips ampliam pressão sobre a bolsa sul-coreana

As ações da Samsung Electronics e da SK Hynix ficaram entre os principais pesos negativos do KOSPI. Os papéis das duas gigantes sul-coreanas de chips de memória recuaram entre 6% e 10%, intensificando a queda do mercado local.

Esse movimento ganhou força após uma sessão negativa para ações de tecnologia nos Estados Unidos. Os resultados trimestrais de Alphabet e Tesla mostraram que as duas empresas seguem direcionando volumes expressivos de capital para infraestrutura de inteligência artificial.

Assim, investidores voltaram a questionar a sustentabilidade financeira desse ritmo de investimento. No caso da Alphabet, a reação foi ainda mais sensível. A empresa registrou fluxo de caixa livre trimestral negativo pela primeira vez em sua história e elevou sua projeção de gastos de capital para o ano inteiro.

Como resultado, cresceu o receio de que desembolsos ligados à inteligência artificial pressionem a rentabilidade das big techs no curto prazo. Esse ponto se tornou central para Samsung Electronics e SK Hynix.

As duas companhias vinham se beneficiando da forte demanda por semicondutores de memória, impulsionada pela expansão da inteligência artificial no último ano. No entanto, como acumularam ganhos relevantes com essa tendência, ficaram mais vulneráveis quando o humor do mercado mudou.

Ademais, a volatilidade aumentou com fundos negociados em bolsa alavancados na Coreia do Sul, vinculados às ações dessas fabricantes de chips. Esses produtos tendem a ampliar movimentos do mercado, tanto nas altas quanto nas quedas. Desse modo, contribuíram para a intensidade das oscilações durante a sessão.

Tarifas e montadoras ampliam as perdas

Além do setor de semicondutores, a indústria automotiva também pesou sobre o mercado sul-coreano. A Hyundai Motor caiu 8% após divulgar resultados do segundo trimestre abaixo das expectativas de analistas.

A montadora já enfrentava dificuldades ligadas a barreiras comerciais nos Estados Unidos nos últimos trimestres. Por isso, o novo ruído tarifário agravou o cenário para ações do setor.

Inicialmente, o mercado reagiu a temores relacionados a uma tarifa de 12,5% dos Estados Unidos sobre produtos da Coreia do Sul. As preocupações surgiram em meio a medidas também direcionadas a outros parceiros comerciais. Dessa forma, a perspectiva afetou principalmente setores dependentes de exportação, como tecnologia e automóveis.

Posteriormente, contudo, a confirmação de Seul de que continuaria valendo o teto de 15% ajudou a reduzir parte da pressão. Ainda assim, a notícia não reverteu o quadro negativo do dia.

No encerramento, o KOSPI terminou aos 6.690,62 pontos, com queda de 5,72% na sessão. O pregão combinou perdas severas em Samsung Electronics e SK Hynix, recuo de 8% da Hyundai Motor, preocupação com o fluxo de caixa livre negativo da Alphabet e incertezas tarifárias entre Estados Unidos e Coreia do Sul.