Leasing da 3xBit: atrasos e promessas

O ano de 2019 não é para amadores

Caótico e imprevisível. Em meio a golpes e falcatruas de todos os lados, 2019 tem se mostrado um ano bastante difícil para os investidores de criptomoedas no Brasil. A bola da vez é a 3xBit e seus atrasos que já ultrapassam mais de um mês. Será que podemos culpar o “leasing” da empresa pelos problemas atuais?

Antes de mais nada, vamos pontuar tópicos essenciais: o medo de calote é real e totalmente justificável. A queda da Unick na última semana, a exposição das mentiras da Atlas Quantum pela HitBTC e pela Gate.io, a compra da Anubis Trade pela mesma Atlas Quantum e o repentino atraso nos saque desta primeira. Em poucas semanas vimos inúmeros problemas que causam enorme incerteza e preocupação no meio cripto brasileiro.

Há um sentimento de que não se pode confiar em ninguém. Esse texto não se propõe a acusar a 3xBit, ou de dizer que a mesma está aplicando um golpe. Muito pelo contrário. A ideia é expor os problemas e cobrar soluções. A torcida de todos é que o problema seja resolvido e tudo volte ao normal, contudo, torcida e expectativa são coisas diferentes.

Leasing da 3xBit: Origem e contexto

Nada melhor do que começar do início. O problema com os saques teve início em 12 de setembro, quando a plataforma de saques da 3xBit supostamente apresentou problemas. Os representantes da empresa pediram um prazo de três semanas para solucionar os problemas e assim concluir a retomada dos saques.

Esse fato por si só já levantou suspeitas. Em reportagem publicada no mês de setembro a Coin Times apontou a possibilidade dos atrasos da 3xBit terem alguma relação com os problemas da Atlas Quantum. A empresa, por sua vez, negou essa possibilidade.

O atraso principal é relacionado à plataforma de Leasing oferecida pela empresa, embora não seja raro encontrar clientes que não participam dessa modalidade reclamando que não conseguem sacar seus valores da exchange.

Atrasos

O prazo original de três semanas acabou sendo ignorado pela exchange e o pagamento dos saques não ocorreu. Foi então feita uma nova promessa de pagamento, com um cronograma que apontava a data limite de 18 de outubro para liberação do saldo de clientes que fossem sacar até 2.0 BTCs.

Infelizmente, segundo relatam diversos clientes em variados grupos de Whatsapp e Telegram, além de fontes próximas com valores depositados na 3xBit, esse pagamento também não ocorreu. No ar, fica a clara sensação de que a empresa está tentando ganhar tempo. Mas para quê?

Entendendo o Leasing da 3xBit

Já citado nesse texto e assunto recorrente nas discussões envolvendo a 3xBit, o Leasing é, por definição, “uma modalidade de contrato que associa aluguel e venda à prestação, por meio de uma técnica especial de financiamento”. Ou na versão fácil, um contrato em que o cliente empresta dinheiro para a corretora, recebendo juros no retorno.

 

Contrato de Leasing de um cliente da 3xBit com o saldo atualmente preso na plataforma da empresa

 

A modalidade ocorre desde a criação da 3xBit e é dita como importante para o crescimento da empresa. Em teoria, a empresa faz uso dos Bitcoin cedidos pelos clientes para realizar arbitragens e assim obter lucro, pagando juros aos clientes.

O aluguel dos ativos vem acompanhado de um pagamento percentual mensal fixado na assinatura do contrato. O contrato mencionado acima, por exemplo, foi fixado em 8% ao mês de rendimento. Segundo a empresa, trata-se de uma modalidade limitada e com prazo final de oferta, não tencionada a ser executada infinitamente.

Segundo nossas fontes, alguns contratos chegaram a ser fixados em 10% ao mês, 120% ao ano. Os valores são completamente desproporcionais aos rendimentos em renda fixa oferecidos pelo governo e por grandes corretoras do mercado tradicional. Há ainda a previsão de pagamento de multa de 10% do valor do aluguel em caso de atrasos, como pode ser verificado abaixo na parte de aluguel do contrato.

Valor movimentado no Leasing da 3xBit

Conforme apontado pela Coin Times, a 3xBit custodiava aproximadamente 1.184 Bitcoins quando todo o problema teve início, um valor que beira R$ 40 milhões na cotação atual. Mesmo não sendo uma modalidade pública (as pessoas ingressavam por meio de convites e indicações), o Leasing da 3xBit atraiu um número grande de pessoas.

E é aqui que chegamos no ponto central da discussão: o que aconteceu com esse dinheiro? Falamos de mais de mil Bitcoins, 40 milhões de reais que, deixemos bem claro, nao pertencem à 3xBit. Trata-se de uma custódia, e de tal forma a empresa tem não apenas o dever, mas a obrigação de zelar pelos ativos dos seus clientes.

Perceberam que nossa pergunta do parágrafo anterior não foi respondida? Exatamente, não há resposta. Seja por falsas promessas de pagamento ou por total falta de transparência no trato do caso, a 3xBit não deixa claro o que aconteceu com os Bitcoin investidos na plataforma.

Se investido na Atlas Quantum, alocado em arbitragens malucas ou “roubados” por hackers, a justificativa é o que menos importa aqui. Há uma custódia que, ao que tudo indica, não foi respeitada pela empresa. Isso sem falar nos números para lá de pirâmidescos pagos na modalidade de Leasing.

Resposta da 3xBit e próximos passos

É possível encontrar na internet registros de mensagens e áudios supostamente ligados à liderança da 3xBit que indicam uma nova promessa de pagamento, devendo ocorrer durante a próxima semana, com alguns indicando os dias 21 e 22 de outubro como as possíveis datas dos pagamentos. Entretanto, nada de concreto foi liberado pela empresa, mantendo os clientes no escuro.

Tentamos contato com representantes da 3xBit para obter um posicionamento sobre o assunto e ainda não obtivemos resposta. Dessa forma, seguimos no aguardo de um comunicado oficial da empresa.

*Atualização 21/10: na manhã desta segunda-feira conseguimos contato com o COO da 3xBit, Dr. Octavio de Paula Santos Neto, que falou conosco acerca dos atrasos no leasing e da venda de uma parte da empresa. Você pode acessar a resposta na íntegra clicando aqui.

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.