Kraken corta 150 funcionários e adia IPO para 2027

A exchange de criptomoedas Kraken demitiu cerca de 150 funcionários na última semana, em um movimento ligado à reestruturação interna e ao avanço do uso de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a empresa adiou seus planos de abertura de capital nos Estados Unidos, agora projetados para 2027.

Segundo a Bloomberg, com base em fonte próxima ao tema, a Kraken, formalmente chamada Payward, vinha se preparando de forma discreta para um IPO. No entanto, mudanças estratégicas e condições desfavoráveis de mercado levaram à revisão do cronograma.

Reestruturação interna e adiamento do IPO

Os planos de listagem estavam em andamento desde o fim de 2025, quando a empresa apresentou um pedido confidencial a reguladores dos Estados Unidos. Contudo, em março de 2026, a Kraken suspendeu o processo após a queda nos preços do mercado cripto.

Durante uma conferência recente, o co-CEO Arjun Sethi confirmou o registro confidencial, mas evitou detalhar prazos. Agora, diante do novo cenário, a expectativa é que o IPO ocorra apenas a partir de 2027.

Paralelamente, os cortes de pessoal refletem a ampliação do uso de inteligência artificial em diferentes áreas da empresa. Assim, a Kraken busca elevar a eficiência operacional e reduzir a necessidade de mão de obra em funções específicas.

Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor de tecnologia. De fato, empresas vêm priorizando otimização de custos ao mesmo tempo em que enfrentam um ambiente mais desafiador.

Inteligência artificial ganha protagonismo

A adoção de inteligência artificial permite não apenas cortar despesas, mas também aprimorar processos internos. Nesse sentido, a Kraken passa a priorizar automação de tarefas repetitivas e análise de dados, o que amplia sua capacidade de escala em momentos de alta volatilidade.

Por outro lado, a substituição de funções humanas por tecnologia levanta preocupações sobre o impacto no emprego. Ainda assim, a pressão por eficiência mantém o avanço dessas iniciativas no setor.

Demissões atingem todo o setor cripto

A Kraken não é um caso isolado. Em 2026, o mercado de criptomoedas já acumula mais de 5.000 demissões. Em grande parte, esse movimento resulta da combinação entre automação e condições macroeconômicas adversas.

A Coinbase, por exemplo, cortou cerca de 700 funcionários no início de maio, o equivalente a aproximadamente 14% de sua equipe. Da mesma forma, a Gemini reduziu cerca de 200 postos, enquanto a Crypto.com dispensou aproximadamente 180 colaboradores.

Entre os cortes mais expressivos, a Block Inc. eliminou cerca de 4.000 vagas em fevereiro, o que representa quase metade de seu quadro total.

BTCUSD sendo negociado a US$ 76.384 no gráfico de 24 horas: TradingView

Além das exchanges, empresas de análise também passam por ajustes. A Dune, por exemplo, reduziu cerca de um quarto de sua equipe, com foco na priorização de produtos principais.

Pressão macroeconômica e queda de preços

O ambiente macroeconômico segue como fator central. Desde o fim de 2025, os preços das criptomoedas apresentam tendência de queda. Como resultado, várias empresas listadas reportaram prejuízos no primeiro trimestre de 2026.

Um relatório aponta que esse cenário mais restritivo levou companhias a rever estratégias, priorizando cortes de custos e adiamento de projetos.

Enquanto isso, ativos como o Bitcoin continuam sob pressão, refletindo a cautela dos investidores. Ainda que ocorram recuperações pontuais, o mercado permanece volátil.

Perspectivas para a Kraken

Até o momento, a Kraken não confirmou oficialmente nem as demissões nem o adiamento do IPO. Ainda assim, os movimentos indicam uma estratégia clara de ajuste operacional.

Como uma das maiores exchanges dos Estados Unidos, a empresa segue no radar de investidores. Dessa forma, qualquer avanço em seus planos de abertura de capital tende a influenciar o setor como um todo.

Em suma, a Kraken iniciou seu processo de IPO, interrompeu os planos diante da deterioração do mercado e agora aposta em inteligência artificial para ganhar eficiência, mirando uma eventual listagem pública a partir de 2027.